Soncent

Soncent
Mostrar mensagens com a etiqueta Fotos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fotos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

O que andas a ouvir?


Se alguém me perguntasse, a meio de uma conversa sobre gansos pardos,
- O que andas a ouvir?, como se ouvir fosse um livro que andamos a ler, eu diria, em voz baixinha, Todo o Homem. Ando a ouvi-la, à canção, como quem lê um livro, sim. E ando a ouvi-lo, ao filho do Caetano Veloso, ainda não sei qual deles, que consegue fazer essa voz de anjo para nos tocar cá dentro.

"Todo o homem precisa de uma mãe."

Imediatamente a seguir, como num compasso, oiço Quando Bate Aquela Saudade, de Rubel. Estou amarrada a uma cadeira de rodas (de escritório) porque tenho um trabalho de tradução para fazer e são estas músicas que me vão empurrando gravidade abaixo.

(Foto por FW)

domingo, 13 de janeiro de 2019

Declaração política

Image result for chico buarque e caetano veloso


Lembram-se das situações em que um indivíduo é eleito ou apontado para alguma posição de destaque, político, profissional, militar ou de outra natureza glamourosa e de repente aparece à superfície, por motivos nem sempre expontâneos, uma afirmação/posicionamento desse mesmo indivíduo, ou da pessoa que esse indivíduo teria sido no passado, que vem manchar a sua imagem e comprometer a sua ascensão à tal posição? O exemplo mais recente que me ocorre será o do Kevin Hart, que depois de convidado a apresentar a próxima edição dos Óscars, viu ressurgirem comentários homofóbicos que ele fez há uns 10 ou 20 anos, o que o levou a desistir - mas sei, de fonte segura, que ele ainda está a reconsiderar desistir da desistência. 

Pois é. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Uma coisa bonita


Na semana passada aconteceu uma coisa muito bonita: fui mordida por uma cadela ao pé da minha casa e enfureci-me completamente porque foi sem provocação. Como qualquer outro cabo-verdiano, a minha reação, enquanto o sangue começava a deslizar-me perna abaixo não foi ir a casa lavar a ferida, fazer um curativo e ir tomar uma vacina contra o tétano. Não. A minha primeira reação foi apanhar uma pedra para atingir a desgraçada atrevida, a inimiga maldosa que se atrevera a morder-me à traição.
 Tenho vergonha de confessar que consegui o meu intento: atingi de fato a cadela nas costelas com uma pedra de calçada e só depois subi para casa maquinando como é que me iria vingar ainda mais não só da minha agressora mas de toda a sua matilha que havia já dias andava a atacar as pessoas e há já uns anos vivem e se reproduzem na minha zona. Mas à medida que fui lavando o sangue da ferida e verificando os estragos, fui acalmando e é claro que cheguei enfim à conclusão de que o ataque não era a solução.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Boas vindas, 2018


Entrei em 2018 com uma flute de champanhe nas mãos, cortesia da Dominika Swolkien, que teve a feliz ideia de juntar pratos diversos num jantar agradável e informal no apartamento em que morei durante uns aninhos mas ao qual ela soube dar uma graça muito superior a qualquer decoração que lhe tivesse feito. Estava, estávamos, está mais que visto, em Soncent, minha ilha adorada. 

De manhã, após uma boa noite de sono, lá estava eu na Praça Nova, cumprimentando aquela malta toda que tinha vindo das festas, desta vez não desmazelados, com os sapatos nas mãos e fatos desfeitos, mas sim muito compostos, não exatamente perfumados mas bastante bem vestidos e pintados. Houve uma ou outra de sapatilhas discretas debaixo dos vestidos, mas de resto não vi manchas de bebidas, gravatas tortas nem ninguém podre de bêbado. Sinal dos tempos. Eu sim, tinha ainda as pálpebras inchadas porque entre a tosse terrível que me acompanhou nesses dias e os cães da Polícia de Intervenção que ladram durante toda a noite por nenhuma razão, não houve sono retemperador para mim. 

De resto, de assinalar a vivacidade da ilha, os preços que nos parecem baratos quando comparados com os da Praia, a minha família com quem é sempre muito bom estar. 

E este blog, que parecia zonzo de sono e agora vai voltar a florescer! 

