Soncent

Soncent

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bebi-te


 
Bebi-te. Bebi-te até a última gota e lambi o copo e deixei-o sobre a minha boca para que escorresse ainda sobre a minha língua, tão sedenta de ti. Bebi-te. Engoli o que havia de beber, engoli com ânsia e gula. E depois, mijei-te. Já sabes que também dei a descarga e te foste num redemoinho pela loiça branca.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

As lágrimas saltam


Nesta segunda molhada
As lágrimas saltam
Dos olhos aos óculos,

E salgam os sulcos
Do rosto triste

 
Lá fora chove
E o cinzento condiz
Com os ânimos de quem perdeu
Tão jovem, o Dénis.

 
Que veio para tão pouco tempo
Estar entre nós
E ninguém nos disse.  

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Matar o PT


Às vezes há que matar o português. Para escreveres tal como ouves. Tal como te dita o grilo falante, tens que matar o português, dar-lhe com um pau na cabeça. Mata-o, afoga-o. Escreve o que queres, como queres.

Abandono


 
Votar-me-ei ao abandono dos teus lábios, suaves, nunca apaixonados.
Votar-me-ei ao abandono dos teus braços, cálidos, nunca quentes, ainda que válidos como aliados.
Votar-me-ei enfim aos teus sorrisos nunca rasgados, réus dos meus julgamentos nunca sábios.

Apresentação do livro Fantasmas e Fantasias do Brumário

 
 
 
 


Aqui há umas semanas, fui uma dos coapresentadores, na Assomada. Como sempre, falei pouco. Ufa, ainda bem, porque dos outros não se pode dizer a mesma coisa, à exceção do Arménio, que não falou de todo.
Foi assim:

 “Pois é, madame, este é o leite de cobra mais fresco que encontrará no mercado.” Cito de cabeça.

 Foi este o “poema” que Arménio Vieira enviou para a coletânea de poesia chamada Destino di Bai que reuniu, em 2009, poesia inédita de Cabo Verde. Eu já não sei que poemas publiquei nesse livro; mas desta frase do Arménio não me esqueci, por ser tão curta e ao mesmo tempo, tão plena de humor, de audácia, por ser tão inesperada num livro de poesia. Ora, extrapolem, multipliquem, elaborem.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Apagam-se as luzes


Apagam-se, uma a uma,
as luzes que nos alumiavam.
Vai descendo, devagar,
a bandeira,
pelo seu mastro menos reto.
 
 Antes que a última luz morra,
vemos por terra, a bandeira.

Morre o homem, fica a obra

Perdemos o Poeta Corsino Fortes. Ficamos com a sua memória gloriosa, de um homem garboso e elegante, com uma forma de ser tão agradável, tão educada, dono de uma pena brilhante. Brilhante!