Ontem fui passear na rua pedonal da Várzea e achei o máximo. Havia gajos a jogar aos matraquilhos (apostas de 10 escudos) e outros gajos a ver futebol nuns quantos bares e uma ou outra mulher a vender comida. A proporção de mulheres para homens era de uma para cada 15, pareceu-me. Gostei do ambiente na mesma. Só não tenho fotos para mostrar porque infelizmente, não sabendo como anda a fama da zona por estes dias, deixei o telelé no carro.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Agosto
O mês de agosto é para mim muito especial. Talvez por ser de Soncent, associo este mês às melhores atividades, às festas, festivais, praias, passeios, churrascos... Há já uns dias que a minha ilha me manda mensagens telepáticas. Estou cá na Praia, sinto-me bem na Praia mas este mês pede sempre que esteja no norte.
Tenho imensas saudades da Avenida Marginal, de casa, da minha mãe, da Ribeira do Julião - não sei porquê - da Tutu, da Lena, da Dominika. Sinto também saudades da minha adolescência, coisas que simplesmente já não voltam mais, como as grandes caminhadas que fazíamos para lugares mais ou menos recônditos ou apenas longe.
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
A mamã, o camelo e a pirâmide
Pois é, pessoal, a Madalena a modos que acordou no Egipto, que é um lugar que por estes dias não atrai assim tanta gente, o que não deixa de ser uma alteração do status quo, porque aqui há uns anos, houve alguém que afirmou
"Qual é o interesse de ir ao Egipto se lá, tudo o que interessava aconteceu há mais de dois mil anos?"
Mas para a Madá, era um sonho. Não exatamente estar lá, mas sobretudo tirar uma foto lá. Parece que este género de sonhos se tornou popular, há quem vá pelas fotos, há quem vá pela comida; eu tiro cada vez menos fotografias, gosto de ser do contra, então guardo as imagens na cabeça, respiro fundo os cheiros, ponho a mão nas cores.
Gostava de dizer que como cada vez menos, mas seria uma grande falácia; porém não saio do meu piso para ir de propósito comer a algum país. Estando lá, sim, experimento de tudo, não sou esquisita, mas não regresso a falar da comida como se fosse o elemento mais marcante da viagem. Espero nunca ir a um sítio em que a gastronomia ultrapasse a paisagem, as pessoas, a música...
Sobre o camelo não me posso pronunciar muito, porque quase tudo o que sei sobre os bichos soa a anedotas politicamente (e animalmente) incorretas. É que houve o Jarbas, que era um camelo particularmente apreciador de cheiros e que passou uma viagem a cheirar-me o derriére de uma vez nas Canárias; há ainda aquele par de anedotas muito picantes sobre os bichos e eu, que às vezes não me controlo, há dias contei uma numa mesa em que estava o PM e uns diplomatas e depois não havia buraco onde me meter, muito por causa do meu mais que um metro de setenta e cinco, o que vos parecerá muito, mas que não chegou para apanhar a senhora minha mãe, cujas calças até hoje me ficam compridas e que está a esta hora, no Cairo, a pensar para onde mais vai tirar uma fotografia.
Pirâmides... teria que ser uma artigo científico de mais e não vos quero maçar com isso...
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Maio incompleto
Então, o que foi que mudou?
Primeiro, de costume, vou de avião. Um meio de transporte decente, que não cheira a nada, que embora suba nas alturas, não balança, às vezes treme mas não faz ondas. Por oposição, um barco é um barco e a palavra já diz tudo: tresanda a gasóleo queimado, as cadeiras são de plástico, o chão brilha de gordura, a carga está à vista, e faz por nos tirar da nossa zona de conforto, nomeadamente, fazendo por nos tirar coisas do estômago. Enfim, um barco. Vejam a forma como temos que abrir a boca para o pronunciar. Só isso é prenuncio de coisa má.