Beijos e abraços! 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Afinal sou boa pessoa

 
Nunca me preocupei muito em ser boa pessoa. Andei na escola preocupada em ser a mais alta, a melhor aluna; nunca me ocorreu ser a melhor nalgum desporto nem em ser a que se vestia melhor, não sentia vergonha dos meus garatujos mas tinha orgulho do meu português.
 
É claro que nunca fiz maldades a não ser expulsar um gato do prédio, até a minha irmã me chamar a atenção. Não me aproveitei da minha altura para bater em ninguém, não "busquei insulta" a ninguém, que me lembre. Era extrovertida mas não me metia a gozar com os colegas. E em casa, ainda apanhava da minha mãe, da minha irmã e da minha vizinha. Sem ter em quem me vingar.
 
Foi só em Portugal, quando estava na universidade que, estando afónica, descobri que era boa pessoa sim, senhora. Porque sou mandadora de bocas, isso sou sim, tenho uma boca lesta em fazer comentários sobre a forma de falar, a roupa ou a postura de alguém, bocas que partilho apenas com gente de confiança, que não servem para mais nada a não ser para aquele entretenimento passageiro e inconsequente que também nos dá a leitura de revistas cor de rosa.
 
 Mas se me dói falar, se só consigo sussurrar o básico, então calo-me e penso para comigo mesmo que a minha maldade é um fogo de palha que não justifica o esforço. E, calada, descubro-me um amor de pessoa.
Onde é que vou buscar a minha medalhinha de santa para usar junto ao peito?

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Telepatia



 
Todas as empresas de internet, de telemóveis, de portáteis etc., estão num complot contra a telepatia, que era uma forma bastante mais barata de nos comunicarmos uns com os outros, pá!

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Crónica na desportiva II - atualização

 
Não ando a acompanhar os jogos olímpicos porque passam na TV e eu não sou muito disso. Mas ontem estive a ver um jogo de basquete e a pensar em que modalidade é que ainda estarei a tempo de me meter, para daqui a quatro anos, estar a curtir os jogos em primeira pessoa, tipo assim, participando e tudo. Creio que as minhas melhores possibilidades estão no Scrabble. Sem vergonha nenhuma.
 Nunca fui muito de desporto. Mas tentei muito!
A minha primeira paixão foi o karaté e andei uns meses numa escola. Mas o karaté era demasiado lento para quem queria ser ninja como eu. Eu queria era dar mortais e muita pancada. Afinal de contas, sou do tempo de karaté kid e saía do cinema possessa, achando que o meu destino já estava traçado.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Agosto

 
O mês de agosto é para mim muito especial. Talvez por ser de Soncent, associo este mês às melhores atividades, às festas, festivais, praias, passeios, churrascos... Há já uns dias que a minha ilha me manda mensagens telepáticas. Estou cá na Praia, sinto-me bem na Praia mas este mês pede sempre que esteja no norte.
 
Tenho imensas saudades da Avenida Marginal, de casa, da minha mãe, da Ribeira do Julião - não sei porquê - da Tutu, da Lena, da Dominika. Sinto também saudades da minha adolescência, coisas que simplesmente já não voltam mais, como as grandes caminhadas que fazíamos para lugares mais ou menos recônditos ou apenas longe.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A gente da Praia - extrato de A Artista

 
A gente que a recebeu a Artista era boa – o Anacleto era sobrinho do Honório e vivera uns tempos em casa dele, daí sentir que tinha a obrigação de velar pela Imelda. Era um homem sóbrio, careca e bastante queimado pelo sol, com uma perna ligeiramente mais curta que a outra. A Santinha, a mulher dele, era uma santa. Muito protetora, muito decidida a pôr alguma carne nos ossos da priminha, coitadinha, que viera da Boa Vista carregada de queijos, mas estava tão magrinha. A Santinha era muito parecida com o marido, alta, escura, de ombros um pouco largos de mais e umas mãos enormes.

Eles tinham três filhos em casa e a Artista tinha que partilhar o quarto com as duas meninas da casa. Que  eram excelentes miúdas. Simpáticas e carinhosas. A Artista é que, até à data, não partilhara nada. Nem quarto, nem sono – acordava por qualquer motivo, muito assustada – não estava acostumada ao barulho todo em casa, não estava acostumada sequer ao suave ressonar da prima Babinha, que sofria de alergias. O susto maior vinha da Roselma, a prima mais velha, que rangia os dentes nos dias das vésperas dos testes na escola. Também estranhava ter que esperar para poder ir à casa de banho, a mesa numerosa, ter que comer o que estivesse na mesa ou ficava com fome. 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

My great influences in Literature


 
My work has had a number of great influences, the first of which was my mother. She used to read silently every night before sleeping. I slept with her and watched with envy, wondering how she could understand what was written on each page. I was intrigued and attracted by the written word. I remember, as a toddler, as my mother explained to me that each letter had a sound, each word a meaning. Some years later, when I started writing verses, she did not immediately believe they were mine. But as soon as she understood she had a small writer at home, she started motivating me and keeping my short poems.

