Tenho vergonha de confessar que consegui o meu intento: atingi de fato a cadela nas costelas com uma pedra de calçada e só depois subi para casa maquinando como é que me iria vingar ainda mais não só da minha agressora mas de toda a sua matilha que havia já dias andava a atacar as pessoas e há já uns anos vivem e se reproduzem na minha zona. Mas à medida que fui lavando o sangue da ferida e verificando os estragos, fui acalmando e é claro que cheguei enfim à conclusão de que o ataque não era a solução.
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quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Uma coisa bonita
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
Boas vindas, 2018
Entrei em 2018 com uma flute de champanhe nas mãos, cortesia da Dominika Swolkien, que teve a feliz ideia de juntar pratos diversos num jantar agradável e informal no apartamento em que morei durante uns aninhos mas ao qual ela soube dar uma graça muito superior a qualquer decoração que lhe tivesse feito. Estava, estávamos, está mais que visto, em Soncent, minha ilha adorada.
De manhã, após uma boa noite de sono, lá estava eu na Praça Nova, cumprimentando aquela malta toda que tinha vindo das festas, desta vez não desmazelados, com os sapatos nas mãos e fatos desfeitos, mas sim muito compostos, não exatamente perfumados mas bastante bem vestidos e pintados. Houve uma ou outra de sapatilhas discretas debaixo dos vestidos, mas de resto não vi manchas de bebidas, gravatas tortas nem ninguém podre de bêbado. Sinal dos tempos. Eu sim, tinha ainda as pálpebras inchadas porque entre a tosse terrível que me acompanhou nesses dias e os cães da Polícia de Intervenção que ladram durante toda a noite por nenhuma razão, não houve sono retemperador para mim.
De resto, de assinalar a vivacidade da ilha, os preços que nos parecem baratos quando comparados com os da Praia, a minha família com quem é sempre muito bom estar.
E este blog, que parecia zonzo de sono e agora vai voltar a florescer!
Beijos e abraços!
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Afinal sou boa pessoa
Nunca me preocupei muito em ser boa pessoa. Andei na escola preocupada em ser a mais alta, a melhor aluna; nunca me ocorreu ser a melhor nalgum desporto nem em ser a que se vestia melhor, não sentia vergonha dos meus garatujos mas tinha orgulho do meu português.
É claro que nunca fiz maldades a não ser expulsar um gato do prédio, até a minha irmã me chamar a atenção. Não me aproveitei da minha altura para bater em ninguém, não "busquei insulta" a ninguém, que me lembre. Era extrovertida mas não me metia a gozar com os colegas. E em casa, ainda apanhava da minha mãe, da minha irmã e da minha vizinha. Sem ter em quem me vingar.
Foi só em Portugal, quando estava na universidade que, estando afónica, descobri que era boa pessoa sim, senhora. Porque sou mandadora de bocas, isso sou sim, tenho uma boca lesta em fazer comentários sobre a forma de falar, a roupa ou a postura de alguém, bocas que partilho apenas com gente de confiança, que não servem para mais nada a não ser para aquele entretenimento passageiro e inconsequente que também nos dá a leitura de revistas cor de rosa.
Mas se me dói falar, se só consigo sussurrar o básico, então calo-me e penso para comigo mesmo que a minha maldade é um fogo de palha que não justifica o esforço. E, calada, descubro-me um amor de pessoa.
Onde é que vou buscar a minha medalhinha de santa para usar junto ao peito?
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Crónica na desportiva II - atualização
Não ando a
acompanhar os jogos olímpicos porque passam na TV e eu não sou muito disso. Mas
ontem estive a ver um jogo de basquete e a pensar em que modalidade é que ainda
estarei a tempo de me meter, para daqui a quatro anos, estar a curtir os jogos
em primeira pessoa, tipo assim, participando e tudo. Creio que as minhas
melhores possibilidades estão no Scrabble. Sem vergonha nenhuma.
