Soncent

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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Moral e Religião nas escolas

Tive sempre muito muito orgulho em ser cabo-verdiana, em ser de um país que apesar de muito pequeno, me fez pensar sempre que era livre, que não era discriminada por ser mulher, por ser preta.

Acreditei sempre que existe liberdade e acreditei sempre que crescia num país laico, o que para mim é muito importante - pois sou ateísta desde os 13 anos.

De maneira que me têm surpreendido e preocupado medidas que o governo tem tomado em relação à religião católica, o que me parece sempre uma dupla traição: traição à laicidade do estado e traição às outras confissões religiosas existentes no país.

terça-feira, 12 de março de 2019

Oh, Prince!

Tenho um CD dos best hits da Sinead O'Connor no carro. Gosto. 

Ela não conseguiu alcançar o Don't Cry For Me Argentina como a Madonna mas  continua a encantar-me a canção Nothing Compares 2 u, que uma vez tive o atrevimento de cantar num karaoke em Faro, para descobrir que para além de não conhecer toda a letra, fico nervosa e devo ter soado como uma pato. 

Adiante. 

Tive agora a curiosidade de vir ouvir como a cantou o seu autor, o Prince. 

Sabem o quê? O Prince, para mim, ainda canta pior a canção do que eu! 
Não entendo mais nada! 

domingo, 13 de janeiro de 2019

Declaração política

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Lembram-se das situações em que um indivíduo é eleito ou apontado para alguma posição de destaque, político, profissional, militar ou de outra natureza glamourosa e de repente aparece à superfície, por motivos nem sempre expontâneos, uma afirmação/posicionamento desse mesmo indivíduo, ou da pessoa que esse indivíduo teria sido no passado, que vem manchar a sua imagem e comprometer a sua ascensão à tal posição? O exemplo mais recente que me ocorre será o do Kevin Hart, que depois de convidado a apresentar a próxima edição dos Óscars, viu ressurgirem comentários homofóbicos que ele fez há uns 10 ou 20 anos, o que o levou a desistir - mas sei, de fonte segura, que ele ainda está a reconsiderar desistir da desistência. 

Pois é. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Oportunismo

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Vinha ontem da casa de uma amiga, passando pelo Palmarejo quando vi um pequeno cortejo: uma senhora e duas meninas transportando um armário, uma mesa de cabeceira e uma mesinha de canto nas suas cabeças.

O armário era relativamente grande, ainda que feito de contraplacado e não de madeira maciça. Entrei pela rua do Suave atrás delas e perguntei à senhora se iam longe. Ofereci-me para as levar, dado que tenho uma carro de caixa aberta. (O famoso Portentoso, que esteve de baixa durante quase três meses).

Eu estava relativamente satisfeita com a minha generosidade espontânea quando a senhora me diz se não a posso ajudar. E eu pergunto "Com o quê?". Ela diz-me "Tenho um filho de dois anos que não fala." E eu pergunto-me "Será que ela pensa que sou médica? É verdade que não estou com um ar muito medicinal, de calções de desporto e um top despretensioso, mas talvez ela..."

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Suidide Squad

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Há muito que não tinha visto um filme tão mau e tão disparatado como Suicide Squad, que por ter um trailer tão bonito e com uma música fantástica, me pôs na ponta da cadeira durante mais de um ano, à espreita da sua estreia.
 
Eu e o Will Smith vamos ter que ter uma conversinha... a não ser que ele queira dividir o cachet comigo, e mesmo assim, puxo-lhe pelas orelhas enquanto arrumo os dólares todos nos bolsos, no cinto, no sutien, dentro do sapato e nas tranças do meu mui longo cabelo.  

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Tarrafal - assim não!

O Tarrafal continua a ser, na minha opinião, o melhor destino de fim-de-semana da ilha de Santiago. O conjunto das praias, da paisagem e nas ruas em geral é extremamente agradável e uma pessoa sente-se muito à vontade para passear de calções e chinelas, sentindo-se verdadeiramente de férias.
 
 
Escapa-me completamente a necessidade que um grupo de pessoas terá sentido de estragar esse ambiente não com uma, mas duas festas, bombando até às 5 e tal da manhã, impedindo alguns milhares de pessoas de dormir para poderem gozar as praias, os restaurantes e a diversão familiar no dia seguinte.
 
