Soncent

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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Passeio em Manhattan



Encantam-me sobretudo as pessoas e alguns edifícios e, surpresa, os pedaços de poemas que reconheço no que poderia ser uma selva de cimento e betume apenas.


Adoro esta cidade. Tenho passado apenas horas cá, esta noite é a primeira em que me permitem dormir e do meu quarto de hotel não ouço nem sirenes nem buzinas nem cheirei qualquer fumo nas ruas movimentadas.


Andei dez minutos ao lado de uma beldade de calções curtos, cabelo comprido e os sapatos da sola vermelha. Senti-me um bidão ao lado dela. Senti-me deselegante nas minhas calças formais, no meu sapato raso sem piada, no meu cabelo sem vaidade e com a única gentileza de um batom que nem me favorece.


Imaginei que se morasse cá, vestir-me-ia com mais graça, seria mais magra, teria um corte de cabelo moderno e uma cor provocante, tipo, em dois tons de vermelho; andaria a bambolear-me ligeiramente pelas ruas; seria rapidamente descoberta por um agente, que me proporia qualquer coisa.

Teatro? Porque não Hollywood? Oferece-me um trabalho num bar da Moda? Porque não a sua gerência? Pede-me em namoro? Porque não um safari urbano de trinta meses, um mergulho nas culturas aqui vividas?

 
 

Cheia de vi

 



Escrevia isto a 25 de setembro, lá nas Nações Unidas em Nova Iorque:


"Hoje já vi o Papa Francisco, o Bill Gates e o Daniel Craig. Vou confessar a minha enorme futilidade - foi o Craig que me tirou do sério, me arrancou uma gargalhada histérica.


O Papa Francisco fez uma intervenção bonita e pertinente, em espanhol; lembrei-me muito do Papa João Paulo II que nos honrou com a sua visita numa altura em que eu era muito mais impressionável. Os anos trouxeram-me cinismo e ceticismo, o que é uma pena.



O Bill Gates estava ali sentado... Não me falou nem lhe falei. É claro que ele ficaria sem assunto se fosse ter com ele e me apresentasse. Detesto pessoas sem assunto! Hehehehehe


Podem ver que hoje estou assim, muito cheia de mim; e de si; e de vi!"

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Maio incompleto

 
Geralmente os meus posts sobre viagens começam com "Fui ao Fogo" ou "Fui à China", fato consumado, agora vamos descrever, contar, e geralmente, também dizia um monte de coisas boas, isto era tão bonito e aquilo, tão interessante.

Então, o que foi que mudou?

Primeiro, de costume, vou de avião. Um meio de transporte decente, que não cheira a nada, que embora suba nas alturas, não balança, às vezes treme mas não faz ondas. Por oposição, um barco é um barco e a palavra já diz tudo: tresanda a gasóleo queimado, as cadeiras são de plástico, o chão brilha de gordura, a carga está à vista, e faz por nos tirar da nossa zona de conforto, nomeadamente, fazendo por nos tirar coisas do estômago.  Enfim, um barco. Vejam a forma como temos que abrir a boca para o pronunciar. Só isso é prenuncio de coisa má.

E foi de barco que arribei à ilha do Maio, numa sexta feira pouco depois do pôr do sol, vendo o cais ficar mais próximo e pensando que alguma forma haveria de desembarcar se toda a gente, toda a vida, tinha lá desembarcado. 

Ah, pois: esperam que uma onda aproxime o barco, agarram-te debaixo dos braços com um saco e atiram-te para os braços do outro tipo que nos espera em terra firme. E pronto. Não foi desta que caímos entre o barco e o cais e fomos feitos puré. 


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Da mesa redonda e outras redundâncias

Fui convidada para participar numa mesa redonda de escritores cabo-verdianos durante o Congresso Internacional da Associação de Lusitanistas, que decorreu em São Vicente, na semana passada (dia 22). Eu apareci lá de manhã, convocada de emergência quase, para vermos como seria a disposição de mesas e cadeiras. Estava a sair de uma sessão de fisioterapia pois faz hoje dois meses exatos, fui levantar uma bola de basket com os pés, feita jogadora de futebol e parti o meu pé esquerdo. 