A minha primeira
paixão foi o karaté e andei uns meses numa escola. Mas o karaté era demasiado lento
para quem queria ser ninja como eu. Eu queria era dar mortais e muita pancada. Afinal
de contas, sou do tempo de karaté kid e saía do cinema possessa, achando que o
meu destino já estava traçado.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Agosto
O mês de agosto é para mim muito especial. Talvez por ser de Soncent, associo este mês às melhores atividades, às festas, festivais, praias, passeios, churrascos... Há já uns dias que a minha ilha me manda mensagens telepáticas. Estou cá na Praia, sinto-me bem na Praia mas este mês pede sempre que esteja no norte.
Tenho imensas saudades da Avenida Marginal, de casa, da minha mãe, da Ribeira do Julião - não sei porquê - da Tutu, da Lena, da Dominika. Sinto também saudades da minha adolescência, coisas que simplesmente já não voltam mais, como as grandes caminhadas que fazíamos para lugares mais ou menos recônditos ou apenas longe.
quarta-feira, 20 de julho de 2016
A gente da Praia - extrato de A Artista
A gente que a recebeu a Artista era boa – o Anacleto era sobrinho do Honório e vivera uns tempos em casa dele, daí sentir que tinha a obrigação de velar pela Imelda. Era um homem sóbrio, careca e bastante queimado pelo sol, com uma perna ligeiramente mais curta que a outra. A Santinha, a mulher dele, era uma santa. Muito protetora, muito decidida a pôr alguma carne nos ossos da priminha, coitadinha, que viera da Boa Vista carregada de queijos, mas estava tão magrinha. A Santinha era muito parecida com o marido, alta, escura, de ombros um pouco largos de mais e umas mãos enormes.
Eles tinham três filhos em casa e a Artista tinha que partilhar o quarto com as duas meninas da casa. Que eram excelentes miúdas. Simpáticas e carinhosas. A Artista é que, até à data, não partilhara nada. Nem quarto, nem sono – acordava por qualquer motivo, muito assustada – não estava acostumada ao barulho todo em casa, não estava acostumada sequer ao suave ressonar da prima Babinha, que sofria de alergias. O susto maior vinha da Roselma, a prima mais velha, que rangia os dentes nos dias das vésperas dos testes na escola. Também estranhava ter que esperar para poder ir à casa de banho, a mesa numerosa, ter que comer o que estivesse na mesa ou ficava com fome.
Eles tinham três filhos em casa e a Artista tinha que partilhar o quarto com as duas meninas da casa. Que eram excelentes miúdas. Simpáticas e carinhosas. A Artista é que, até à data, não partilhara nada. Nem quarto, nem sono – acordava por qualquer motivo, muito assustada – não estava acostumada ao barulho todo em casa, não estava acostumada sequer ao suave ressonar da prima Babinha, que sofria de alergias. O susto maior vinha da Roselma, a prima mais velha, que rangia os dentes nos dias das vésperas dos testes na escola. Também estranhava ter que esperar para poder ir à casa de banho, a mesa numerosa, ter que comer o que estivesse na mesa ou ficava com fome.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
My great influences in Literature
Luís Fernando Veríssimo and Gabriel Garcia
Marquez showed me that stories did not have to be real or even realistic; we
can just let our imagination be the real thing. Finally, William Somerset
Maugham may have been the greatest influence of all. I met his books at an
earlier age and although he was the opposite of the other two authors who have
influenced me, all too serious and formal, I loved how his writing allowed me
to penetrate the soul of another human. For this exquisite voyeurism, I would repeatedly
read his short stories and novels.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
A pena que às vezes canta
Os tempos mais gloriosos terão sido enquanto estava na GDP, o meu primeiro trabalho, que coincidiu com a criação de Soncent. Depois foi quando estava na Irlanda, isolada numa ilha em inglês, em que as pessoas eram muito simpáticas mas incrivelmente frias e eu, animal tropical, deixava-me afectar pelos dias cinzentos, pela falta de amigos.
terça-feira, 14 de junho de 2016
Este cofre não!