 
Eu fiquei na Baía Verde - nota positiva para o ambiente e negativa para a simpatia da rececionista - e a festa da Unitel estava do lado de fora da minha janela, que somente por acaso, não tem vidraças.
Senti que em vez de me darem opção, estavam a forçar-me a optar pelo divertimento noturno, coisa que eu poderia ter feito ficando na Praia.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Cabo Verde em 2030




Por alturas da organização do II Fórum da Transformação (maio de 2014) pediram-me que escrevesse a minha visão do que será o país em 2030. E escrevi isto:




2030 é celebrado por todos em Cabo Verde, até nas ilhas onde não havia muita tradição de apitos e barulho à meia-noite. Pudera! O país vira tanto desenvolvimento nas últimas décadas que parecia maior, como se as suas ilhas tivessem crescido.


Mas em tamanho, estava tudo igual. Até havia menos cidades e municípios, à medida que o crescimento levara à fusão de algumas cidades e algumas câmaras tinham conseguido chegar a acordo a fundirem-se, ganhando, desse modo, maior força e economia de escala. Fora o que acontecera em Santiago e no Fogo. O Governo tornara-se mais enxuto e dispersara-se pelas ilhas. Que se visse o efeito que a instalação de dois ministérios tinha tido na ilha da Brava! O Parlamento tinha também ficado mais leve e os deputados eram bem pagos mas tinham imensas exigências sobre eles.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Brio. Brio Profissional.


Ultimamente, recebi dois trabalhos que me arrepiaram os pelos das ventas: Um ficheiro com informações à atenção superior, enviado por um técnico superior. Tratava-se de uma tabela com dados. Veio sem nome (diz apenas “Cópia de Livro”), sem título, sem data, sem apresentação, com erros de português, com uma péssima formatação. Onde é que nos passaria pela cabeça entregar um documento assim? 


Num outro dia, enviam um relatório de um evento. Este tem título e data. Não tem é conteúdo. As frases não têm verbos. Não se encontra, nesse relatório de 4 páginas, uma única informação que se pretendia ao se pedir a tarefa. E não foi por falta de explicação. É certo que outra pessoa vai ter que investir ainda mais tempo a fazer o trabalho que já tinha sido encarregue a outra técnica.

Num outro dia ainda, uma técnica recusou uma tarefa por estar “cansada” e não se coibiu de escrever isso mesmo num correio eletrónico: Não posso fazer tal coisa porque estou cansada. E depois, recusou mais tarefas porque não está disposta a “tapar buracos”. Ou aceita fazer alguma coisa e meia hora antes diz que afinal, “não vai dar”. Claro que alguém teve que ir tapar os tais buracos, ou quem é que ficava mal era a instituição. (Leia-se-se, o empregador: Aquele que nos paga os salários.) 

Vejam, há imensa coisa que se pode dizer mas que nunca devemos escrever. Um correio eletrónico pode ser reenviado, partilhado, guardado. Essa coisa de enviar piadinhas, filminhos, flirts, no e-mail do trabalho... Não se faz. Nunca, ok? Vá lá, se o nunca for muito forte, apaga depois, e pede ao destinatário que faça a mesma coisa. 

É preciso estarmos conscientes do que andamos a fazer no nosso local de trabalho. Algumas das coisas mais básicas, aprendemo-las na escola: começar as frases com letras maiúsculas. Vocês dirão que estou a exagerar. Quem me dera. Também aprendemos a assinar as nossas comunicações. O Outlook dá um jeito: sugere correções aos nossos textos. Porquê recusar essa ajuda e enviar textos cheios de erros de português? 


Cada comunicação que enviámos, cada carta, cada documento que vai com o nosso nome é um sinal. Um sinal de que estamos atentos, que revimos o nosso trabalho – que é, por sua vez, um sinal de brio profissional e de respeito pelo destinatário. E não me digam que é por falta de tempo. 

E por falar em falta de tempo: o Facebook é uma ferramenta de trabalho, sim. Permite-nos obter informações em segundos. Mas deixar a página do Face aberta quando vamos à tua sala, para descobrirmos que em vez de estares a trabalhar, estar a curtir as fotos do baptizado da Maria Alice... Ê pá!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Do baú dos escritos

Nós e o trabalho

Feitas as contas, passamos várias horas por dia a preparar-nos para o trabalho, a tentar lá chegar, e a fazer pausas, horas essas nas quais não produzimos e pelas quais também não somos pagos.

Agora que é possível fazer uma série de trabalhos em casa, as entidades empregadoras estão ainda amarradas ao medo de nos deixarmos amolecer no nosso sofá e preferem-nos pasmando frente ao computador, no escritório, que trabalhando uma hora e meia e fazendo uma pausa para fazer a cama, mais uma hora e meia e fazendo uma pausa para pôr a roupa na máquina. 