(Ah, o pequeno ser humano e as suas pequenas descobertas acerca da vida. Não é enternecedor? Olha como ela descobriu a falta que faz um pé! E como ela começou um post para falar de uma mesa redonda de escritores e praticamente sem querer, já se prepara para contar tudo - T-U-D-O - sobre esse pezinho partido, quebrado, que ficou caído, debangado da perna e que tanto doeu mas que principalmente, tanto a prendeu em casa. Mas ela resiste! O ser humano é capaz de enormes resistências!)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Sleepbox


Por alguma razão, gosto de espaços pequenos quando bem pensados, do género dos apartamentos de 40m2 que a Ikea apresenta nas suas lojas.

 Gosto daquelas soluções inteligentes de se aproveitar todos os espaços, gosto da ideia de eficiência numa casa. Gosto, enfim, do conceito de minimalismo aplicado a espaços. 


Talvez por tudo isso, simpatizei desde o início com as Sleepboxs. São caixas de madeira de uns poucos metros quadrados equipados com camas, que podem ser instaladas em aeroportos, hospitais, estações de comboios, centros de conferência e todos os outros sítios onde haja conveniência de se encontrar um sítio acessível, confortável e limpo para umas horas de descanso, de trabalho, de privacidade

Não faço ideia de quanto custam por hora, apenas imagino que seja uma pequena porção do que custa pernoitar num hotel. Passei por elas num aeroporto europeu, Schiphol talvez, fiquei assim encantada a olhar como quem vê um palácio pela primeira vez. (só que no sentido inverso do tamanho, de uma forma transcendente, de uma insustentável grandeza do ser que se reencontra na pequenez dos espaços, dos objectos, certamente explicável, de alguma forma, com quanto tempo de peito eu tive quando bebé)

Imagino-me a entrar numa caixa dessas, com o seu cheirinho quente a madeira à mistura com bons detergentes, passar a mão pela suavidade dos lençóis, depois abrir o meu carry-on, tirar um necessáire, descalçar-me, pôr o despertador para daí a três horas, cobrir-me e dormir, sonhando com as pessoas que passam lá fora, cada uma com um destino, com os pés doridos e as suas preocupações enquanto eu, pequenina, dentro da caixa, feito um bichinho na sua toca, um bebé na sua alcova, quente, protegido, seguro das luzes frias do aeroporto, dos assentos duros, das lojas que querem todo o nosso dinheiro a troco de uma alegria demasiado breve. 

Pena a almofada ser demasiado grossa!

(Fotos do site, http://sleepbox.co.uk/)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

China I

 
Fui à China. O Império do Meio recebeu-nos com honras, quente, eficiente. Pequim pareceu-me bastante ocidental. Uma cidade europeia, com carros conhecidos, arquitectura familiar, estradas com imensas faixas, e sim, uns quantos chineses. As mulheres, de calções curtos, vestidos esvoaçantes, pernas bem torneadas, com os eternos cabelos sedosos a cair costas abaixo.


Momento alto: andar nas cadeiras para dois, puxadas por bicicletas. O Kaunda e eu, a gritar, a pensar que iamos ser abalroados pelas outras bicicletas de condutores taciturnos, a tirar fotos tremidas, a sentir que por cinco minutos, estávamos a fazer turismo na China. A novidade foi que as tais bicicletas têm motores, donde, os condutores taciturnos não dão uma única pedalada. A poluição vê-se, mas não se cheira. Vê-se no sentido em que não se vê nada a mais de duzentos metros. Está tudo envolto numa névoa cinzento clara, húmida, não desagradável de todo.



Shenzen já é outra coisa. A vegetação chamou-me mais a atenção. À beira das estradas, nos prédios, por todo o lado, o verde grita, parece que avança na nossa direcção. É um verde viçoso, ardente, vivo, vivo, vivo, vivo, vivo! Shenzen passou de três mil almas para doze milhões em cerca de trinta anos. Aposta na indústria, nas tecnologias de informação, nas energias renováveis. Tem montanhas cortadas por túneis, tem um dos maiores portos de contentores do mundo, a arquitectura é criativa, inovadora. Uma pessoa pensa: Eu podia viver cá. E a duas horas de distância, estão Macau e Hong Kong.



Macau... Que doce de ilha, de cidade, de ruas estreitas à portuguesa, de construções que desafiam as leis da física, de hotéis e casinos e pontes e luxo! Visitámos um hotel que, dentro, tem uma Veneza de faz-de-conta, com as fachadas a dar para um rio de águas cristalinas, pejadas de moedas que, segundo o director, ainda são uma interessante fonte de receitas. Recebe milhares de pessoas por dia. O mais interessante será o tecto - é pintado como se fosse um céu, iluminado como se fossem 5h35 da tarde, um azulzinho convidativo que nos embala nas nossas compras, que nos faz querer passear nas gôndolas ouvindo um gondoleiro cantar qualquer coisa - que não chegamos a ouvir. Nem fizemos compras, nem jogamos no casino, nem nada – mas isso já é outro assunto.