Vou a um banco e está este cofre no gabinete da gerente. E penso, e penso, e censuro-me até mais não aguentar e digo-lhe:
- Desculpe o atrevimento, mas este cofre nem dá vontade de roubar! Um cofre que se preze deve ser brilhante, novo, impecável, para deixar a cidadã com água na boca! Este dá é pena!
segunda-feira, 6 de junho de 2016
O Casa-café-museu-poético
Não digam a ninguém: estou a escrever um romance. Chama-se A Artista. Ninguém irá acreditar, mas não tem rigorosamente nada de auto-biográfico. Tanto mais não seja porque ela, a Artista, poderia ser minha avó.
Eis um extracto:
"(...) A Artista mungira várias vacas, tinha uns dinheiros que de vez em quando ainda entravam, exatamente quando mais necessitada.
Tinha um amigo que às vezes lhe pagava umas contas da casa. Era o Euclides de Pina. As coisas começaram quando ela foi ter ao escritório dele com um pedido de financiamento para uma casa-museu. Os seus argumentos eram fortes: pintava, possuía uma coleção de objetos absolutamente divinos. Desde que se tornara Artista que amava o fútil, o pueril, e fazia-o de uma forma anárquica, eclética e extravagante.
terça-feira, 8 de março de 2016
Pequena homenagem no Dia da Mulher
Neste dia da Mulher, quero fazer um reconhecimento muito especial a uma mulher também ela muito especial - a minha irmã Nádia. Embora ela tenha sido um bocadinho o terror da minha infância - porque me batia, gozava comigo e não me queria junto dos seus amigos - ao mesmo tempo preocupando-se comigo, indo à minha procura se não me encontrava em casa - desde que crescemos que ela se tornou no meu anjo da guarda.
É aquela pessoa que sei que está lá para mim, a quem me queixo, com quem me rio, com quem partilho o que me acontece mas também o que quero, o que me ocorre, o que li, vi, senti. A que me conhece, a que me ouve e a quem oiço. A que me dá prendas, a que me deu dois sobrinhos espertos, meigos e como se não bastasse, lindos!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
34 anos e alguns ganhos
Dei uma volta e fiz 34 anos. A década de 30 interpela-nos porque há um conjunto de vitórias, aquisições e posicionamentos que a sociedade nos diz que devemos ter alcançado por esta altura e se falharmos, sentir-nos-emos muito mal e quem sabe, até comecemos a fumar, percamos peso ou pior, muito pior que isso tudo, engordemos.
Eu simpatizo mais com idades e números ímpares em geral. Assim, do alto da cabeça, posso lembrar-me que nada se igualou ao verão de 1997, que quando fiz 23 anos, pensei que não precisava fazer mais e os meus 33 me encheram de orgulho.
Nessa senda, estes 34 seriam só marcação de tempo para os 35. Mas os 35 parecem ter um peso e consistência toda ela diferente, e ainda bem que temos um ano inteiro para nos prepararmos para o tranco que depois, aparentemente, só voltamos a sentir aos 40.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Em voo
Ia pôr esta foto a ilustrar algum post mas ela merece aparecer por si mesma, não de enfeite. Uma foto assim, cheia de movimento, tão bonita, que apanha a Nádia com uma cara de quem pregou algum partida e agora foge para não ser agarrada.
Uma foto em que ela flutua um bocadinho acima do chão, realizando o nosso sonho - voar, voar, nem que seja por um singelo minutinho.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Feliz 2016
Por cá, (entenda-se, cá neste blog, não por cá em Cabo Verde. Pode ser que por instantes, vocês tenham julgado que eu ia fazer uma análise do último ano, vir falar das tragédias, da chuva que choveu, dos preços que subiram, dos outros que desceram, quiçá, do veto, das manifestações, ou, mais fiel a este blog, dos livros lançados, ou, mais fiel ainda às minhas paixões, da música dada ao dia e dos filmes estreados, dos fios de cabelo branco que se me surgiram, por teima, das viagens, das coisas que escrevi, dos livros que afinal não lancei...
