Soncent

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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Agosto chegando...


E assim, vendo os dias passar enquanto mato umas baratas enormes que patrulham os meus mosaicos, dei de caras com Agosto chegando. Disse-lhe:
- Agosto!! Já aqui? - e ele:
- É verdade, Eileen. Primeiro enviei estudantes em férias para me anunciar, e agora vou fazer aquela chegada triunfal. Trouxe encomendas - abre um saco e deixa-me ver uma série de festas, festivais e eventos desportivos, recreativos e culturais.
- Que maravilha!! O que é isso nesse embrulho?
- Tendas de campismo.
- E aqui?
- Virgindades por perder.
- Unh!
- Olha, isto são directas e banhos matutinos na Laginha.
- E para mim, Agosto, o que trouxeste? - Ele faz uma expressão esquisita e olha para o longe.
- Nem horário único? - pergunto choramingando.
- Mas se trabalhas no privado...
- Nem um super bronze?
- Pois, se és tão pálida...
- Nem muita agitação?
- Estás quase casada...
- Poça, Agosto...
- Sempre há mosquitos. Tens uma ventoinha?
- Não...
- Então as directas são também para ti!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sobre a discriminação

Vou, já pedindo licença ao autor, Manuel Almeida, transcrever um comentário que fez a uma crónica do Miguel Sousa Tavares, que achei muito interessante:

"A acção afirmativa tem sido uma política seguida com êxito nas últimas décadas, quer sob administração republicana quer democrata, nos Estados Unidos com vista a eliminar a discriminação (racial, de género, de sexualidade, outras).

Parte-se do correcto pressuposto que não existem diferenças de mérito assentes na raça, no credo religioso, no género ou nas opções sexuais. Daqui se conclui que se os membros de um dado grupo se encontram sub-representado no poder político, no poder económico, etc. então esse facto deve-se a discriminação e deve ser corrigido por políticas activas (que podem incluir o estabelecimento de quotas). As principais políticas de acção afirmativa centram-se ao nível da educação, do emprego e da representação política.

Os resultados destas políticas nos EUA foram muito positivos. Hoje Obama tem fortes possibilidades de se tornar Presidente. Há poucos décadas os negros nem sequer podiam usar o mesmo autocarro que os brancos. Muitos outros países civilizados tem programas de acção afirmativa para combater a discriminação.

As políticas de acção afirmativa requerem que primeiro se reconheça que existe um problema.

Em Portugal as elites apregoam que não há racismo, mas só há um afro-português no parlamento e nenhum no governo, nem nenhum na administração das empresas portuguesas mais importantes. Os ciganos (uma das minorias etnicas do país) não estão representados em lado nenhum. Em Portugal as elites não reconhecem que exista discriminação de género mas as mulheres estão sistematicamente sub-representadas no poder político e no poder económico ou académico. Em Portugal as elites afirmam que não existe discriminação religiosa mas no parlamento não existem membros de confissões religiosas não cristãs. Em Portugal as elites juram que não existe discriminação pela orientação sexual, mas todos sabem que não é assim.

Não estarei longe de advinhar que nos próximos anos teremos na União Europeia uma maior atenção à discriminação (a França está a ter um despertar violento, o Reino Unido tem já políticas fortes, a Alemanha também , os nórdicos são conhecidos como bons exemplos e a Espanha está a tornar-se um país de referência). Quando as comparações e os rankings forem publicados veremos então estilhaçadas as afirmações das elites sobre a não existência de discriminação no país.

Miguel Sousa Tavares não tem razão nenhuma."

Excursão a São Nicolau

No próximo fim-de-semana realiza-se uma excursão a São Nicolau. Houve uma há quatro anos, que foi um sucesso, segundo vozes que por lá se esganiçaram, entre concertos, comezainas, bebedeiras, viagens de barco e mergulhos.

Alguém quer ir?

TPO

Disse-me o Ten que agora o que está na onda é as pessoas sofrerem de TPO.
Tensão pré Olimpíca. Não é para rir?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O Bispo do Pipo - Extracto de um inédito

Passou de manhã o Bispo das Caldas, também conhecido por Bispo do Pipo, por causa de uma longa história que não interessa contar. Dei-me conta agora de que se não uso tento nas palavras e não as conto, a tinta não dará para contar tudo. E que mal seria, se perto do fim, caro leitor, o deixasse sem mais linhas para ler! Nem imagino bem o horror, bem sei o que custa. De maneira que tentarei poupar no número de palavras, mesmo que tal empobreça o meu Português. O tal Bispo era de linhagem nobre, parente de uns fidalgos de cepa antiga, os Monte da Lua e Afavos. Pertencia-lhes um castelo em ruínas num vale verdejante, de uma tal fertilidade que apodreciam frutos pelas ruas sem que ninguém se interessasse em recolhê-los. Diz-se que havia uma grande maldição assombrando o vale, e de facto acontecia que quem lá fosse não voltava. De alguma morte meio violenta padeceria.