 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Abuja

 
Fui a Abuja. Penso que fui a Abuja. Não pisei calçadas ou betumes, mas respirei um ar seco e cheiroso, cheiro a coisas desconhecidas, que não pude ver. Vi colinas engraçadas, maciços rochosos arredondados na ponta, nascidos do plano de árvores.

Vi cidade, vi subúrbios pobres, e a cada janela, imaginava a vida dentro, desejava passar aí um fim-de-semana, adivinhava as pessoas que lá moravam e o seu dia-a-dia.

Vi, sobretudo, homens armados de espingardas. Na estrada, a cada cinquenta metros. É uma sensação estranha, essa, de estarmos no meio a tanta gente armada. Lá a minha imaginação disparava, começava a imaginar-me a ter que mergulhar no fundo do carro para fugir a balas perdidas, a tentar alcançar o aeroporto sem saber em quem confiar, a tentar embarcar sem ter comigo o passaporte. Atenção aos filmes Rambo em crianças muito pequenas!

Mas a situação mais picante que vivi em Abuja foi frente a uma sopa que me ia matando com o seu teor de pimenta, o condimento preferido por aquelas bandas. Pepper soup, pepper chicken, pepper tutti! E eu que não cresci na Guiné...

Fui a Abuja.

Temos lá uma florescente comunidade cabo-verdiana, que nas palavras do juíz Benfeito Mosso, vem duplicando a cada ano: de uma pessoa, passaram para duas, e de duas, para quatro e agora... um total de seis cabo-verdianos a morar na cidade! Dizem que vivem bem, que se sentem seguros e aos fins-de-semana, vão tomar banhos de piscina ao Hotel Hilton. Eu acreditei. E fui também tomar um banho de piscina.

E mais não vi, que não saí do hotel, a não ser para o aeroporto, em cujo percurso vi os tais militares armados e entretive os tais pensamentos sobre balas, mergulhos, escapes, para enfrentar apenas uma busca às minhas coisas e a mim, sem que no entanto me mandassem descalçar ou passar por um detector de metais, donde, não me terem descoberto a lâmina muito bem afiada disfarçada na sola. Com ela, ameacei a assistente de bordo e consegui que me revelasse o segredo do seu penteado impecável.

Atenção aos livros de agentes secretos a adolescentes muito novas.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Mais uma pérola - Fogo

 
Vir ao Fogo deu-me uma nova visão sobre as nossas ilhas. Tenho agora ainda mais vontade de ir conhecer o Maio e a Brava: são pérolas para se coleccionar, temos que as visitar todas, catar cada traço diferente e único, pescar aquela escama mais luzidia aqui do que acolá. Aqui, do Fogo, levo São Filipe. Que jóia de cidade bonita, antiga, que começa a encantar-nos desde a sua calçada, passando, claro, pelos sobrados tão maravilhosamente velhos, tão encantadoramente actuais, restaurados, elegantes, históricos. O seu ambiente de roboliço durante as festas, o seu calor, as suas sempre presentes subidas (e descidas). E o seu museu municipal!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Porto das Galinhas

Estou em Porto das Galinhas, no estado de Pernambuco, num sítio com mais coqueiros do que pessoas por metros quadrados. A praia já foi considerada 9 vezes a mais bonita do Brasil - na maré baixa, tem corais cujos buracos formam piscinas naturais. É bonita. Não é mais bonita do que Santa Maria ou a Praia de Chaves.


O que mais me encanta é a paisagem tão verde, os coqueiros. O calor faz-se sentir a sério; o sol nasce à cinco da manhã e doze horas depois já está breu. Às oito da manhã, está a pique. Deixo aqui a sugestão às autoridades pernambucanas: avancem duas horas.


A simpatia de toda a gente é contagiante. Falo com pronúncia daqui e dizem-me que falo sem pronúcia (lusitana). Uma volta de buggie pelas 4 praias custa 120 reais mas tudo é negociável. Os buggies são carrinhos descapotáveis com motor da "baratinha" de onde apetece gritar de sabura da sensação do vento quente na cara.