Lembra-me a conversa de duas tias:
- Este ano vocês já não vão à China?
- Isso foi no ano passado, minha querida. Este ano nós já não vamos é ao Japão.
E a cada ano, já não iam a algum sítio maravilhoso.
Por cá, retomou-se alguma dinâmica, choveu, vetou-se, desceram os preços do gasóleo e do gás mas nem por isso estou mais rica.
E finalmente, fará este blog a bonita idade de 10 anos e haverá mudanças...
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Cai o pano sobre o ano
Viva 2016 com as suas boas perspetivas, as suas possibilidades infindáveis, os seus sonhos envolvidos em algodão doce, as suas promessas firmes e outras que só dependerão de cada um de nós e chega destas conversas porque eu não me considero de lamechices.
Para trás ficou (se me permitem um registo mais pessoal) a minha adorada cadela Taska Txukelindra Buruntumas Barbosa. E veio a Tigra Cristina Simone Almeida Barbosa tentar preencher o vazio da primeira, junto do coração do MC e do meu.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Mil declarações
De amor
De mim para ti
Numa só forma
De riso
Nervoso
De um coração
Amoroso
Tanto assim
E que tu gostas igual
De outra
E não de mim
O meu devaneio
O meu desvario
E com um sapateio
Me acordas
E dou por mim
Sem pudor
Sem te poder ter
Mas com toda a dor
E
teus olhos brilham
E
parece que gozasPenso
Mas sonho, só
Pois não poderias
Ter pensado
Beijar-me
Mil sorrisos
Que se fizeram beicinhos
Alguns piscares
Que agora disfarçam
Outros esgares
Alguém “fixe”
Mas será que aguentas
Gerir esse mix?
E enquanto tentas
Engano-me
Maço-te
Abraço-te
Abato-me
E declaro-me
Ciente
De
tudo(o que compreende)
Não corresponderes
Às minhas
Alegadas
Esfusiantes
Pouco pacientes
Declarações.
Será
que aguentas?
E
se tentasAfastar-me
Empurrar-me
Sorriso triste
Tento
Empurrar-me
Fingir que afinal
Não existe
Esse
sentimento
FatalQue me atrai
Será que aguento?
Ter
de dizer adeus
Quando
quero Fazer só meus
Com esmero
E mérito
Os teus olhos
De Orfeu
(Abril
2005)
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Queria
Queria ter roubado a chave algures e me esgueirado quando ninguém estivesse a ver, porta dentro, pela tua cova alcova cabana terra santa, nua.
Queria ter-te visitado na tua sala vazia. Queria ter-me sentado na tua cadeira esguia e sentido o peso de cada pisa-papel e de cada caneta tua. Queria ter aspirado o teu cheiro nas teclas e lido as tuas letras bonitas nas folhas bem alinhadas em cima da escrivaninha. Queria ter percorrido com o dedo, o tampo brilhante e limpo, apesar da tua ausência. Pensado na tua pele leitosa nele roçando e comungando.
Queria ter pasmado sem sentir escorrer os minutos, no quadro na parede, pensado na vida daquele senhor tal como pensas quando estás apoquentado.
Queria ter violado, sem violência, penetrado sem maleficência, no canto da tua intimidade e sentido assim, a tua presença.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Um ano de stand up comedy
Fez sábado um ano de stand-up comedy no Secreto Ibérico e o Enrique Alhinho convidou-nos a todos os que por lá passámos para irmos comer uma fatia de bolo - depois de partilharmos umas quantas piadas com o público.
É, eu gosto de anedotas. É assim. Vem do meu pai, claro, porque a minha mãe não só não as conta como, se lhe contamos uma particularmente divertida, ela demora algum tempo a tentar conter o riso, depois ri-se um bocadinho e depois admoesta-nos
Parva!
Por lhe termos conseguido arrancar uma gargalhada.
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