terça-feira, 19 de maio de 2009
Mais uma deslocação...
quinta-feira, 14 de maio de 2009
A cama - um extracto
Ah, colchões! Permitam-me desviar-me para essa minha paixão. Sempre gostei de um bom colchão, que me completasse, me preenchesse e sobre mim pesasse. Tive colchões de espuma, de molas e agora, sou apaixonada pelos ortopédicos, respirantes e anti-ácaros. Colchões cheios de nove horas. Que, ainda por cima, são substituídos de quatro em quatro anos. Cinco anos, é o máximo de tempo que uma cama deve passar com um colchão em cima. Mais tempo que isso, ele julga-se dono e senhor, perde a firmeza… uma tristeza! E quando está assim todo mole, sinto mais o impacto dos corpos sobre mim e não gosto. E o Barta’s farta-se de me impor esses impactos.
Para além disso, anda a dar cabo de mim com constantes mudanças. Já me mudou de casa umas três vezes. Mas o pior é que também me muda de cómodos. Para já, já me encostou a todas as paredes do quarto. Não satisfeito, move-me para a sala quando quer impressionar alguém. Não preciso descrever o suplício que é, ter de estar sempre a ser armada e desarmada por esse aprendiz de mecânico, que não sabe respeitar uma boa madeira!
O que ele deveria fazer era doar-me para um seminário e comprar uma reles cama de ferro, mais dada a mudanças destemperadas. Para além de outras ofensas menores. O Barta’s fuma. Não, fumar é pouco. O Barta’s incendeia-se e incendeia-me a mim também. Não se importa de me mandar com as cinzas para cima, de deitar as beatas para debaixo de mim.
Vivo rodeada de tabaco, a minha madeira, que já cheirou a bom verniz, hoje em dia cheira a alcatrão. Tenho manchas por todas as superfícies, pareço sofrer de sarampo. Porque ele, quando se arma em cívico, apaga as beatas no meu rico mogno! Se não cheirasse tanto a alcatrão, eu cheiraria a cerveja pútrida. O Barta’s bebe. Bebe não, encharca-se, e encharca-me a mim também. Com a cerveja que deixa cair, com a cerveja meio digerida que se força a sair. De manhã, nos dias em que vem a Bi-Bia, estou pior que uma cama de hospital.
E a Bi-Bia, excelente pessoa mas preguiçosa que só ela, limita-se a passar-me um paninho com cheiro, em vez de se dar ao trabalho de me limpar como deve ser. Queria ser polida todos os anos, sentir as mãos de um bom carpinteiro trabalhando nas minhas curvas e ângulos. Mas esse carpinteiro nunca vem, estou suja, constantemente a ser armada e desarmada… já só me resta ranger, ranger, ranger, até que me mandem de novo para um sótão. Só não façam de mim, lenha, por favor… só não façam de mim, lenha.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
O porquê da ausência
E por isso não tenho escrito.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Arranjar um marido rico
"Uma moça escreveu um email para uma revista financeira pedindo dicas sobre "como arrumar um marido rico". Contudo, mais inacreditável que o "pedido" da moça, foi a disposição de um rapaz que, muito inspirado, respondeu à mensagem, de forma muito bem fundamentada.
Segue: Mensagem/email da MOÇA:
"Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site? Ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que possa me dar algumas dicas? Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não vão me fazer morar em Central Park West. Conheço uma mulher (da minha aula de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correta? Como eu chego ao nível dela?"
(Rafaela S.)
Mensagem/resposta do (inspiradíssimo) RAPAZ:
"Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação. Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou tomando o seu tempo a toa...Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: Visto da perspectiva de um homem como eu (que tenho os requisitos que você procura), o que você oferece é simplesmente um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples. Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro. Proposta clara, sem entrelinhas. Mas tem um problema. Com toda certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar, ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará aumentando. Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. E você não somente sofre depreciação, mas sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre aumenta!
Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando você se comparar com uma foto de hoje, verá que virou um caco. Isto é, hoje você está em 'alta', na época ideal de ser vendida, mas não de ser comprada. Usando o linguajar de Wall Street , quem a tiver hoje deve mantê-la como 'trading position' (posição para comercializar) e não como 'buy and hold' (compre e retenha), que é para o quê você se oferece...
Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and hold') com você não é um bom negócio a médio/longo prazo!
Mas alugá-la, sim!
Assim, em termos sociais, um negócio razoável a se cogitar é namorar. Cogitar... Mas, já cogitando, e para certificar-me do quão 'articulada, com classe e maravilhosamente linda' seja você, eu, na condição de provável futuro locatário dessa 'máquina', quero tão somente o que é de praxe: fazer um 'test drive' antes de fechar o negócio... podemos marcar?"
quarta-feira, 6 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Criol na ordem do dia
Blogosfera criol tita discuti criol e acho bem. Mim, jám foi acusód de ca sabê falá criol dred, de renegal, etc, etc. Um cosa ê cert: un ca aceitá alupec como um alfabeto sab, un ta otchal estéticamente fei, e mi ê daquês que implicá que K, quê que bsot crê? Um tiv um professora de primária tchmód "de velha guarda", el fazê sê trabói bem fet na ishná nôs escrevê português, gora ques regra ta na nha cabeça.
Clar que ess situação tem que ser resolvid. Ainda bem que un ca ta ganhá vida na ess área, un podê dá um opinião de quem que ca sabê mut sobre o assunto e dpos passá uns tempos sem lembrá na sê existência, falá tud dia na criol, escrevê tud dia na esh 2, criol na msn, português na trabói, na ficção, na diário, na lista de compras, na bilhetes, na mensagem de telemóvel quando un ca tem paciência pa ishná'l criol.
Bsot cronometrá tempo que bsot ta levá ta alê texto de quel senhor Marciano Moreira.
Qui tal? Ca tem um X tónt de prazer envolvid também?
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Segredos da casa-de-banho
Na sanita também, perto da água. Mas aí não hás-de ficar, sabe-se lá se, com o jacto quente, te assustas, voas, embates nalguma superfície menos fria que a porcelana?
Então meto a mão, rodopio-a e afasto o nefasto. E depois de uma última olhadela, sento-me majestosamente.