Aqui, a torta é famosa mas ganha outro nome: bolo de rolo.
Vale à pena visitar... mas sei lá, deu-me saudades do Sal.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Diário de viagem Berlim - Miami, via Paris










Mudando de latitudes, descalço-me em aeroportos enquanto me sinto digitalizada, escrutinada. Não tenho cara de bombista mas isso não me salva. Berlim, tempestade de neve, no wonder I got a cold. Ria-me como uma criança enquanto os flocos se me pousavam nas pestanas, nos lábios, no lenço, nas luvas de enfeite.

A cidade em si não me disse grande coisa, se calhar fui na estação errada, se calhar apenas não conseguiu vencer o desafio imposto por Barcelona, Lisboa, isso para mencionar só cidades europeias.

É que gosto mais das tropicais: Rio de Janeiro e Mindelo... heheheh


Voei pela primeira vez num boing 714-400 (será isso?) Sei que vim 9 horas no andar de cima, com um ecrã à frente e um casal ao lado com quem não troquei uma palavra.

Foi muito natural: eles não diziam nada e eu também não. Para ir à casa-de-banho, fazia tensões de me levantar e eles davam-me passagem, como se nenhum de nós soubesse francês.


Chego a Miami e ponho-me imediatamente de bom humor - a cidade estava quente e encoiqueirada (palavra fresquíssima que significa cheia de coqueiros).

Conmo estou numa de exibicionista, deixo mais uma foto minha, esta frente à mansão de Gianni Versace, hoje, bar exclusivo-cujos-convidados-têm-que-estar-na-lista-e-quem-não-está-que-estivesse!



Por cá também se fala inglês, não faz tanto calor como prometem, mas é descontraída como nunca tinha sentido numa cidade americana.

Saudaciones!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Robrrrrerdão

Sou da família daquele papagaio que meteram no frio para o calar. Sou parente daquelas gentes de narinas largas, feitas para absorver ar pesado, morno, húmido. Tenho a pele escura que encara o sol de frente, olhos feitos para distinguir miragens nos desertos.


De maneira que andando pelas ruas de Roterdão ou Haia... calava-me. Enrolava um cachecol na cabeça, tentava tapar orelhas, boca, nariz - o ar gelado contraía o que quer que existe lá dentro e o resultado era uma dor aguda e eu a tentar respirar o mínimo possível e depois a ficar cansada.


Os leitores de Soncent que me viram e fotografaram nessa figura saberão o meu e-mail para me enviar as fotos nessa figura...


Quando me apanhava em ambientes aquecidos, montava uma tenda, recebia os incautos e aconselhava-os: Vão-se embora daqui, que este frio não é para gente de bem!


A título de diário de viagem, entrei num intervalo raro numa loja onde se lia Armeni. Não eram Armani's falsos, mas sim roupa de uma estilista da Arménia, vestidos e blusas e saias exclusivas, lindas e originais, propositadamente inacabados, com flores, golas largas, pormenores mimosos... e preços grávidos. Felicitei-a e fugi de mãos vazias.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pau de cabinda, mogno, cunha, casquinha, tudo isso é madeira



Mas a Madeira propriamente dita é outra coisa... Que ilha deliciosamente montanhosa, com ruas que sobem sempre sinuosamente, pontes altíssimas, levadas românticas, vales santantoneses e cosmopolitismo europeu!

Que óptimo sítio para se alugar um AP, passear de VW, ir ao WC...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Santa Maria

Adoro re-surpreender-me com as nossas paisagens.
Ir um sítio que penso estar farta de conhecer e descobrir novas nuances, tal como quando se relê um bom livro e se descobrem sentidos e passagens que ganham outras cores.

Foi assim com Santa Maria, por estes dias. Uma madrugada plácida, semi-deserta, um sol nascendo tímido algures e as águas da praia, mornas, mansas, transparentes até à indiscrição.
Apeteceu-me convidar-vos para um fim-de-semana aí, num voltar às origens do nosso turismo, esse do descanso, do encantamento, dos banhos de mar, passeios de jeep, noites de música.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Há fins-de-semana assim


Éramos um grupo de umas doze pessoas, não sei, não contei. No sábado, metemo-nos no barco rumo a Porto Novo. Com mochilas e sacos, o hiace nos levou até perto de Corda, numa estradinha onde eu nunca tinha andado, até Rabo Curto, mesmo, mesmo por cima da Ribeira da Torre. O silêncio desse lugar! O grupo sentou-se a tomar o pequeno almoço. Amena cavaqueira. Copos futurísticos, que se fecham como ioios e se abrem como ...

