terça-feira, 16 de setembro de 2014
sábado, 2 de agosto de 2014
Fatal
Gritos de amor empenado
Não há silencio porque os
teus grãos – serás areia - trepidam no chão à medida que te tento agarrar na
mão.
Não há amor que baste contra
os muros que erguemos e agora não sabemos destruir.
Não há presente que dure
nem um futuro para um casal sem verbo comum.
Vir à tua casa foi fatal,
querer estar nos teus braços quando me queres tão longe é fatal.
Tudo é fatal.
Sentar-me aqui sozinha a
escrever sem que me venhas buscar é fatal e deixar-te lá onde quer que estejas
talvez também o seja, não te compreendo o suficiente para o saber. O que também
virá a ser fatal.
Rescaldos de vidas airadas
- Tiveste affairs intensos com metade desta ilha mas nunca comigo.
Foi então que ele disse que tivemos um relacionamento aos nove.
Que fomos precoces.
- Contigo fugia para mar Báltico. - Insisti com a minha voz mais cavernosa de sempre.
- Para onde?
- Para o mar Báltico.
- Isso é onde?
- Esquece. - E vi-o sair da minha vida.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Da mesa redonda e outras redundâncias
Fui convidada para participar numa mesa redonda de escritores cabo-verdianos durante o Congresso Internacional da Associação de Lusitanistas, que decorreu em São Vicente, na semana passada (dia 22). Eu apareci lá de manhã, convocada de emergência quase, para vermos como seria a disposição de mesas e cadeiras. Estava a sair de uma sessão de fisioterapia pois faz hoje dois meses exatos, fui levantar uma bola de basket com os pés, feita jogadora de futebol e parti o meu pé esquerdo.
(Ah, o pequeno ser humano e as suas pequenas descobertas acerca da vida. Não é enternecedor? Olha como ela descobriu a falta que faz um pé! E como ela começou um post para falar de uma mesa redonda de escritores e praticamente sem querer, já se prepara para contar tudo - T-U-D-O - sobre esse pezinho partido, quebrado, que ficou caído, debangado da perna e que tanto doeu mas que principalmente, tanto a prendeu em casa. Mas ela resiste! O ser humano é capaz de enormes resistências!)
quarta-feira, 21 de maio de 2014
A minusculidade do ser
Depois dizem que o tamanho não importa. Eu vinha a caminhar
na rua, não exatamente pensando mas antes deambulando no meu cérebro, entre as
dúzias de neurónios que me foram presenteados à nascença em vez de me abrirem
uma conta poupança. Então, numa esquina, topei com a notícia das eleições na
Índia. Fui ver melhor, através dos vidros da loja.
Vi, mas não processei, que havia 814.5 milhões de pessoas que podiam votar.
Mas isso não é nada, dirão vocês. Afinal, havia 8.251 candidatos. Não sei,
bateu uma pequenez, uma coisa, apeteceu-me esconder-me algures, vi uma poça de
água na rua, fui ver se ela me cobria, afinal tinha lama e óleo, de maneira que
me sentei na praia, de onde podia ver as outras 9 ilhas do meu minúsculo
arquipélago onde as quinhentas e tal mil almas, fazendo pelas suas vidas, não
enchem um bairro de uma cidade média algures no mundo.
Deu-me uma preguiça... se aqui é o que é, com as eleições,
com as centralidades e queixas, com uma ilha do tamanho do Sal a querer duas
câmaras municipais para dividirem os recursos já tão parcos, como é que será
gerir aquela galáxia que é a Índia?
Haja Via Láctea!
(Foto da Wikipedia)
terça-feira, 13 de maio de 2014
Brio. Brio Profissional.
Ultimamente, recebi dois
trabalhos que me arrepiaram os pelos das ventas: Um ficheiro com
informações à atenção superior, enviado por um técnico superior. Tratava-se
de uma tabela com dados. Veio sem nome (diz apenas “Cópia de Livro”), sem título,
sem data, sem apresentação, com erros de português, com uma péssima formatação.
Onde é que nos passaria pela cabeça entregar um documento assim?
Num outro dia, enviam um
relatório de um evento. Este tem título e data. Não tem é conteúdo. As frases
não têm verbos. Não se encontra, nesse relatório de 4 páginas, uma única
informação que se pretendia ao se pedir a tarefa. E não foi por falta de
explicação. É certo que outra pessoa vai ter que investir ainda mais tempo a fazer o trabalho que já
tinha sido encarregue a outra técnica.
Num outro dia ainda, uma técnica
recusou uma tarefa por estar “cansada” e não se coibiu de escrever isso mesmo
num correio eletrónico: Não posso fazer tal coisa porque estou cansada. E
depois, recusou mais tarefas porque não está disposta a “tapar buracos”. Ou aceita
fazer alguma coisa e meia hora antes diz que afinal, “não vai dar”. Claro que alguém teve que ir tapar os tais buracos, ou quem é que ficava mal era a instituição. (Leia-se-se, o empregador: Aquele que nos paga os salários.)
Vejam, há imensa coisa que se pode dizer mas que nunca devemos escrever. Um correio eletrónico pode ser reenviado, partilhado, guardado. Essa coisa de enviar piadinhas, filminhos, flirts, no e-mail do trabalho... Não se faz. Nunca, ok? Vá lá, se o nunca for muito forte, apaga depois, e pede ao destinatário que faça a mesma coisa.
É preciso estarmos conscientes do
que andamos a fazer no nosso local de trabalho. Algumas das coisas mais
básicas, aprendemo-las na escola: começar as frases com letras maiúsculas. Vocês
dirão que estou a exagerar. Quem me dera. Também aprendemos a assinar as nossas
comunicações. O Outlook dá um jeito: sugere correções aos nossos textos. Porquê recusar essa ajuda e enviar textos cheios de erros de português?
Cada comunicação que enviámos,
cada carta, cada documento que vai com o nosso nome é um sinal. Um sinal de que
estamos atentos, que revimos o nosso trabalho – que é, por sua vez, um sinal de
brio profissional e de respeito pelo destinatário. E não me digam que é por falta de tempo.
E por falar em falta de tempo: o Facebook é uma ferramenta de trabalho, sim. Permite-nos obter informações em segundos. Mas deixar a página do Face aberta quando vamos à tua sala, para descobrirmos que em vez de estares a trabalhar, estar a curtir as fotos do baptizado da Maria Alice... Ê pá!
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Sou do tipo de pessoa
"Sou do tipo de pessoa que pisca os
olhos às estrelas, e as torna cúmplices de uma vida feliz. Que olha para o céu
e adivinha momentos alegres. Que fala com os cães na rua, com as ondas do mar,
com o espelho e sozinha.
Que olha, vê e pergunta às coisas os seus
nomes.
E acredito que o que de bom há na
vida, está mais dentro de nós do que lá fora.
E, para ser diferente dos outros,
penso muito, na vida, sobre os outros... Não deixo passar a vida como quem vê
passar um barco num rio. Vou eu ao leme a maior parte das vezes. Um dia, serei
a capitã permanente. Breve, espero."
Ora, 7 anos depois, umas quantas afirmações ficariam a modo que descabidas, o que implica uma pesada revisão das coisas. Pois ultimamente não perguntei o nome a coisa alguma e há umas escadas no Palácio onde trabalho há mais de dois anos que simplesmente nunca subi. É como se a minha curiosidade infantil foi finalmente adormecida.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
