Soncent

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Amantes - parte III


Afastas-te toda pudica mas esqueces que já te conheço esses jeitos, sei que me queres só na forma como não consegues tirar os olhos da minha boca nem a boca dos dedos que vais mordiscando. Não te vou forçar, vou-te submeter e depois vais sentir ainda mais raiva de mim e ainda mais raiva de ti. Azar o teu. Sei o que vim procurar e se não mo dás, não me vou. Vou-te derreter com os olhos, vou-te pegar na mão devagar, sem força, porque não é preciso força se ambos queremos. E queremos, por mais que digas bebes essa cola e vais-te embora. Mas não estou à espera e de surpresa, vejo-te abrir a porta a um puto que te beija à minha frente e se surpreende por eu cá estar. Que palhaçada é esta?

Ora isto é para aprenderes que sempre há um adeus, que se eu disser que acabou, acabou mesmo e passo à próxima. Agora engole a tua fúria e desaparece, mas com bons modos se faz favor, para que o meu queridinho não adivinhe que faz pouco tempo nós os dois andávamos na marmelada enquanto ele ainda sonhava com biberões e jogos de meninos. Vai-te, mantendo a pose de cavalheiro, que não és mas finges bem quando sabes que te convém. E bem podes murmurar, entre dentes, enquanto te acompanho à porta, que sou uma cabra e outras expressões menos lisonjeiras, entra-me por um ouvido a chinês e sai a japonês, nós os dois já éramos cana-de-açúcar que deu calda e secou. E não há adeus romântico numa relação de amantes que também não começou com jantarzinho e velas perfumadas.

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