E foi de barco que arribei à ilha do Maio, numa sexta feira pouco depois do pôr do sol, vendo o cais ficar mais próximo e pensando que alguma forma haveria de desembarcar se toda a gente, toda a vida, tinha lá desembarcado.
Ah, pois: esperam que uma onda aproxime o barco, agarram-te debaixo dos braços com um saco e atiram-te para os braços do outro tipo que nos espera em terra firme. E pronto. Não foi desta que caímos entre o barco e o cais e fomos feitos puré.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Abidjan
Cidades atravessadas por rios... gosto. Verdes, organizadas... gosto. Gostava de ter gostado mais, mas o tempo foi pouco para ver e sentir e cheirar... ficaram as paisagens, o porto a perder de vista, um acidente na estrada, um temporal de chuva que fez desviar o avião que nos levaria a Casablanca.
Ah, Casablanca...
terça-feira, 2 de junho de 2015
Em Portugal, estivemos juntos!
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Mentes parecidas
Devo dizer em nossa defesa, minha e do João Ubaldo, (a quem, por decisão régia da Rainha do Reino Reinante de Palmarejus Baixus e Arredoris Oceânus Atlanticus, de agora em diante posso tratar por Tu, tradução literal de You), que, às vezes, somente às vezes, há coisas que são expressas de uma forma um tantinho melhor numa outra língua. Discussão para uma outra hora, de qualquer forma.
Estando em São Domingos, olhar para o alto e decidir, às seis da tarde, que o melhor mesmo era ir fazer uma caminhada até o Monte Tchota. E assim, às seis e tal, deixávamos o meu portentoso carro na Quinta da Montanha e rumávamos, de chinelos e sal na pele, montanha acima, a pé. Mas o melhor nem foi isso. O melhor foi termos ambos cantado, com toda a força dos nossos pulmões, famosas óperas que devíamos estar a estragar de todas as formas mas o que é que tem, se sabe tão bem cantar?
E depois descer no escuro, com o cheiro dos eucaliptos no nariz, cruzando-nos com um ou burro acompanhado do seu parasita.
Nota: Gostava de agradecer esta oportunidade para voltar a mencionar o meu portentoso carro. É que até hoje não está muito claro na minha cabeça como é que posso possuir uma montada tão esbelta e forte, tão cinzenta e grande. É daquelas coisas, uma pessoa nasce para ser ciclista e escritora e de repente vê-se, por força e arte das circunstâncias, a conduzir um 4x4. Sobe na cabeça de qualquer um! Ou pelo menos, sobe na cabeça da ciclista. Obrigada mais uma vez!
Nota: Gostava de agradecer esta oportunidade para voltar a mencionar o meu portentoso carro. É que até hoje não está muito claro na minha cabeça como é que posso possuir uma montada tão esbelta e forte, tão cinzenta e grande. É daquelas coisas, uma pessoa nasce para ser ciclista e escritora e de repente vê-se, por força e arte das circunstâncias, a conduzir um 4x4. Sobe na cabeça de qualquer um! Ou pelo menos, sobe na cabeça da ciclista. Obrigada mais uma vez!
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Eu brinco, tu brincas?
E assim, enquanto faço coisas mil que não postar em Soncent,
este mesmo Soncent aniversaria - a 27 de Janeiro, completando 7 anos.
Depois, vou eu à ilha mãe, que estava bonita de se ver: as
rotundas em flor, a baía jubilosa, uns prédios do Casa para Todos de dar água
na boca e um mar, um monte de caras conhecidas e sorrisos queridos.
Não houve Laginha para mim, não houve Calhau nem nada parecido - fui em serviço - mas houve uma das actividades que mais aprecio ultimamente - brincar. Abro as portas dos guarda-fatos. Identifico imediatamente as peças novas. Retiro-as do cabide, visto-as, vou ver-me ao espelho. Ponho-as de novo no lugar.
