Soncent

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terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Coerência ateísta

É assim: aceito trocar prendas e ir aos jantares mas não posso desejar “Feliz Natal” porque sou ateísta e tem que haver coerência. Por outro lado, aos imensos postais virtuais que me enviam juntamente com mais 672 pessoas, não respondo, porque ainda sou do tempo de pegar no telefone e telefonar às pessoas muitos próximas e mandar SMS às um pouco mais distante e às mais distantes ainda não vejo o interesse em ser mais uma.

Por outro lado, lá porque tive uma bebé não significa que a época ganhou outro brilho mas pode ser que ganhe outra dor de cabeça quando ela for maior.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Bate coração - ou bem-vinda ao medo de todas as mães

Vejo toda a gente a andar por aí com relógios que lhes medem as batidas do coração e o exercício que fazem e as horas de sono... eu para mim, não preciso de nada disso.  Do meu coração eu sei dar conta sozinha. Queria era ter um monitor que andasse a medir o coração e a respiração da minha filha. É com cada suspiro dela que me preocupo. 

sábado, 7 de dezembro de 2019

Contradições civilizacionais

No Natal, não faço decorações nem monto uma árvore porque sou ateísta.
Mas vou a jantares e troco prendas porque não sou nenhuma selvagem!

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Moral e Religião nas escolas

Tive sempre muito muito orgulho em ser cabo-verdiana, em ser de um país que apesar de muito pequeno, me fez pensar sempre que era livre, que não era discriminada por ser mulher, por ser preta.

Acreditei sempre que existe liberdade e acreditei sempre que crescia num país laico, o que para mim é muito importante - pois sou ateísta desde os 13 anos.

De maneira que me têm surpreendido e preocupado medidas que o governo tem tomado em relação à religião católica, o que me parece sempre uma dupla traição: traição à laicidade do estado e traição às outras confissões religiosas existentes no país.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Eu e o Arnod Schwarzenegger

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Fui criança na década de oitenta. Aos fins de semana ia ao cinema e saía sempre entusiasmada. Se fosse um filme de karaté, eu vinha pelo caminho a imaginar-me karateca. Já tinha estado numa escola de artes marciais, mas tinha considerado o ensino muito lento para quem queria, como eu, ser ninja. Igualmente, se via um filme de dança, não conseguia evitar ir para casa dançando pelas ruas. O mal é que na manhã seguinte, misteriosamente, já estes entusiasmos tinham desaparecido.

Andei no Liceu na década de noventa. Era o tempo dos empréstimos. Lia livros emprestados, via filmes emprestados. Lá em casa, tínhamos apenas três filmes nossos: Carmen, um musical operático que nunca consegui ver até ao fim, de tão aborrecido que era; A Missão, que sempre me fazia chorar no final, e África Minha, um filme muito bonito, mas sem legendas. À falta de mais para fazer, via e revia estes últimos dois.

domingo, 2 de junho de 2019

Escrevo para adiar o importante

Não tivesse perdido o hábito de escrever sempre no blog - descobri que havia três grandes motivações: saber que havia gente a ler; estar sentada várias horas frente ao computador - agora o meu trabalho é fazer interpretações simultâneas, não dá tempo; ou se estiver a traduzir, pior um pouco: não dá tempo!; e ter coisas importantes para fazer. 

É mesmo isso: saber que tenho coisas importantes a fazer dá-me para procrastinar e uma maneira de procrastinar é escrever. Não é romântico? 

Se alguma vez algum jornalista se lembrasse de me perguntar qual é a minha motivação para escrever, eu podia responder com os clichês habituais de ter nascido com o dom, de ser irremediavelmente seduzida por folhas de papel em branco, por canetas novas ou canetas de terceiros ou ainda por frases que me surgem do nada, como que sussurradas por espíritos como a minha mãe gosta de crer, ao que lhe respondo sempre - porque é que os espíritos conseguem inventar uma história e eu não? 

Vou ter uma bebé

Fiz hoje 20 semanas e até esta, tudo corre lindamente: afora algumas ânsias de enjoo, sinto-me bem, com energia (sempre que durmo à tarde) e se no início ganhei logo uns quantos quilos, agora pareço ter estabilizado. Continuo a ir ao ginásio, à praia de vez em quando e ontem até fui a uma festa, onde ainda dancei um bocado. 

No início diziam-me que tinha a barriga bastante grande, agora dizem-me que a tenho pequena, ainda não sei se sinto a bebé a mexer-se ou se são gases e outras pequenas cólicas, mas no geral creio que tudo corre bem e cada vez mais vou-me convencendo que realmente isto está a acontecer: vou ter uma bebé! 👶