Soncent

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quinta-feira, 26 de março de 2009

"Falem mal, mas falem de mim..."

O desafio surgiu-me através do João Branco do Café Margoso. O que se pede são 6 frases sobre o autor do blogue, neste caso, eu. Vamos a ver, com a canseira que tenho...

1. Assobio na rua e não tenho vergonha.
2. Organizo as pessoas na cabeça não pelos seus nomes, mas pelas suas idades.
3. Embora seja desarrumada, sou bem organizada, seja nas gavetas, seja nos documentos.
4. A maior afronta que me podem fazer é falhar nos horários, prometer e não cumprir.
5. Por causa de traumas antigos, tenho muito mais jeito com cachorros do que com bebés.
6. Era melhor aluna a Física que a Português e quis estudar decoração de interiores.

Frases prontas, (bem podiam ser mais, muito se gosta de falar de si), agora tenho que:

(1) publicar o link de quem me desafiou;
(2) publicar as regras;
(3) indicar mais seis vítimas e publicitar os respectivos endereços (parte mais difícil...);
(4) avisá-los do que lhes acaba de suceder (ê pá, hoje é que já não vai ser);
(5) não os apressar a responder.

Cá está: Igualdade na Diferença, Albatrozberdiano, Retalhos, Son di Santiagu, Tempo de Lobos e Os momentos.

JULGAMENTO DA VELHINHA

"Juiz: Qual sua idade?

Velhinha: Tenho 86 anos.

Juiz: A senhora pode nos dizer com suas próprias palavras o
que lhe aconteceu no dia 1º de abril do ano passado?

Velhinha: Claro, doutor. Eu estava sentada no balanço de
minha varanda, num fim-de-tarde suave de verão, quando um
jovem sorrateiramente senta-se ao meu lado.

Juiz: Você o conhecia?

Velhinha: Não, mas ele foi muito amigável...

Juiz: O que aconteceu depois?

Velhinha: Depois de um bate-papo delicioso, ele começou a acariciar
minha coxa.

Juiz: A senhora o deteve?

Velhinha: Não.

Juiz: Por que não?

Velhinha: Foi agradável. Ninguém nunca mais havia feito isto comigo
desde que meu Ariovaldo faleceu, há 30 anos.

Juiz: O que aconteceu depois?

Velhinha: Acredito que pelo fato de não tê-lo detido, ele começou a
acariciar meus seios.

Juiz: A senhora o deteve então?

Velhinha: Mas claro que não, doutor...

Juiz: Por que não?

Velhinha: Porque, Meritíssimo, ele me fez sentir viva e excitada. Não
me sentia assim há anos!

Juiz: O que aconteceu depois?

Velhinha: Ora Sr. Juiz, o que poderia uma mulher de verdade, ardendo em chamas, já de noitinha, diante de um jovem ávido por amor? Estávamos à sós, e abrindo as pernas suavemente, disse-lhe: Me possua, rapaz!

Juiz: E ele a possuiu?

Velhinha: Não. Ele gritou: 1 de abriiiiiiiiiiiiiiiiillllllll! Foi aí
que eu dei um tiro no filho da puta!

Recebi e repasso para que se faça justiça: ELA É INOCENTE!"

Recebido por e-mail

O tal programa...

Estou esbodegada e o mundo ainda não acabou. Ontem entrou-se pela noite dentro a filmar o tal programa de televisão, tudo para no fim eu ter pedido para dar uma vista de olhos à câmara e descobrir uma trintona gorda de cara enorme e voz esquisita com o meu vestido.

Que se queime a película, que o cabo de fibra óptica se quebre outra vez, que isso nunca vá para o ar; ou que a Electra forneça um corte geral e honroso e me salve da justiça pública.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Desaparecida - Extracto de um inédito

Tudo começou com o seu desaparecimento. Quem primeiro se deu conta foi o namorado. Telefonou-lhe ao fim da tarde, sem que ela atendesse. Insistiu à noite, depois de ter voltado do futebol. Continuava a não ter resposta. No dia seguinte, à hora do cafezinho, o telemóvel dela estava desligado.

Não apareceu para almoçar em casa da mãe e não aparecera no trabalho. À noite, a mãe pegara na chave da casa dela e fora ver o que se passava. Não havia nada que indicasse nada. Tudo normal, nada mais desarrumado do que de costume, nem nada mais composto.

