Soncent

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terça-feira, 21 de abril de 2009

Sinto

De repente senti-me bem, sem que especial razão houvesse. Como se algo de bom, entrado pelo meu coração tivesse. Profundamente inspirei, apurando-me para um suave som. Deixei-me embalar e senti-me como se de um dom se tratasse. Pois fui-me elevando, ficando leve, me superando, que na brisa voei, embalada, aparada por uma névoa, penumbra, bruma, cinzenta, rosa, branca... Senti-me tão leve como se fôssemos uma, a mesma, igual. De repente, não era eu, senti que algo acontecia, a acalmia chegava, adormecia.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Acordou com a cara da Alanis

Um dia acordou com a cara da Alanis Morissette e soube que o fim estava próximo. Depois experimentou cantar, descobriu que também estava com a voz da cantora e subiu em N palcos. Era um outro tipo de fim, afinal. Depois, a meio de um concerto no Burkina-Faso, viu uma cara familiar algures entre as milhares de caras do público. Interrompeu o espectáculo, desceu do palco, as hordas de gente abrindo caminho, maravilhados. Era a sua cara antiga. Fugindo entre as pessoas, o seu jeito, igual.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Confissão

“Un crê dzeb djgá pra li e djgá pra lá, un ta q raiva de bô misturód que atracção pa bô, às vez un crê pa bô bá e ots, pa bô fcá. Grinhassim un crê bejob, na moment seguint nha vontade ê mordeb.


Tont ta dam pa intchib de carinho como pa runhób. Un tem graça de oiob mas cond bô ta parcê, un ta crê pa bô desaparcê. Se bô ta bai dvera, ta dám raiva. Se bô fcá, ta dam nerve.”


(Junho 2004)



(Quero dizer-te chega aqui e chega para lá, tou com raiva de ti misturada com atracção por ti, às vezes quero que te vás, noutras, que fiques. Agora quero beijar-te, no momento seguinte a minha vontade é de morder-te.


Tanto me dá para te encher de carinho como para te arranhar. Tenho vontade de te ver mas quando apareces, quero que te vás. Se de facto te vais, dá-me raiva. Se ficas, dá-me nervos.)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Há fins-de-semana assim


Éramos um grupo de umas doze pessoas, não sei, não contei. No sábado, metemo-nos no barco rumo a Porto Novo. Com mochilas e sacos, o hiace nos levou até perto de Corda, numa estradinha onde eu nunca tinha andado, até Rabo Curto, mesmo, mesmo por cima da Ribeira da Torre. O silêncio desse lugar! O grupo sentou-se a tomar o pequeno almoço. Amena cavaqueira. Copos futurísticos, que se fecham como ioios e se abrem como ...

Que pitoresco, apareceu um boi. Olha, quer comer também. Xô, xô bicho, do nosso café. Atirem-lhe uma banana. Olha, não a vai comer, quer outra coisa qualquer. Xô, xô boi comilão. Olha, está a olhar directamente para mim com cara de mau. Arrumem lá essas coisa, vamos sair daqui. Olha, ele vem a correr directo para nós. OH diabo, para onde é que corro se à frente está o bicho, e atrás, o precipício? Quem diria que uma caminhada pelas montanhas se tornaria num desporto radical de fugir de um projecto de hamburgers!




Depois de algumas peripécias e de mais perigos, livrámo-nos do bicho sem baixas. Montanha abaixo, que a descer todos os santos ajudam. Ufa, nunca mais acabam as descidas?

5 horas depois, aproximámo-nos da casa onde iríamos passar a noite. Dores? Sim. Incidentes? Sim, virei o pé, mas uma massagem profissional na hora evitou o pior. Foi bom? Excelente. E a paisagem? Ah....



No dia seguinte, o despertador toca às cinco da manhã. Destino? Janela-Porto Novo, 23 km de estrada novinha, alcatroada. Se não fosse pela caminhada de ontem, fazia-se muito bem... Mas hoje, os músculos estão perros, nas descidas, somos alguns que vamos em zigzags, para poupar a barriga da perna, os joelhos.

A sensação? De vitória sobre nós próprios, um convívio bom, um fim-de-semana tão agradável e diferente!

Não é por acaso que há quem diga que o melhor de Soncent é Santo Antão...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pescador...

Sábado, como de costume, levantei-me cedo, coloquei os meus agasalhos, vesti-me silenciosamente, tomei o meu café e até fui dar um passeio com o cão.

Em seguida, fui até à garagem e engatei o barco de pesca no meu 4x4. De repente, começou a chover torrencialmente. Havia até neve misturada com a chuva, ventos a mais de 80 km/h.

Liguei o rádio e ouvi que o tempo seria de frio e chuva durante todo dia. Voltei imediatamente para casa. Silenciosamente tirei a roupa e deslizei rapidamente para debaixo dos cobertores. Afaguei as costas da minha
mulher, suavemente e disse-lhe baixinho: 'O tempo lá fora está terrível'.
Ela, ainda meio adormecida, respondeu:

"Acreditas que o cabrão do meu marido foi pescar com este tempo?"



(Recebida por e-mail)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Alguém perdeu um cordão de ouro?

Ontem a minha cadela estava toda xururuca, cabisbaixa, com cara de sofredora. Como já tinha passado pelo mesmo por ter comido uma fita de algodão enorme, que depois lhe deu um trabalhão para expulsar, fui inspeccionar os seus dejectos.

Depois de chafurdar um bocado na terra do jardim, encontrei qualquer coisa castanha, mas com algum brilho. Deu-me um certo asco, e pedi à empregada da minha mãe que visse o que é que aquilo continha. Ela negou-se.

Não sei o que me deu, porque me enfureci, e gritei com ela. Nada. Depois, ofereci-lhe dinheiro. Pouco no início. Que nem uma comerciante de Dacar, ela foi aumentando a quantia. Parei nos quinhentos paus. Ela meteu os dedos no cócó de cão. Era um cordão de ouro.

Já sem asco nenhum, estendi a mão. Ela recolheu a sua. Que o cordão era dela. Eu, que não. Ela, que, já que fora ela a meter a mão na merda, ao menos merecia o prémio. Eu, que a cadela era minha, que eu lhe pagara para meter a mão, e que, portanto, era a verdadeira dona do cordão. A boa da senhora disse-me então: Guardas os teus quinhentos paus, e eu guardo o cordão!

...

A cadela já se sente melhor.

segunda-feira, 30 de março de 2009

2 cruzeiros na Baía


Há dias acostaram dois navios de cruzeiros no Porto Grande e a cidade encheu-se de excursionistas - não é turista quem não dorme.

É claro que quase toda a gente utilizou uma expressão diferente nas suas cabeças. A cidade estava cheia de brancos.

Já a baía estava assim:
Eu teria estado a tentar vender-lhes o Monte Cara mas cakhou exactamente no dia das filmagens...


Foram duas mil pessoas, se não me engano. Espero que tenham deixado cá uns quantos euros e dólares...


(A foto foi feita possivelmente pelo Jorge.)