Soncent

Soncent

terça-feira, 8 de setembro de 2015

A Luci vai para Stanford






Sabem? Era eu no gabinete a trabalhar, por bandas das onze e tal de um dia perdido em 2012 quando a Luci me ligou, meio do nada, a perguntar se queria ir almoçar com ela. Já tínhamos sido apresentadas e eu já sabia que era inteligente, proveniente da Ivy League coisa e tal.

Mas não tínhamos nenhuma intimidade. O que não me impediu de aceitar e lá fomos ao Paparokas.

Desde aí, tornou-se uma pessoa muito especial na minha vida. Muito inteligente, nada arrogante, muito boa pessoa, motivada e motivadora, excelente a dar conselhos sem os dar. Quase sempre que lhe peço uma opinião, ela responde-me assim.
- O que é que achas que deves fazer?
O que é ótimo na verdade, porque às vezes só precisamos é que nos ajudem a chegar às respostas que já temos ou sabemos.

Mas a Luci é muito mais: é divertida, imensamente querida, carinhosa, prestável, muito correta. Tem um pacote de qualidades e capacidades fora de série, que ela coloca generosamente à nossa disposição.

Por isso tudo, esta muy singela homenagem, com votos de muitos sucessos nesta nova etapa - é que ela vai agora estudar para a Stanford, depois de ter entrado para todas as grandes universidades para as quais concorreu. É obra!

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O meu sentido adeus

 
Quero reunir as tropas à minha volta, gizá-las de vermelho, cantar-lhes o meu hino e dizer-lhes o meu sentido adeus, pois parto nesta hora. Não mais ditaduras, não mais oficinas de crianças.

(Foto de Catalina Solares)

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bebi-te


 
Bebi-te. Bebi-te até a última gota e lambi o copo e deixei-o sobre a minha boca para que escorresse ainda sobre a minha língua, tão sedenta de ti. Bebi-te. Engoli o que havia de beber, engoli com ânsia e gula. E depois, mijei-te. Já sabes que também dei a descarga e te foste num redemoinho pela loiça branca.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

As lágrimas saltam


Nesta segunda molhada
As lágrimas saltam
Dos olhos aos óculos,

E salgam os sulcos
Do rosto triste

 
Lá fora chove
E o cinzento condiz
Com os ânimos de quem perdeu
Tão jovem, o Dénis.

 
Que veio para tão pouco tempo
Estar entre nós
E ninguém nos disse.  

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Matar o PT


Às vezes há que matar o português. Para escreveres tal como ouves. Tal como te dita o grilo falante, tens que matar o português, dar-lhe com um pau na cabeça. Mata-o, afoga-o. Escreve o que queres, como queres.

Abandono


 
Votar-me-ei ao abandono dos teus lábios, suaves, nunca apaixonados.
Votar-me-ei ao abandono dos teus braços, cálidos, nunca quentes, ainda que válidos como aliados.
Votar-me-ei enfim aos teus sorrisos nunca rasgados, réus dos meus julgamentos nunca sábios.

Apresentação do livro Fantasmas e Fantasias do Brumário

 
 
 
 


Aqui há umas semanas, fui uma dos coapresentadores, na Assomada. Como sempre, falei pouco. Ufa, ainda bem, porque dos outros não se pode dizer a mesma coisa, à exceção do Arménio, que não falou de todo.
Foi assim:

 “Pois é, madame, este é o leite de cobra mais fresco que encontrará no mercado.” Cito de cabeça.

 Foi este o “poema” que Arménio Vieira enviou para a coletânea de poesia chamada Destino di Bai que reuniu, em 2009, poesia inédita de Cabo Verde. Eu já não sei que poemas publiquei nesse livro; mas desta frase do Arménio não me esqueci, por ser tão curta e ao mesmo tempo, tão plena de humor, de audácia, por ser tão inesperada num livro de poesia. Ora, extrapolem, multipliquem, elaborem.