E nós, de olhos em bico no nosso salário no fim do mês, lá aceitamos tudo caladinhos. Quem dá um berro é logo visto como um louco, que não se preocupa se vai ter tutu no fim do mês para pagar a renda. Ou será que só eu penso assim e o resto da malta está muito feliz com semanas, meses, anos, décadas a ter que estar no local de trabalho 8 horas por dia?



13 de Julho de 2007

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Exportações domésticas



Leio no A Semana que os agricultores de Santo Antão já exportam para o Sal e Boa Vista e vem-me um sorriso de satisfação ao rosto.


A minha visão do turismo em Cabo Verde tem sempre sido a de que não há problema em haver concentração em 2 ou 3 ilhas, desde que as outras também beneficiem, enviando para lá os seus produtos, sejam agrícolas, sejam outros.


O que não impede que haja turismo em muito menor escala nessas outras ilhas. A concentração é mais viável, pois as infra-estruturas turísticas não têm que ser multiplicadas e rentabilizam-se as existentes. Basta pensar nos aeroportos internacionais que, se dependesse da vontade de alguns autarcas, nasceriam feitos cogumelos em cada cutelo do país.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Mentalidades



Apesar de ter passado a  minha adolescência a polir calçada porque o meu único trabalho era estudar, hoje valorizo muito mais os que estudam e trabalham. Tenho encontrado várias moças a estudar o liceu ou a universidade, e que pagam as suas despesas trabalhando como mulher a dias.
Eu própria cheguei a contratar uma jovem que estava no segundo ano de Relações Internacionais e dava conta de duas casas. Não durou, porque não dava grande conta dos horários e do arroz, mas isso não vem à questão: temos que deixar de ter vergonha de trabalhar e ter sim, orgulho em ganhar uns valentes trocos com o nosso tempo.  Porque é disso que se trata: eu não quero gastar o meu tempo a limpar a casa, então pago a alguém que quer ou pode, fazer exactamente isso. Porque eu também ia limpar a vossa casa, pelo preço certo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Hominis Bloguis

Como sabem, a minha irmã Nádia é uma leitora assídua do Soncent e costuma reclamar quando passo algum tempo sem postar. Ora, ontem voltou a criticar-me, espicaçada pelo recente post acerca dos blogues serem ou não raça em extinção (descobriu-se, de forma relativamente pouco convincente, que não são).

Para me justificar da falta de assiduidade, enumerei razões bastante plausíveis, uma sendo que, em Soncent, já postei algumas das jóias da minha coroa em termos da literatura que sou capaz de produzir; as melhores fotos que alguma vez passaram pela minha máquina; etc, etc, jóias essas que passaram de fininho, sem um único comentário que dissesse: “Ciente”.

Ora, no Facebook, se experimentarmos escrever apenas uma palavra, tipo, “Merda”, imediatamente aparecem 25 pessoas a fazer “Like” e 5 a comentar “Fixe”, “Incrível”, “É muito bem pensado”, “Está bem dito”, “És uma excelente escritora”, etc, etc. Não admira então que uma pessoa perca o fôlego de vez em quando... apenas para o ganhar outra vez, que Soncent está de pedra e cal!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Manga - toneladas delas


Diz-se que há um excesso de mangas no país, que elas caem pelas ribanceiras, estradas e balaios e ninguém se dá ao trabalho sequer de as apanhar e que de trinta paus, passaram para dez escudos.

Disseram que se previa oitenta mil pessoas durante o Festival da Baía das Gatas. Não aconteceu de surpresa, não senhor. Toda a gente sabia.

Fui e não vi, em barraca nenhuma, a oferta de sumo de manga, gelado de manga, fresquinha de manga, manga em pedaços, mangas inteiras, mangas desidratadas, compotas de manga, sandes de compota de manga, tratamentos de beleza à base de manga, creme hidratante, de duche e de sovaco com aroma a manga. Não vi. Devo ter andado distraída.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Militância para mudar o mundo - ainda que em ínfima escala

"Fazemos o que fazemos não porque sejam grandiosas iniciativas mas porque necessitamos mudar as coisas e melhorar o mundo. Fazemos o que fazemos porque, como diz o poema, nós queremos ser donos do nosso destino e capitães da nossa alma colectiva." Mia Couto

Foi nesse espírito que ontem me recusei a deixar o meu Bilhete de Identidade numa certa instituição onde fui ter uma reunião. Porque o meu BI é PESSOAL e INTRANSMISSÍVEL, porque não vejo nenhuma razão razoável para deixar na posse de terceiros, que não conheço de lado nenhum, um documento MEU, com os meus dados.