Experimento todos os sapatos. Ando com eles um bocadinho, é sempre uma decepção nova redescobrir que são demasiado grandes. Volto a arrumá-los. Depois vou à casa de banho, mexo e remexo nas caixas que revelam os seus segredos: cremes de rosto, cremes de corpo, cremes de mão, cremes de pé; maquilhagem sortida; frascos de géis de banho, máscaras hidratantes, pequenas amostras de perfumes, óleos de cabelo. Necessaires com bijutarias, com apliques de cabelo, bugigangas.
Depois vou às minhas gavetas, onde estão depositados as cartas dos idos anos 90 do século passado. Os meus cadernos do liceu, as roupinhas que já não me vestem, um estojo com peças soltas de sei lá o quê. Um estojo que usei no jardim de infância, uma carteira que a Tia Mercedes me fez na primária. Os originais de alguns dos meus contos, escritos na minha letra muito feia, num pedacinho de papel qualquer. Fotos.
E rejubilo-me, e sinto-me em paz, e sinto-me em casa.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
China I
Momento alto: andar nas cadeiras para dois, puxadas por bicicletas. O Kaunda e eu, a gritar, a pensar que iamos ser abalroados pelas outras bicicletas de condutores taciturnos, a tirar fotos tremidas, a sentir que por cinco minutos, estávamos a fazer turismo na China. A novidade foi que as tais bicicletas têm motores, donde, os condutores taciturnos não dão uma única pedalada. A poluição vê-se, mas não se cheira. Vê-se no sentido em que não se vê nada a mais de duzentos metros. Está tudo envolto numa névoa cinzento clara, húmida, não desagradável de todo.
Shenzen já é outra coisa. A vegetação chamou-me mais a atenção. À beira das estradas, nos prédios, por todo o lado, o verde grita, parece que avança na nossa direcção. É um verde viçoso, ardente, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo! Shenzen passou de três mil almas para doze milhões em cerca de trinta anos. Aposta na indústria, nas tecnologias de informação, nas energias renováveis. Tem montanhas cortadas por túneis, tem um dos maiores portos de contentores do mundo, a arquitectura é criativa, inovadora. Uma pessoa pensa: Eu podia viver cá. E a duas horas de distância, estão Macau e Hong Kong.
Macau... Que doce de ilha, de cidade, de ruas estreitas à portuguesa, de construções que desafiam as leis da física, de hotéis e casinos e pontes e luxo! Visitámos um hotel que, dentro, tem uma Veneza de faz-de-conta, com as fachadas a dar para um rio de águas cristalinas, pejadas de moedas que, segundo o director, ainda são uma interessante fonte de receitas. Recebe milhares de pessoas por dia. O mais interessante será o tecto - é pintado como se fosse um céu, iluminado como se fossem 5h35 da tarde, um azulzinho convidativo que nos embala nas nossas compras, que nos faz querer passear nas gôndolas ouvindo um gondoleiro cantar qualquer coisa - que não chegamos a ouvir. Nem fizemos compras, nem jogamos no casino, nem nada – mas isso já é outro assunto.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Soncent por dentro
A agência de viagens Gossili está a preparar um pacote de férias a que deu o nome de Soncent por dentro. Trata-se de um pacote virado para descendentes da ilha que não cresceram aí mas que querem experimentar e construir memórias da mesma.
Assim, o pacote fornece visitas guiadas a zonas históricas da ilha, como a Ribeira Bote, Monte de Sossego, Chã de Alecrim, Salamansa, Ribeira de Calhau. Estão ainda incluídos uma viagem a Santo Antão, ao Ilhéu dos Pássaros, a Santa Luzia, uma subida a pé ao Monte Verde, passeios de barco pela costa, sessões de anedotas e teatro, palestras sobre os cinemas Eden Park e Tuta, compras de sucrinha na Praça Nova e banhos na Laginha.