Luís Fernando Veríssimo and Gabriel Garcia Marquez showed me that stories did not have to be real or even realistic; we can just let our imagination be the real thing. Finally, William Somerset Maugham may have been the greatest influence of all. I met his books at an earlier age and although he was the opposite of the other two authors who have influenced me, all too serious and formal, I loved how his writing allowed me to penetrate the soul of another human. For this exquisite voyeurism, I would repeatedly read his short stories and novels.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A pena que às vezes canta

 
Parecem ir bastante longe os tempos em que de manhã, vinha bloggar, sem assunto nem agenda, pelo simples prazer de escrever numa página em branco e também, às vezes, por algum sentido de dever para com os que, de manhã, como eu, vinham ler o que os bloggers haviam escrito.
 
Os tempos mais gloriosos terão sido enquanto estava na GDP, o meu primeiro trabalho, que coincidiu com a criação de Soncent. Depois foi quando estava na Irlanda, isolada numa ilha em inglês, em que as pessoas eram muito simpáticas mas incrivelmente frias e eu, animal tropical, deixava-me afectar pelos dias cinzentos, pela falta de amigos.
 

terça-feira, 14 de junho de 2016

Este cofre não!


Vou a um banco e está este cofre no gabinete da gerente. E penso, e penso, e censuro-me até mais não aguentar e digo-lhe:

- Desculpe o atrevimento, mas este cofre nem dá vontade de roubar! Um cofre que se preze deve ser brilhante, novo, impecável, para deixar a cidadã com água na boca! Este dá é pena!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

O Casa-café-museu-poético

 
Não digam a ninguém: estou a escrever um romance. Chama-se A Artista. Ninguém irá acreditar, mas não tem rigorosamente nada de auto-biográfico. Tanto mais não seja porque ela, a Artista, poderia ser minha avó.
 
Eis um extracto:
 
"(...) A Artista mungira várias vacas, tinha uns dinheiros que de vez em quando ainda entravam, exatamente quando mais necessitada.
Tinha um amigo que às vezes lhe pagava umas contas da casa. Era o Euclides de Pina. As coisas começaram quando ela foi ter ao escritório dele com um pedido de financiamento para uma casa-museu. Os seus argumentos eram fortes: pintava, possuía uma coleção de objetos absolutamente divinos. Desde que se tornara Artista que amava o fútil, o pueril, e fazia-o de uma forma anárquica, eclética e extravagante.

terça-feira, 8 de março de 2016

Pequena homenagem no Dia da Mulher

 
Neste dia da Mulher, quero fazer um reconhecimento muito especial a uma mulher também ela muito especial - a minha irmã Nádia. Embora ela tenha sido um bocadinho o terror da minha infância - porque me batia, gozava comigo e não me queria junto dos seus amigos - ao mesmo tempo preocupando-se comigo, indo à minha procura se não me encontrava em casa - desde que crescemos que ela se tornou no meu anjo da guarda.
 
É aquela pessoa que sei que está lá para mim, a quem me queixo, com quem me rio, com quem partilho o que me acontece mas também o que quero, o que me ocorre, o que li, vi, senti. A que me conhece, a que me ouve e a quem oiço. A que me dá prendas, a que me deu dois sobrinhos espertos, meigos e como se não bastasse, lindos!
 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

34 anos e alguns ganhos

 
 
 
Dei uma volta e fiz 34 anos. A década de 30 interpela-nos porque há um conjunto de vitórias, aquisições e posicionamentos que a sociedade nos diz que devemos ter alcançado por esta altura e se falharmos, sentir-nos-emos muito mal e quem sabe, até comecemos a fumar, percamos peso ou pior, muito pior que isso tudo, engordemos.

Eu simpatizo mais com idades e números ímpares em geral. Assim, do alto da cabeça, posso lembrar-me que nada se igualou ao verão de 1997, que quando fiz 23 anos, pensei que não precisava fazer mais e os meus 33  me encheram de orgulho.
 