A prática de se reter o BI tem seguidores em várias instituições públicas e privadas. Tornou-se comum, banal. Mas quais são as suas fundamentações?

Garantir que a pessoa sai pela mesma porta que entrou?

Garantir que ela sai, de facto?

Garantir que ela não sai carregando um computador, um agrafador e uma resma de papel de impressora?

É com a rentenção do BI que se impedem estes potenciais delitos? Não basta recolher o nome e assinatura num livro? Fazer com a pessoa seja acompanhada da sua entrada à sua saída por uma pessoa responsável?

E se, durante o tempo em que ela está lá dentro, falsificam-lhe o bilhete, tal como vinha acontecendo em Portugal, ao ponto de haver uma lei, nesse mesmo país, a proibir a retenção do Bilhete de Identidade por parte de terceiros?

Estou aberta a argumentos contra. Mas até lá, meus senhores, façam o favor de não me pedir o documento mais pessoal que eu tenho.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Equador



Psit! Estou a ler Equador outra vez. Parece melhor que das duas outras. Será que há livros que vão melhorando com o tempo, enquanto descansam no escuro das prateleiras? As letras vão trocando de lugar, reagrupando-se, interagindo, afinando os seus sons, tornando-se numa melodia superior à imaginada pelo autor?

Ou serei eu, que ando a ler demasiados livros em inglês e por isso, esquecendo o encanto que tem a língua portuguesa?

Ou é o Miguel Sousa Tavares, tal como o Garcia Marques, a escrever por camadas, na primeira leitura fica-nos a história, na segunda, o sentimento, na terceira, a beleza da literatura? E quando mais lemos, mais apreciamos o género até que começamos a clamar, em uníssono, Nóbel, Nóbel, Nóbel!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Perguntas cor-de-rosa

Estamos preparados para assumir o nosso Produto? Estamos preparados, Cabo-verdianos, para sustentarmos pequenas indústrias que tenham a coragem de surgir em Cabo Verde e ajudar-nos a combater a crise que se avizinha?

Estamos preparados para assumir a Strela como a nosso cerveja e negar as outras que nos gastam divisas, que nos enchem o país de milhares de garrafas de vidro que depois não se aproveita para nada? E a água de todos os dias, lembramo-nos de a beber nacional?

Estamos preparados para pedir um chá de mato e umas pedras de gelo, fazermos o nosso próprio Ice Tea e negarmos o consumo de latas de chá cheias de açúcar, químicos e que, mais uma vez, gastam divisas e fazem lixo?

Já deixámos de comprar detergentes importados porque os de cá dão resultados similares?

Pensamos em recorrer a confecções nacionais para nos fazer a roupa em vez de comprarmos a que vem de fora?

Porque é que ainda compramos goiabada importada, rum, queijo, atum e outros peixes enlatados, conservas de carne, frango, etc., importados, se temos estes produtos cá e podemos fomentar uma produção mais sustentável, de maior qualidade? Temperos? Enfeites? Prendas de casamento, prendas de aneiversário?

Para quando um compromisso firme, enquanto consumidores, para sustentarmos a produção nacional, seja artesanal, seja industrial, criando emprego, investindo na economia real?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Futilidade nata ou cultivada

Um texto tem a sua respiração. Começa-se com uma inspiração profunda a escreve-se enquanto durar o fôlego. Por isso não gosto de mexer em textos que escrevo, porque sinto que lhes altero a respiração, o ritmo. Ora, o que se passa com este foi que o escrevi em meio a outras quantas coisas... a lógica ficou tossida, os assuntos, engasgados. Temas, cuspidos. Perdigotos. Faltou-me o ar algures... Leia quem quiser, por sua conta e risco... Santim!

Passei por Soncent no fim-de-semana e passei parte desse tempo com duas amigas minhas. Estrangeiras. Mas pagam impostos em Cabo Verde, donde, podem opinar o que quiserem. E opinam, com mais ou menos inflexão, que as crioulas em geral tendem para o fútil e não se pode manter uma boa conversa com elas. Vim em defesa do meu sangue: comment, mais moi, aussi, je suis... e por outro lado, nós falamos das mesmas coisas que as crioulas... homens, unhas, preços de legumes... ao que elas me disseram, que sim, de facto, mas com outra profundidade...

Fui sempre um bicho do mato em termos sociais, cá em Cabo Verde. Dou-me melhor com homens. Tive poucas amigas (mas boas!) Reconheço um pouco de verdade nessa afirmação, embora a generalize, em parte, para os homens também... e a faça descer com mais força sobre estudantes e juventude em geral.