A última pessoa a vê-la fora o namorado da mãe, com quem ela se cruzara, à tardinha, vestida desportivamente e com todo o ar de quem ia fazer uma caminhada. Contactada, a amiga com quem costuma andar disse-lhes que durante uns dias, não foram andar juntas, por se encontrar doente. Havia pelo menos três dias que não se viam. No dia seguinte, completamente esgotada, a mãe foi à polícia comunicar o seu desaparecimento. Levou fotos.

O namorado telefonava a quem que se lembrasse, para perguntar por ela. Imprimiu cartazes com uma foto dela e espalhou pela cidade. Um rapaz que trabalhava na segurança de uma fábrica lembrava-se de a ver passar pela estrada do aeroporto, entretida com música do MP3. Trazia calções vermelhos e camisola de manga comprida cinzenta.

O inspector quis saber como é que ela era. Não de aspecto, mas na maneira de ser. Sim, era aventureira. Não, não teria tido medo de se embrenhar por outros caminhos. Era pessoa de rotinas? A mãe disse que sim, o namorado, que não. A mãe teimou que sim. Sentava-se sempre na mesma cadeira, levanta-se à mesma hora, cantava e ouvia as mesmas músicas. O namorado afirmou que variava muito no perfume, nos estilos de roupa, nos caminhos para o trabalho.

A mãe, olhando para ele com cara zangada, disse ao inspector em voz ligeiramente alta, que desde pequena ela dormia sempre do mesmo lado, preferia os mesmos desportos e a mesma comida. O namorado não quis dizer mais nada, por respeito.

O inspector tomava uma ou outra nota. Tinham um cão? Tinham. Ok, podiam levar o cão com eles para aquela zona e ver se o bicho a descobria.

Havia um problema, lembrou-se a mãe. O cão era uma cadela e provavelmente só ficara em casa por estar no cio – Ela no cio fica muito chata! – acrescentara com um meio sorriso.

Carta de apologias

Exmos, Camaradas, Luxuriantes Entidades, Maltas, Amigos, Leitores, Críticos


Nem só de blog vive o blogueiro. Múltiplas solicitações têm acossado esta fiel servidora, transformando-a numa mera postadora intermitente. Nos momentos em que não escreve no blog, entretém-se preparando um programa televisivo com uma causa nobre de mais para ser deixado em segundo plano: a comemoração do dia da mulher cabo-verdiana, este grande pilar da nossa sociedade.


(E nas horas vagas, vai um treininho - corpo são para albergar mente sana)

sexta-feira, 13 de março de 2009

Sede

Eram férias de paródia sem parar, cerveja a rodos e grog para rematar. Num desses dias, andavam há já uma hora sob um sol de frigideira quando Paulo, com a boca seca, e vislumbrando um casinhoto, disse para os outros:
- Gente, estou com tanta sede, que tenho que beber alguma coisa. Nem que seja água!

A espia rasta-fari - extracto de um inédito

Disse-lhe que não o queria a chorar, como se isso só dependesse da vontade dele e não de todo o peso que lhe caíra em cima. Só lhe restava, respondeu-lhe ele, nesses dias de inglória, sentar-se ao pé do músico que compunha canções com um instrumento de cordas muito esquisito e chorar. Só lhe restava chorar e era o que pensava fazer até ao fim dos seus dias. Queria matar-se pela perda de sal.

Ela olhou para ele com semi-tristeza, como se acreditasse nele mas não se importasse mesmo, mesmo. E ele sentiu-se ainda mais acabrunhado, mais vítima do maior desconsolo da vida. E então, ele que já não via bem, que andava com os olhos inchados como duas goiabas amargas, viu ainda menos na névoa que lhe desceu sobre a vista, sobre o corpo, sobre o seu ser.

Estava condenado e nenhum milagre seria de esperar. Não a viu, portanto, abaixar-se para agarrar na adaga que jazia por terra e atravessar com ela o pescoço do músico. Só soube que a música parara de repente, que um ruído surdo precedeu o do instrumento que caía, e deu-se conta, em menos de um instante, que ela era afinal a tal espiã de que tanto ouvira falar.

O seu coração já fraco falhou uma batida e o ar faltou-lhe e o tempo suspenso desfez-se no ar, o próprio ar rarefazendo-se nesse instante, de tal forma que mesmo ela sentiu falta de ar e hesitou, antes de também a ele, passar-lhe adaga ainda molhada de um sangue que não o seu.