Soncent

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Insólitos

A minha mãe ligou-me à noite. Não pude atender por uma razão muito nobre e enviei-lhe uma curta mensagem a explicar: "Estou na ópera". Na Praia.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dia da Cultura

Cultura é isto, é cantarmos na rua porque nos apetece, é sentirmo-nos irmãos por gostarmos das mesmas comidas, é sabermos como os outros vão reagir às nossas reacções, é a Adriana Calcanhoto vir cantar para nós, é o Coral da Uni-CV aparecer de surpresa frente a um público cheio de singeleza e cantar meio de improviso, é saltar lumnara e queimar-se, é pisar o pé da senhora enquanto colamos SanJon. É vocês lerem-me e saberem o que quero dizer.

domingo, 3 de outubro de 2010

Saudades a despropósito II



Ainda sou do tempo em que se ia comprar pão à padaria, todos os dias, com um saco de pano bordado carinhosamente. A padaria era um lugar que cheirava imensamente bem, onde os empregados, atarefados, tinham sempre trocos e tocavam nas moedas com mãos de farinha, as mesmas com que enchiam os nossos sacos com brindeiras, pães de trança, barões, suzudas, pães de forma, de canela, de custard, de leite, e ainda vínhamos para casa a mastigar uma moreninha. Com sorte, nas manhãs de sábado, encontrava-se um pão com chouriço - que delícia!!

Com as suzudas, faziam-se casadas: era uma suzuda aberta ao meio com doce dentro. Podia ser de leite ou de goiaba.

As brindeiras levavam uma mistura de corned beef e manteiga na cantina do Quartel, onde estudei o ciclo preparatório e custavam a módica quantia de 10 escudos. E uma supirinha, por favor!


Os barões exportavam-se para a Praia. A melhor bolacha de trigo era da Fábrica Favorita, eu comprava mais no Nha Cleto. O mais simpático era o Sr. Lucas, que também tinha deliciosas donetes. O meu pai trabalhou uns anos na Fábrica Sport e uma vez em que o fui visitar, tinha eu 4 ou 5 anos, ele disse-me "Vou-te levar para uma zona muito, muito fria" e levou-me para a zona dos fornos, onde quase não se podia estar. Ele levantava-se bem cedo para ir comprar pão de trigo para o pequeno-almoço. Crocantes, quentes o suficiente para derreterem a manteiga.

Depois, muito depois, apareceram os croissants, as baguetes, as carcaças, as broas de milho, em sacos de plástico, já prontos para levar para casa, nos super-mercados... Não sei para que carga de farinha se continuam a bordar sacos de pão... 

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Things change

These days, instead of knocking on heavens doors, we’ll be calling them from our cell phone.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Citando César Schofield

"Seria gratificante se todos os jornalistas do país viessem aqui dizer o que pensam, seja civilizadamente, como está a acontecer até agora, ou desabridamente, aos berros, deselegantemente, cada um a reagir da maneira como sabe e pode. Mas que reajam."

Gostei.

domingo, 26 de setembro de 2010

Pergunta para sangria

What would a vampire say in a love song?

I have my talks with god

I have my talks with god, he said when asked about his religion. They were not in a bar. In fact, he was being heard at the police station, for something I must suppose he did not commit. That was not important. One must always worry if caught by the police in Moscow. Anyway, there are lots to hear about having talks with god.