Fontes da agência fizeram-nos saber que muitos das pessoas que fizeram pré-reservas são pessoas nadas na ilha e que aí viveram a vida inteira, mas que nunca experimentarem nem um terço do pacote, ou seja: nunca calcorrearam as ruas do Capim nem sabem onde fica Fernando Pau.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
De férias em Soncent
Donde o blog tem sido descurado, pois a ilha está assim tão simpática, acolhedora, mesmo com chuva.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Soncent - a ilha asfaltada
Soncent está toda ela asfaltada, arrotundada, alegadamente livre de ficar alagada, bonita. Tinha-me esquecido do bom e belas que são as suas praias. Da frescura cristalina das águas. A Praça Nova, escura. As pessoas, simpáticas. Eu, saudosa.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
American pie
Viajei aos Estados Unidos pela décima quinta vez. Na primeira, tinha sete anos e viajava-se, nessa altura, com vestidinhos de folhos, tão bonitos como desconfortáveis e com caracóis nos cabelos, como se fossemos a alguma cerimónia. Nunca entendi esse conceito. Os voos era super-mega-hiper longos. E continuam. Quando temos boa companhia na viagem e filmes no portátil, as oito horas reduzem-se para seis e meia. Eu tive.
Entretanto não posso deixar de notar que os candidatos presidenciais estão no meu encalço: onde quer que vá, há pelo menos um; as vezes dois; e ate três. Já quando passei uma semana no Fogo, virava uma esquina e via um. Entrava numa sala e estavam mais dois, na mesma mesa, confraternizando.
De maneira que desta vez não foi diferente, e no mesmo voo e a poucas cadeiras de distancia, de maneira que os meus talentos de espia internacional entraram em acção e tenho em meu poder, neste exacto momento, todas as frases do discurso a ser proferido sei lá onde e quando. Usei a minha microscanner que uso incorporada nas lentes de contacto que por sua vez uso para fazer com que as pessoas se detenham mais nos meus olhos, de modo a scannear-lhes a pupila com fins pouco claros. Mata Hari oblige.
A prova viva de que não estou a ficar mais nova e que os conheço aos três e posso dizer que de outros carnavais. A um porque assistira ao lançamento do seu livro em Soncent, há muitos, muitos anos. Ao outro, porque foi das suas mãos que recebi os prémios revelação Pantera. Ao terceiro, pai de conhecidos, fui apresentada já na Praia.
Na América, uma jovem de 21 anos fala-me em falência do governo, desemprego, fim do sonho americano. A Time parece concordar. Disse-lhes que me perdoem, mas já temos Portugal com quem nos preocupar.
(A falta obvia de acentos nao esta de modo alguma relacionada com o novo acordo, ao qual ainda nao alinhei, mas com a falta dos mesmos nos teclados americanos. Ingles oblige.)
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Mais uma pérola - Fogo
Vir ao Fogo deu-me uma nova visão sobre as nossas ilhas. Tenho agora ainda mais vontade de ir conhecer o Maio e a Brava: são pérolas para se coleccionar, temos que as visitar todas, catar cada traço diferente e único, pescar aquela escama mais luzidia aqui do que acolá. Aqui, do Fogo, levo São Filipe. Que jóia de cidade bonita, antiga, que começa a encantar-nos desde a sua calçada, passando, claro, pelos sobrados tão maravilhosamente velhos, tão encantadoramente actuais, restaurados, elegantes, históricos. O seu ambiente de roboliço durante as festas, o seu calor, as suas sempre presentes subidas (e descidas). E o seu museu municipal!
terça-feira, 19 de abril de 2011
Incursões na Praia Profunda - ou o relato de um mero passeio agradável
Enquadrado no programa de Descobrimentos – e Invenções que foi inaugurado aquando da invenção dos jogos inventados, e à margem do programa Saúde na Rua, que visa promover a saúde dos habitantes das ilhas e levá-los a descobrir as redondezas das suas zonas habitacionais e fomentar o intercâmbio entre povos mais favorecidos e os menos bem morados(?), ontem finalmente fui explorar uma zona que suspeito responder pelo nome de Kobon.
