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domingo, 2 de junho de 2019

Escrevo para adiar o importante

Não tivesse perdido o hábito de escrever sempre no blog - descobri que havia três grandes motivações: saber que havia gente a ler; estar sentada várias horas frente ao computador - agora o meu trabalho é fazer interpretações simultâneas, não dá tempo; ou se estiver a traduzir, pior um pouco: não dá tempo!; e ter coisas importantes para fazer. 

É mesmo isso: saber que tenho coisas importantes a fazer dá-me para procrastinar e uma maneira de procrastinar é escrever. Não é romântico? 

Se alguma vez algum jornalista se lembrasse de me perguntar qual é a minha motivação para escrever, eu podia responder com os clichês habituais de ter nascido com o dom, de ser irremediavelmente seduzida por folhas de papel em branco, por canetas novas ou canetas de terceiros ou ainda por frases que me surgem do nada, como que sussurradas por espíritos como a minha mãe gosta de crer, ao que lhe respondo sempre - porque é que os espíritos conseguem inventar uma história e eu não? 

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Onomástica possível

Pergunto-me o que a Comissão Nacional de Onomástica recém-criada achará do meu nome... E o que a minha mãe achará quando a Comissão achar que não dá. Ou não dava. Ou não devia ter dado. 

E eu, rindo do camarote, que ainda hoje, e ainda ontem, tive que desembainhar a espada contra os que não me quiserem chamar pelo meu nome ou escrevê-lo tal como o ditei.

Ando numa luta sem fim para que todos os cabo-verdianos aprendam este nome... mas que nenhum deles se lembre de o dar a alguma pobre bebé. 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

O aparelho - Desatualizado, que já tirei o bicho









Desde que pus o aparelho passei a gerir mal minha saliva. Meus dentes, minha língua, minhas bochechas e lábios estranham o ser estrangeiro que se entranha neles e contestam-no. Minha saliva se rebelou de tal forma que sai sempre que pode, foge de minhas cavidades, aterra em outras caves, às vezes nas mesas, nos pulsos de terceiros e em vácuos amargos. Minha saliva, que eu saiba, deu de fugir chovendo por aí.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Mano, acreditas nisso?

Não sei como é que o Blogger apura as estatísticas, mas aparentemente, o país onde mais me lêem é a Rússia...

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A minha gente


Vai parecer anedota mas quando me ligaram a dizer que o meu poema "A minha gente" tinha sido escolhido para um livro que se chamaria "Os 100 melhores poemas de Cabo Verde", o que eu pensei foi:
Mas esse sequer é o melhor poema de Eileen Barbosa...

Mas quem escolhe assume todas as responsabilidades e na apresentação deste livro, que entretanto mudou de nome,  quando este poema foi lido e depois comentado, percebei porque é que tinha sido esse e não outro. É algo relacionado com o ser-se cabo-verdiano. Costumava crer que nunca refleti muito sobre o ser-se cabo-verdiano na minha escrita porque estava tão intrínseco em mim e porque sou geralmente escritora de ficção. Mas não é bem isso: penso agora que nos primeiros anos de escrita, a maior parte dos escribas escreve muito por influência de quem leu. E eu li muito mais escritores "ocidentais" que nacionais. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Não publicações

Agora, como se não bastasse não publicar em Soncent e não publicar no Facebook, também já não publico do Youtube... A vida é feita não publicações. Vejam esta:

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Vestimenta liberal

Muita mulher cabo-verdiana veste-se de forma liberal - roupa curta e apertada, independentemente de ter algum traço ou curva bonita para mostrar. Acho bem - ainda que o meu sentido estético deteste.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Afinal sou boa pessoa

 
Nunca me preocupei muito em ser boa pessoa. Andei na escola preocupada em ser a mais alta, a melhor aluna; nunca me ocorreu ser a melhor nalgum desporto nem em ser a que se vestia melhor, não sentia vergonha dos meus garatujos mas tinha orgulho do meu português.
 