Nessa senda, estes 34 seriam só marcação de tempo para os 35. Mas os 35 parecem ter um peso e consistência toda ela diferente, e ainda bem que temos um ano inteiro para nos prepararmos para o tranco que depois, aparentemente, só voltamos a sentir aos 40.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Família


Em voo

 
Ia pôr esta foto a ilustrar algum post mas ela merece aparecer por si mesma, não de enfeite. Uma foto assim, cheia de movimento, tão bonita, que apanha a Nádia com uma cara de quem pregou algum partida e agora foge para não ser agarrada.
 
Uma foto em que ela flutua um bocadinho acima do chão, realizando o nosso sonho - voar, voar, nem que seja por um singelo minutinho.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Feliz 2016

 
Entra fresquinho, este ano de tantas esperanças, depois de outro que pareceu trazer desgraças para meio mundo. Ou para o mundo inteiro, dependendo das perspetivas. Mas as coisas não estão fáceis ou simples por esse mundo fora - disse ela, cofiando o escasso bigode - que nas mulheres se chama buço.
 
Por cá, (entenda-se, cá neste blog, não por cá em Cabo Verde. Pode ser que por instantes, vocês tenham julgado que eu ia fazer uma análise do último ano, vir falar das tragédias, da chuva que choveu, dos preços que subiram, dos outros que desceram, quiçá, do veto, das manifestações, ou, mais fiel a este blog, dos livros lançados, ou, mais fiel ainda às minhas paixões, da música dada ao dia e dos filmes estreados, dos fios de cabelo branco que se me surgiram, por teima, das viagens, das coisas que escrevi, dos livros que afinal não lancei...
 
Lembra-me a conversa de duas tias:
- Este ano vocês já não vão à China?
- Isso foi no ano passado, minha querida. Este ano nós já não vamos é ao Japão.
E a cada ano, já não iam a algum sítio maravilhoso.
 
Por cá, retomou-se alguma dinâmica, choveu, vetou-se, desceram os preços do gasóleo e do gás mas nem por isso estou mais rica.
 
E finalmente, fará este blog a bonita idade de 10 anos e haverá mudanças...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Cai o pano sobre o ano

 
Cai o pano sobre 2015.

Viva 2016 com as suas boas perspetivas, as suas possibilidades infindáveis, os seus sonhos envolvidos em algodão doce, as suas promessas firmes e outras que só dependerão de cada um de nós e chega destas conversas porque eu não me considero de lamechices.

Para trás ficou (se me permitem um registo mais pessoal) a minha adorada cadela Taska Txukelindra Buruntumas Barbosa. E veio a Tigra Cristina Simone Almeida Barbosa tentar preencher o vazio da primeira, junto do coração do MC e do meu.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Mil declarações


 
Mil declarações
De amor
De mim para ti

 Mil declarações
Num sorriso
Numa só forma
De riso
Nervoso
De um coração
Amoroso

 Dói
Saber que gosto de ti
Tanto assim
E que tu gostas igual
De outra
E não de mim

 Mil declarações
Tão sofridamente vãs

 E tu sorris
Porque notas
O meu devaneio
O meu desvario
E com um sapateio
Me acordas
E dou por mim

 Declarando-me
Sem querer
Sem pudor
Sem te poder ter
Mas com toda a dor


E teus olhos brilham
E parece que gozas
Penso
Mas sonho, só
Pois não poderias
Ter pensado
Beijar-me

 Mil declarações
Sem ouvidos
Mil sorrisos
Que se fizeram beicinhos
Alguns piscares
Que agora disfarçam
Outros esgares

 
Tentas ser
Alguém “fixe”
Mas será que aguentas
Gerir esse mix?

E enquanto tentas
Engano-me
Maço-te
Abraço-te
Abato-me
E declaro-me

 
Ciente
De tudo
(o que compreende)
Não corresponderes
Às minhas
Alegadas
Esfusiantes
Pouco pacientes
Declarações.

Será que aguentas?
E se tentas
Afastar-me
Empurrar-me

 E eu,
Num lento
Sorriso triste
Tento

 
Afastar-me
Empurrar-me
Fingir que afinal
Não existe

Esse sentimento
Fatal
Que me atrai
Será que aguento?

Ter de dizer adeus
Quando quero
Fazer só meus
Com esmero
E mérito
Os teus olhos
De Orfeu

 

(Abril 2005)