Passo sempre pela sua entrada quando vou fazer caminhadas, mas ontem optei por ela como um atalho, uma forma de vir dos lados da Sita para o Palmarejo. Fui metendo-me por “canalins” (adoro esta palavra!) e encontrando simpáticos jovens que se propunham fazer-me companhia. Pelo menos 4 perguntaram se podiam vir andar comigo. Aos 4 respondi que sim. E os 4 sorriram embaraçados e deixaram-se ficar onde estavam.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Evasões
Já uma vez confessei cá no blog que de casa para o trabalho, não chegava a ouvir uma música completa. Pois, mudei de casa. Mas continuo a não poder ouvir uma música completa. Talvez eu esteja a conduzir demasiado depressa?
Hoje ao fazer um zapping pelos canais de rádio "encontrei" o Nha primere amor do Nelson Freitas. Este zouk love cai-me tão bem que vim a cantá-la e agora estou a ouvi-la vezes sem conta, no Youtube. E a imaginar-me a conduzir de janelas abertas na circular da Praia, a perder as vistas nas montanhas ao longe.
Ou a ser conduzida pela estrada Baía-Calhau, perna dobrada, pés no assento, óculos escuros e narinas a saborear o sal do ar.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Soncent - a ilha adormecida?
Aos dez dias de Janeiro, já não se ouvem tantos "Boas Entradas" mas ainda há sorrisos mais rasgados do que se veriam em Março, por exemplo.
Estive uns dias em Soncent, que estava muito, muito bonita, com encostas esverdeadas pelas chuvas do ano passado; muito animada, com centenas de gente bonita em férias; com relativo pouco movimento, ou isso sou eu com olhos da Praia. Mas não devo ser só eu, porque ouvi muita gente comentar que a ilha está parada. Pois. Mas como é que se explica esta pequena situação, que testumunhei?
Dia 30 de Dezembro, "Voo", um bar a que fiz já referência neste blog. Estavam umas trinta pessoas dentro do pub, mais uma centena lá fora. Isso, num estabelecimento que deve ter uns 30 metros quadrados. Eu estive aí das dez e tal às duas e tal, o que faz umas 4 horas. Bebi, em todo esse tempo... uma água frize.
Porquê? Porque ninguém veio ter comigo para perguntar o que é que eu queria beber. Porque o gerente do bar não teve a visão de contratar pessoal extra para os dias de festa, ou de os pôr a circular entre as pessoas sentadas lá fora. O cliente tinha que vir acotovelar-se ao balcão, insistir muito, para dar duzentos paus ao barman. Como é que se explica esta falta de proactividade num povo que foi pobre toda a vida?
Porque é que Soncent se deixa afundar, não aproveitando melhor as suas capacidades, os seus N eventos anuais em que sabe que será invadida por visitantes e imigrantes sedentos de diversão e com dinheiro para gastar?
Ele é a passagem de ano, o Carnaval, o Março mês do Teatro, as festas juninas, o Mindelact. Ele é os navios cruzeiros. Ele é algumas conferências internacionais. Ele é os turistas de passagem para Santo Antão, os ocupantes dos yates na marina. Muitos deste eventos têm data marcada para acontecer. Como se explica então que vamos aos locais mais na moda e não há cuscus, não há brinhola, sem sumo de calabaceira, nem cerveja fesca, nem sorriso?
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Rua pedonal do Plateau
Cada pessoa tem duas orelhas e seis ouvidos, sendo dois externos, dois médios e dois internos. Ufa! Os ouvidos têm aspetos extremamente interessantes, como ossos muito pequeninos com nomes exóticos e centros de equilíbrio de importância extrema para nós que andámos de pé e nos locomovemos de várias outras formas.