É claro que nunca fiz maldades a não ser expulsar um gato do prédio, até a minha irmã me chamar a atenção. Não me aproveitei da minha altura para bater em ninguém, não "busquei insulta" a ninguém, que me lembre. Era extrovertida mas não me metia a gozar com os colegas. E em casa, ainda apanhava da minha mãe, da minha irmã e da minha vizinha. Sem ter em quem me vingar.
 
Foi só em Portugal, quando estava na universidade que, estando afónica, descobri que era boa pessoa sim, senhora. Porque sou mandadora de bocas, isso sou sim, tenho uma boca lesta em fazer comentários sobre a forma de falar, a roupa ou a postura de alguém, bocas que partilho apenas com gente de confiança, que não servem para mais nada a não ser para aquele entretenimento passageiro e inconsequente que também nos dá a leitura de revistas cor de rosa.
 
 Mas se me dói falar, se só consigo sussurrar o básico, então calo-me e penso para comigo mesmo que a minha maldade é um fogo de palha que não justifica o esforço. E, calada, descubro-me um amor de pessoa.
Onde é que vou buscar a minha medalhinha de santa para usar junto ao peito?

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Oportunismo

Resultado de imagem para transportando na cabeça
 
 
Vinha ontem da casa de uma amiga, passando pelo Palmarejo quando vi um pequeno cortejo: uma senhora e duas meninas transportando um armário, uma mesa de cabeceira e uma mesinha de canto nas suas cabeças.

O armário era relativamente grande, ainda que feito de contraplacado e não de madeira maciça. Entrei pela rua do Suave atrás delas e perguntei à senhora se iam longe. Ofereci-me para as levar, dado que tenho uma carro de caixa aberta. (O famoso Portentoso, que esteve de baixa durante quase três meses).

Eu estava relativamente satisfeita com a minha generosidade espontânea quando a senhora me diz se não a posso ajudar. E eu pergunto "Com o quê?". Ela diz-me "Tenho um filho de dois anos que não fala." E eu pergunto-me "Será que ela pensa que sou médica? É verdade que não estou com um ar muito medicinal, de calções de desporto e um top despretensioso, mas talvez ela..."

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Espaçosa

Ela era como um porta-bagagens de uma mercedes - espaçosa. Muito pouco tempo depois de a conhecer, já ela queria aparecer na minha casa, ser convidada para entrar. O pior é que eu não resistia ao atrevimento dela, que nunca via nada de mal nas suas maneiras pouco contidas. Não lhe custava nada pedir boleia na rua ou meter conversa com quem estivesse ao seu lado no café. Dava opiniões não solicitadas onde quer que estivesse, nunca se dando conta das caras de pouca amizade que lhe faziam as pessoas.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Memórias dos trovões

Era a noite de 24 de dezembro de 1996. Como muitas vezes acontece, estava a chover, ainda que não copiosamente. Eu e a mamã passeávamos no seu Ford Escort vermelho, a ver o movimento das ruas.
Só valeria ir à ceia muito mais tarde, quando a minha avó, que tinha uma loja da Pracinha da Igreja, se despachasse das vendas tardias.
 
A calçada brilhante refletia as luzes das lojas em que as pessoas se atarefavam, embora já passasse das dez. Por muitas portas saíam as músicas do Jorge Cornetim, marcas obrigatórias da época natalícia. Estava longe de estar frio mas ambas trazíamos casacos.
 
Começaram os relâmpagos, seguidos de trovões. Um, dois, três. A mamã confessou-se com medo. Eu sorri. Ela conduziu mais um bocadinho. Os trovões não paravam. Ficou com mais medo ainda. Eu gargalhava. O que é que poderia acontecer?  Nada, claro.
 
Mas sabem o que fez?
 
Foi a correr para a loja da mãe, que na altura tinha os seus respeitáveis 79 anos. Não procurar agasalho, claro. Conforto, talvez.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Para o caso de alguém questionar...

