Soncent

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Ganas de te ver


Um dia quis dizer-te

                                         - Tenho ganas de te ver - um eufemismo exacerbado.

Mas perder-te-ias algures entre a figura de estilo e o adjectivo, e eu, que me esforçara para usar o ganas, ficaria
 
                                      a ganir de vontade
 
                                e tu continuarias a ladrar à caravana.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Músicas que hoje me tiraram da sala



Viva a Maria Gadú e a Marília Pêra, aquela em Vamos para o Lounge "... vinho safra ruim", e outra em 120...150...200...Km Por Hora, de Roberto Carlos. Duas canções que me tiraram um pouco desta sala.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Mil declarações


 
Mil declarações
De amor
De mim para ti

 Mil declarações
Num sorriso
Numa só forma
De riso
Nervoso
De um coração
Amoroso

 Dói
Saber que gosto de ti
Tanto assim
E que tu gostas igual
De outra
E não de mim

 Mil declarações
Tão sofridamente vãs

 E tu sorris
Porque notas
O meu devaneio
O meu desvario
E com um sapateio
Me acordas
E dou por mim

 Declarando-me
Sem querer
Sem pudor
Sem te poder ter
Mas com toda a dor


E teus olhos brilham
E parece que gozas
Penso
Mas sonho, só
Pois não poderias
Ter pensado
Beijar-me

 Mil declarações
Sem ouvidos
Mil sorrisos
Que se fizeram beicinhos
Alguns piscares
Que agora disfarçam
Outros esgares

 
Tentas ser
Alguém “fixe”
Mas será que aguentas
Gerir esse mix?

E enquanto tentas
Engano-me
Maço-te
Abraço-te
Abato-me
E declaro-me

 
Ciente
De tudo
(o que compreende)
Não corresponderes
Às minhas
Alegadas
Esfusiantes
Pouco pacientes
Declarações.

Será que aguentas?
E se tentas
Afastar-me
Empurrar-me

 E eu,
Num lento
Sorriso triste
Tento

 
Afastar-me
Empurrar-me
Fingir que afinal
Não existe

Esse sentimento
Fatal
Que me atrai
Será que aguento?

Ter de dizer adeus
Quando quero
Fazer só meus
Com esmero
E mérito
Os teus olhos
De Orfeu

 

(Abril 2005)

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Queria



Queria ter roubado a chave algures e me esgueirado quando ninguém estivesse a ver, porta dentro, pela tua cova alcova cabana terra santa, nua.


Queria ter-te visitado na tua sala vazia. Queria ter-me sentado na tua cadeira esguia e sentido o peso de cada pisa-papel e de cada caneta tua. Queria ter aspirado o teu cheiro nas teclas e lido as tuas letras bonitas nas folhas bem alinhadas em cima da escrivaninha. Queria ter percorrido com o dedo, o tampo brilhante e limpo, apesar da tua ausência. Pensado na tua pele leitosa nele roçando e comungando.


Queria ter pasmado sem sentir escorrer os minutos, no quadro na parede, pensado na vida daquele senhor tal como pensas quando estás apoquentado.

Queria ter violado, sem violência, penetrado sem maleficência, no canto da tua intimidade e sentido assim, a tua presença.


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Um ano de stand up comedy


Fez sábado um ano de stand-up comedy no Secreto Ibérico e o Enrique Alhinho convidou-nos a todos os que por lá passámos para irmos comer uma fatia de bolo - depois de partilharmos umas quantas piadas com o público.
 
É, eu gosto de anedotas. É assim. Vem do meu pai, claro, porque a minha mãe não só não as conta como, se lhe contamos uma particularmente divertida, ela demora algum tempo a tentar conter o riso, depois ri-se um bocadinho e depois admoesta-nos
 
Parva!
 
Por lhe termos conseguido arrancar uma gargalhada.
 
 

Ctrl-delete

Tenho imensas gigas de música em três computadores. O que não vejo em televisão, oiço em música - quando estou a trabalhar, a ler, a fazer o que for.

Espaço tem sido sempre um problema, para as guardar a todas.

Por isso, apago aquelas de que não gosto.

Isto de apagar as músicas é necessário, mas faço-o com alguma consciência pesada, pois reconheço o enorme trabalho e amor que os artistas investem até que as suas canções, os seus filhotes, cheguem ao meu computador. Horas e horas de ensaios, de gravações, de perseguir editoras, de afinamento e produção e sei lá mais o quê... E muitas vezes, não terei pago um tostão por elas, o que, se calhar, até reforça o ato de as apagar para não usufruir delas. Mas apago sobretudo porque não me dizem nada.

Ctrl-delete.

Desculpa qualquer coisinha, man!

Da Nina Simone, somente da Nina, nunca consegui apagar nada, mesmo que não gostasse da canção. Não sei, em relações de veneração, não há muita lógica.

Tese de mestrado III

O voo aquático de moscas selvagens - e a sua importância na gastronomia oriento-pseudobalnear.

Abstact:

As moscas selvagens - selvático-Brachycera - são, por oposição às moscas domésticas, moscas selvagens, o que em si não significa nada, mas para este estudo, significará tudo, posto que será importante estudar não só os seus voos aquáticos - o que faremos em seis capítulos de vinte páginas cada, pois esta tese de mestrado precisa absolutamente de quatrocentas páginas e faremos de tudo para as encher completamente, atentando atentamente à forma, ao conteúdo e principalmente às citações mas jamais aos plágios, porque hoje, mais do que nunca, é fácil identificar os plagiadores.
 
Passaremos ainda dois longos capítulos a caracterizar as diferenças entre o aquático, o oceânico, o marítimo e o balnear, para depois entrarmos na morfologia das praias, nas distinções entre as areias, as dissemelhanças entre baías e enseadas.
 
Outros três capítulos versarão sobre o voo, a aerodinâmica, leis da física, teorias, história e biografias de pilotos, escritores pilotos, desaparecimentos em voo, para chegarmos enfim ao Triângulo das Bermudas e lá para o final, recapitularemos todas estas informações e numa conclusão de apenas uma página, aventaremos que, por serem moscas, não deviam, se calhar, estar a voar sobre a água.
 
Remataremos com mais três anexos sobre as definições da água, os seus estados, composição, formação e desaparecimento.
 
Ufa.
 
Esperamos não menos que 14, pelo trabalho que terá dado a encadernar todas estas quatrocentas páginas, ou 15, pela atenção dedicada ao alinhamento e cor dos títulos de cada tomo.