Que pitoresco, apareceu um boi. Olha, quer comer também. Xô, xô bicho, do nosso café. Atirem-lhe uma banana. Olha, não a vai comer, quer outra coisa qualquer. Xô, xô boi comilão. Olha, está a olhar directamente para mim com cara de mau. Arrumem lá essas coisa, vamos sair daqui. Olha, ele vem a correr directo para nós. OH diabo, para onde é que corro se à frente está o bicho, e atrás, o precipício? Quem diria que uma caminhada pelas montanhas se tornaria num desporto radical de fugir de um projecto de hamburgers!




Depois de algumas peripécias e de mais perigos, livrámo-nos do bicho sem baixas. Montanha abaixo, que a descer todos os santos ajudam. Ufa, nunca mais acabam as descidas?

5 horas depois, aproximámo-nos da casa onde iríamos passar a noite. Dores? Sim. Incidentes? Sim, virei o pé, mas uma massagem profissional na hora evitou o pior. Foi bom? Excelente. E a paisagem? Ah....



No dia seguinte, o despertador toca às cinco da manhã. Destino? Janela-Porto Novo, 23 km de estrada novinha, alcatroada. Se não fosse pela caminhada de ontem, fazia-se muito bem... Mas hoje, os músculos estão perros, nas descidas, somos alguns que vamos em zigzags, para poupar a barriga da perna, os joelhos.

A sensação? De vitória sobre nós próprios, um convívio bom, um fim-de-semana tão agradável e diferente!

Não é por acaso que há quem diga que o melhor de Soncent é Santo Antão...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Que bom que é voltar...


Voltei!! Acabou-se o frio, o ter que bocejar vezes seguidas debaixo dos cobertores para tentar aquecer o leito e poder dormir. Acabou-se o gritar quando me sentava na sanita, e ver todos os meus poros apertarem-se e os pêlos abespinharem-se quando tirava a roupa. Acabaram-se as viagens de metro e comboio e autocarros e auto-estradas.





Que bom que é ir de férias com muita vontade e voltar com ainda mais vontade!


Redescobri nestes dias que uma crioula concebida na Guiné e nascida no Senegal fica com o sistema de resistência ao frio emperrado... e isso pode estragar umas férias!




Vim hoje trabalhar e já me começaram a abrir a cortina sobre esse tal "A Bolha"... estou de boca aberta e escorre-me baba pelo colarinho da camisa de cambraia inglesa...

domingo, 2 de novembro de 2008

De Lisboa, gelada...


Soncent está a congelar em Lisboa, com saudades da sua terra amada, quentinha e soalheira. Já me arrependi de ter vindo umas quantas vezes, e nem o salão erótico de Lisboa que animou os ânimos, por mais que o brasileiro fosse bonitão. Depois trago as fotos... hihihi
Visitei também o museu Joe Berardo no CCB, e vi uma dessas esculturas que imitam tão bem a realidade e cujo autor não me ocorre agora... depois volto também com fotografias disso, porque Soncent faz-me ter a responsabilidade de ser jornalista...
Com saudades dos meus visitantes todos, aviso que daqui a mais uns dias volto com mais forças... se até lá o frio papão não me tiver comido. Já sinto que entro em falência múltipla: pele seca, mais olheiras ainda, nariz a pelar, preguiça e apetite por doces...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

De Santiago, saudades

Ah... eram as montanhas sorridentes apontando para o céu, era a relvinha incipiente pintando as encostas, foi mar delicioso na Ponta de atum, as ruas de terra batida de Pedra Badejo... O ar fresquinho e limpo do Monte Tchóta, o anel de betuminoso que me lembrou a estrada do Algarve - entre rochas e deserto.

O ambiente cosmo do Kapa, a novidade do Kokpit, com tantas caras conhecidas - e às tantas, com dois energúmenos a agarrarem-me como se eu fosse deles, para me estragarem o feeling e me mandarem para casa. Quase vos vinha contar de uma cena de pugilismo, porque a minha vontade foi bater num deles. Adiante.

Foi um engraçado desfile de motoqueiros mirins, ou seja, montados em vespas e não em motas.

Foi uma cachupa guisada com carne de porco, a calda de cana com sumo de limão do Nôs Afrika.


Foi tudo isso e mais alguma coisa... adorei!

Fora os preços altíssimos do Sucupira, onde já se viu??