Soncent

Soncent

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Amantes - Inédito - Parte I

Nem um toque ou uma chamada, nem uma mensagem a dizer pensei em ti, nada, de nenhum de nós como se tivéssemos entrado num acordo acerca de não haver mais nenhum contacto, em vez do que realmente aconteceu: termos ido para a cama e descoberto, nalguma dobra do lençol ou num suspiro entrecortado, que simplesmente não havia mais espaço comum para os dois. Era como se a cama se rebelasse contra nós os dois sobre ela.

O silêncio completamente vazio que se seguiu nunca quis dizer que era apenas por estarmos satisfeitos mas sim uma completa falta de assunto, o rei está morto e pronto, a ninguém apetece dizer viva o rei.

Tal como a nenhum de nós apeteceu dizer foi bom, não foi e vou andando, foi mais um afastar final dos nossos corpos, eu para um lado, tu deixando-te ficar para trás, por azar ainda tens que aturar com os ruídos que faço para me lavar de ti de uma vez, mas lá apareço composta e vestida e à espera que também estejas vestido e com a mão nas chaves e nem olhamos bem um para o outro, vou cerimoniosamente à porta e abro-a, aí ambos forçamos umas palavras circunstanciais sem as quais o momento ficaria ainda mais pesado e vais saindo e vou fechando a porta e mudando os lençóis, abrindo a janela para arejar o quarto e tomando um banho de cabeça aos pés.

Fim. Agora nem as circunstâncias serão fortes o suficiente para nos fazer voltar a dar uma chamada, uma mensagem a dizer pensei em ti.

2 comentários:

Anónimo disse...

Não será "Inédito"?

Sem afronta,

a) RB

Eileen disse...

Já está corrigido, obrigada.