O próprio Bispo do Pipo nunca conheceu o tal vale. A mãe dele, Dona Areteia e Franco, ficou grávida no dia em que completou treze anos. Fora violada por Sorbero Monte da Lua e Afavos, descendente directo do primeiro conde Monte da Lua e Afavos e quarto irmão numa ninhada de jovens robustos e saudáveis que morreriam todos ao completar os vinte anos. Sorbero pensara ter escapado à maldição ao sair do vale com a mãe, depois de completar os quinze anos. Era uma longa jornada com destino ao Porto dos Cavaleiros, na zona leste do país.
Pernoitaram em casa de amigos da família, que nessa noite comemoravam o aniversário de Areteia, primeira filha de um feliz casamento entre uma escandinava de boas famílias, Fungiteia e Mário e Franco, governador da província de Pastos. Areteia completara doze anos e sorria incessantemente, com duas rosas vermelhas na face: bebera um cálice de vinho pela primeira vez e sentia-se deliciosamente embriagada.

Encantou-se com Sorbero, pelos seus olhos pestanudos e porte viril. Fugiram para o jardim, onde entre sussurros, ela confidenciou-lhe, orgulhosa, que se tornara mulher nessa manhã. Ele comentou: “Então se houver sangue, não saberemos do que foi!” Ela não percebeu logo. Mas quando ele a agarrou e a deitou no chão, subindo-lhe até o umbigo o vestido de folhos e revelando as calcinhas alvas, com o grande volume do pano branco dobrado, ela sentiu o medo que gerações de mulheres, desde sempre, têm sentido. De nada lhe valeram os pontapés, as tentativas de manter as pernas fechadas. O rapaz era bem mais forte que ela e tinha experiência nessas andanças de cão com cio.

O casamento fizera-se à pressa e Eritreia acompanhara Sobrero e a mãe na longa jornada. Em vão. Sobrero, com a mania dos cavalos selvagens, dera uma queda fatal. Quando a criança nasceu, foi prometida à Igreja. Eritreia voltou para casa dos pais, com o miúdo. Era, como a mãe, um menino pequeno e magro, pouco dado a traquinices, que passava longas horas perdido nos jardins da casa materna.

Eritreia ficara tão pouco tempo casada e era tão nova que olhava para o filho como mais uma boneca. Apaparicava-o e vestia-o com folhos várias vezes por dia, roupas que ela própria cosia. Com os longos cabelos da criança, fazia elaborados penteados que logo a seguir desfazia para fazer outros. E Rodrigo Mário e Franco Monte da Lua e Afavos foi crescendo, tão amigo dos padres que nunca questionou a sua entrada para o seminário. A não ser da única vez que se apaixonou.

Mas a eleita, uma poetisa astróloga, olhou para as mãos de camponês que ele tinha e fugiu-lhe, alegando que não estavam feitos um para o outro.
(...)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Concurso


A editora Eileen Barbosa Produções, juntamente com o blog Soncent, a livraria Almeida e a distribuidora Leen Bebé têm o prazer de anunciar um concurso neste blog, cujo prémio será dois (2) exemplares do livro de contos Eileenístico, lançado em Agosto de 2007 e com edição quase esgotada, autografados (ou não) pela autora.

Os concorrentes interessados deverão responder acertadamente às questões em que se pede acerto, e de forma compenetrada nas questões de opinião. As respostas deverão ser enviadas para o e-mail: soncent.blogspot@gmail.com.
Este concurso terminará a 13 de Agosto deste ano.


Questões de acerto:
1. Em que data pedi que ninguém me lembrasse?
2. Em que post é que Eileenístico vem à mistura com Germano Almeida, Fátima Bettencourt, Somerset Maugham e outros?
3. Em que poema não faço juras de amor?
4. Que jornal publicou uma noticia sensacionalista sobre Soncent?
5. Qual foi, até agora, o post com mais comentários?

Questões de opinião (pode ou não dizer o porquê da escolha):
6. O melhor post de Ficção
7. O melhor post de Poesia
8. O melhor post de Desabafo
9. A melhor crónica
10. A melhor Foto

Toda a gente é livre de participar não há limite para o número de e-mails.
Será premiada a pessoa que acertar nas primeiras 5 questões e tiver respondido às outras. Em caso de empate, vencerá aquela que, nas respostas de opinião, mostrar maior originalidade.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Ordem para matar

O 007 tem ordem para matar desde sempre. As empregadas lá de casa tinham ordem para bater. A minha mãe dizia-lhes à nossa frente, para que soubéssemos que não lhes podíamos subir ao catchacim: se elas fizeram alguma má-criação, não tenhas medo, passa-lhes o cinto!