Para o caso de alguém algum dia se questionar sobre estes assuntos, vejo toda a pertinência em, desde já, esclarecer que:
 
Se eu fosse para a área da medicina, iria dedicar-me aos dentes. Interessam-me profundamente.
Se não funcionasse, iria dedicar-me às epidemias.
 
Tendo deixado este ponto da minha singela existência devidamente esclarecido, creio que posso agora dedicar-me a esclarecer o seguinte:
 
Se fosse realizadora, nunca faria documentários, que são tendencialmente aborrecidos. Seria realizadora de curtas metragens macabras, creio. Mas com final feliz. Ou não.
 
Se fosse cozinheira, seria da nouvelle cuisine, dessa que depois nos deixa ainda com mais fome, pobres mas ricos de espírito. Ou talvez não. Talvez me dedicasse a cozinhar pratos de enfarta brutos, em panelas enormes em que os ingredientes vêm de carrinho por serem tão pesados.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Necessidades espaciais

Conheci uma pessoa com fortes necessidades espaciais. Não de precisar de espaço, do género daquelas pessoas que nos empurram na cama para ficarem com os lados e com o centro; mas do género de precisar de sair deste planetinha, de ir algures, nem que fosse até à estação espacial, para apanhar um fresco na cabeça e uns nós na barriga.
 
No que ela não se detém é no fato de as as suas necessidades espaciais serem muito especiais, pois esse passeio para tomar fresco custa uns quantos milhões de dólares.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

What can I say?



 Sometimes it takes pain to write. Sometimes, it takes discipline and inspiration. Some other times, you just need a sweet and sour memory of something. And all the other times, it takes some other reasons…

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Porta-voz

Engraçado que na simbiose entre mim e os meus cães, para além de educadora, de ser aquela que dá comida, água e sombra, também sou a porta-voz. Quando me perguntaram se ele gostou de estar no Tarrafal, revi a comida que ele comeu, se bebeu ou não, se foi acariciado ou não, se se sentiu amado pela dona... e concluí que sim, o MC apreciou imenso o seu fim de semana no Tarrafal.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

My great influences in Literature


 
My work has had a number of great influences, the first of which was my mother. She used to read silently every night before sleeping. I slept with her and watched with envy, wondering how she could understand what was written on each page. I was intrigued and attracted by the written word. I remember, as a toddler, as my mother explained to me that each letter had a sound, each word a meaning. Some years later, when I started writing verses, she did not immediately believe they were mine. But as soon as she understood she had a small writer at home, she started motivating me and keeping my short poems.

Luís Fernando Veríssimo and Gabriel Garcia Marquez showed me that stories did not have to be real or even realistic; we can just let our imagination be the real thing. Finally, William Somerset Maugham may have been the greatest influence of all. I met his books at an earlier age and although he was the opposite of the other two authors who have influenced me, all too serious and formal, I loved how his writing allowed me to penetrate the soul of another human. For this exquisite voyeurism, I would repeatedly read his short stories and novels.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Este cofre não!


Vou a um banco e está este cofre no gabinete da gerente. E penso, e penso, e censuro-me até mais não aguentar e digo-lhe:

- Desculpe o atrevimento, mas este cofre nem dá vontade de roubar! Um cofre que se preze deve ser brilhante, novo, impecável, para deixar a cidadã com água na boca! Este dá é pena!

quinta-feira, 31 de março de 2016

De papel

- Sua solidez é de papel.
- Como assim, de papel?
- Papel! Esse que se queima, se dobra, que amolece e se desfaz em água.

sexta-feira, 18 de março de 2016

You had me at hello

"You had me at hello!" é uma das frases mais icónicas do cinema moderno, por sinal de um filme que conseguiu pôr outra famosa frase na boca de todos: "Show me the Money!"
 
Mas a primeira tem uma beleza fantástica, não só pela sua musicalidade mas por todo o sentido que tem no filme e quando é repetida, significando qualquer coisa como: "Apresentaste tantos argumentos quando eu já estava convencida praticamente à partida."

segunda-feira, 14 de março de 2016