Filhos de gente que lutou pela independência, crescemos num país pobre mas em paz, em que com pequena dificuldade íamos conseguindo algum conforto, e no meio tempo nos divertíamos em convívios, passeios, festas de terraço. Brandos costumes. Pouca leitura. Pouco estudo. Onde, a profundidade?

Quem é que nos ensina a questionar, a criticar pública e fundamentadamente? Ou é uma capacidade nata?
Não tenho respostas prontas, tenho teorias, convidava a um debate mas... e se há interesse? Onde as mulheres deste país a fazerem ouvir a sua voz? É por causa dos filhos? Da educação, talvez? Falta espaço? Ou ânimo? Não é importante? Terá a ver com sermos educadas para sorrir e servir?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Filmes na madrugada

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Tenho visto uns quantos filmes por estes dias, alguns com muitas violência e pouco moral, o que se classifica, se não me engano, de violência gratuita, não por não pagar nada, mas por ser desnecessária, donde não se deve concluir que tudo o que é de graça não é necessário.

Adiante. Suporto bem um filme que conte uma história mirabolante desde que com uma explicação razoável e algum conteúdo. Assim, gostei de Avatar mas não de O Senhor dos Anéis. Aprecio o Xmen, mas não deixo de manter que não há hipótese alguma de as quatro garras do Wolverine caberem no seu antebraço. Vi estes dias Marthirs e não percebi para que carga de água o filme mostra tanta violência para terminar assim - sem respostas. Mesma coisa para The experiment: quem pagou tanto dinheiro só para filmar o comportamento dos humanos enquanto enclausurados e os seus jogos de poder?

Para adormecer, quis ver um bocadinho só de Precious mas acabei por o ver todo e de uma outra forma, é também um filme muito violento, e passando por Frozen e The American, quero agora só ver comédias como Os Normais e romance docinho como Valentine's Day, com a Julia Roberts, coitadinha, a mostrar que os anos também passam por ela. Pipocas doces, por favor.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Soncent - a ilha adormecida?




Aos dez dias de Janeiro, já não se ouvem tantos "Boas Entradas" mas ainda há sorrisos mais rasgados do que se veriam em Março, por exemplo.

Estive uns dias em Soncent, que estava muito, muito bonita, com encostas esverdeadas pelas chuvas do ano passado; muito animada, com centenas de gente bonita em férias; com relativo pouco movimento, ou isso sou eu com olhos da Praia. Mas não devo ser só eu, porque ouvi muita gente comentar que a ilha está parada. Pois. Mas como é que se explica esta pequena situação, que testumunhei?

Dia 30 de Dezembro, "Voo", um bar a que fiz já referência neste blog. Estavam umas trinta pessoas dentro do pub, mais uma centena lá fora. Isso, num estabelecimento que deve ter uns 30 metros quadrados. Eu estive aí das dez e tal às duas e tal, o que faz umas 4 horas. Bebi, em todo esse tempo... uma água frize.

Porquê? Porque ninguém veio ter comigo para perguntar o que é que eu queria beber. Porque o gerente do bar não teve a visão de contratar pessoal extra para os dias de festa, ou de os pôr a circular entre as pessoas sentadas lá fora. O cliente tinha que vir acotovelar-se ao balcão, insistir muito, para dar duzentos paus ao barman. Como é que se explica esta falta de proactividade num povo que foi pobre toda a vida?

Porque é que Soncent se deixa afundar, não aproveitando melhor as suas capacidades, os seus N eventos anuais em que sabe que será invadida por visitantes e imigrantes sedentos de diversão e com dinheiro para gastar?

Ele é a passagem de ano, o Carnaval,  o Março mês do Teatro, as festas juninas, o Mindelact. Ele é os navios cruzeiros. Ele é algumas conferências internacionais. Ele é os turistas de passagem para Santo Antão, os ocupantes dos yates na marina. Muitos deste eventos têm data marcada para acontecer. Como se explica então que vamos aos locais mais na moda e não há cuscus, não há brinhola, sem sumo de calabaceira, nem cerveja fesca, nem sorriso?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

MSN aberto ao Gilson

Ó Gilson, a tua carta está tão esquisita, tão esquisita, que eu estou a apostar que não a escreveste sozinho. Pois quem não se lembra dos teus famosos comentários, cá no blog, a mandar vir sobre os cabo-verdianos, a dizer que nos odeias a todos, para de repente nos vires chamar de compatriotas e camaradas?