Anyway, fui a uma consulta a uma dor num ouvido e para fazer tempo, resolvemos ir percorrer a nova rua pedonal do Plateau. Que surpresa agradabilíssima, que prazer cultural, que experiência multi-sensorial! Logo no início da rua, duas portas abertas deixavam ver pessoas multicolores a ensaiar dança com os Raiz de Polon. Na porta ao lado, crianças de uns seis anos deitadas no chão, em vestes de bailarinas. Na porta a seguir, o Mário Lúcio a ensaiar com os seus músicos. Todo o mundo de portas abertas, a partilhar com os passantes.
No centro da rua, crianças a brincar, nas lojas, luzes de natal, na barbearia, dois homens a jogar uril. O tempo, esse, parado, agradável. Só faltavam mesmo uns bares com música ao vivo e cadeiras cá fora.
A-do-rá-vel! Vale uma visita!
E vale ceder espaços para pequenas esplanadas simpáticas, cafés culturais, sítios que atraiam movimento de novo para esse centro da cidade, tão bonito e rico em património.
(Obrigada à Ana Cláudia, pela correcção ao nº de ouvidos!!)
(Obrigada à Ana Cláudia, pela correcção ao nº de ouvidos!!)
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Há lugares assim
Mais do que um lugar assim, existe um certo espírito, um humor desaguado numa cor baça, nem é preto e branco nem é cor, cobalto, cobre, cortiça, assim. Uma paisagem-poema, uma melancolia sempre fina, às vezes, um nó na garganta, um rato no estômago, um ardor nos olhos. Não choro, não esbracejo, não canto, vivo mas não muito. E a brisa, simpática, afasta-me o cabelo da testa e espalha os meus suores. Hoje não salto as horas, hoje rastejo pelo dia, com sorte arrumo ao meio-dia, com fé arribo à meia-noite e o pior terá passado e a madrugada virá de branco. Mas não há cores, então o branco mal se distingue entre os tons que hoje me cobrem de película a pupila, juntas, feito unha e cutícula.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Troque a sua ilha pela vizinha, por tuta e meia
Cabo Verde aplaude e adere ao "Vá para fora cá dentro", ou, no nosso caso mais específico, troque a sua ilha pela vizinha - por uma semana e por tuta e meia".
Gentes das ilhas montanhosas - Eia, Fogo, Santo Antão, Santiago, São Nicolau, ufa, ufa!, venham ver como são imensas as praias de areia branca da Boa Vista, do Sal e do Maio! E as pronúncias, que engraçadas, e os modos, tão diferentes mas tão iguais, as comidas e costumes!
Gentes das planícies, imaginem estar a mais de mil metros de altura, sentir o nevoeiro fresco nas ventas, percorrer trilhas de tirar o fôlego - literal e figurativamente!
Vamos unir laços, procurar antepassados, saborear cafés e queijos, contribuir para a economia - sempre há este importante factor - e fazer compras, porque não?
O que é que não encontramos no Sucupira?
Que melhor artesanato, senão nas ilhas tal, tal e tal?
Quem é que alinha nesta troca de vizinha?
Gentes das ilhas montanhosas - Eia, Fogo, Santo Antão, Santiago, São Nicolau, ufa, ufa!, venham ver como são imensas as praias de areia branca da Boa Vista, do Sal e do Maio! E as pronúncias, que engraçadas, e os modos, tão diferentes mas tão iguais, as comidas e costumes!
Gentes das planícies, imaginem estar a mais de mil metros de altura, sentir o nevoeiro fresco nas ventas, percorrer trilhas de tirar o fôlego - literal e figurativamente!
Vamos unir laços, procurar antepassados, saborear cafés e queijos, contribuir para a economia - sempre há este importante factor - e fazer compras, porque não?
O que é que não encontramos no Sucupira?
Que melhor artesanato, senão nas ilhas tal, tal e tal?
Quem é que alinha nesta troca de vizinha?
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