Viajei aos Estados Unidos pela décima quinta vez. Na primeira, tinha sete anos e viajava-se, nessa altura, com vestidinhos de folhos, tão bonitos como desconfortáveis e com caracóis nos cabelos, como se fossemos a alguma cerimónia. Nunca entendi esse conceito. Os voos era super-mega-hiper longos. E continuam. Quando temos boa companhia na viagem e filmes no portátil, as oito horas reduzem-se para seis e meia. Eu tive.
Entretanto não posso deixar de notar que os candidatos presidenciais estão no meu encalço: onde quer que vá, há pelo menos um; as vezes dois; e ate três. Já quando passei uma semana no Fogo, virava uma esquina e via um. Entrava numa sala e estavam mais dois, na mesma mesa, confraternizando.
De maneira que desta vez não foi diferente, e no mesmo voo e a poucas cadeiras de distancia, de maneira que os meus talentos de espia internacional entraram em acção e tenho em meu poder, neste exacto momento, todas as frases do discurso a ser proferido sei lá onde e quando. Usei a minha microscanner que uso incorporada nas lentes de contacto que por sua vez uso para fazer com que as pessoas se detenham mais nos meus olhos, de modo a scannear-lhes a pupila com fins pouco claros. Mata Hari oblige.
A prova viva de que não estou a ficar mais nova e que os conheço aos três e posso dizer que de outros carnavais. A um porque assistira ao lançamento do seu livro em Soncent, há muitos, muitos anos. Ao outro, porque foi das suas mãos que recebi os prémios revelação Pantera. Ao terceiro, pai de conhecidos, fui apresentada já na Praia.
Na América, uma jovem de 21 anos fala-me em falência do governo, desemprego, fim do sonho americano. A Time parece concordar. Disse-lhes que me perdoem, mas já temos Portugal com quem nos preocupar.
(A falta obvia de acentos nao esta de modo alguma relacionada com o novo acordo, ao qual ainda nao alinhei, mas com a falta dos mesmos nos teclados americanos. Ingles oblige.)