Soncent

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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A minha gente


Vai parecer anedota mas quando me ligaram a dizer que o meu poema "A minha gente" tinha sido escolhido para um livro que se chamaria "Os 100 melhores poemas de Cabo Verde", o que eu pensei foi:
Mas esse sequer é o melhor poema de Eileen Barbosa...

Mas quem escolhe assume todas as responsabilidades e na apresentação deste livro, que entretanto mudou de nome,  quando este poema foi lido e depois comentado, percebei porque é que tinha sido esse e não outro. É algo relacionado com o ser-se cabo-verdiano. Costumava crer que nunca refleti muito sobre o ser-se cabo-verdiano na minha escrita porque estava tão intrínseco em mim e porque sou geralmente escritora de ficção. Mas não é bem isso: penso agora que nos primeiros anos de escrita, a maior parte dos escribas escreve muito por influência de quem leu. E eu li muito mais escritores "ocidentais" que nacionais. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Crítica a Eileenístico

Ecos do Brasil, no blog Leia-se, aparece uma crítica a Eileenísco, que reproduzo aqui, com enlevo:

"a leste do paraíso"

a vida é + rica
por maneco nascimento

Caboverdiana de São Vicente, daquelas que dizem, os sopros de fadas, nasceu para entabular ideias e escritas e fabular narrativas, fora do universo do lúdico, fantástico, mágico e enleador das inocências em processo de perda da infância.

Centra pena na realidade e, sob licenças poéticas e um quase recorte de diário, vai enredando leitores e deixando uma doce e suave alegria às escritas e memórias verossimilhantes às expensas do bom hábito de leitura e escrita a seus interlocutores, ou melhor leitores.

De linguagem leve, português de coloquial rebuscado e um descritivo inteligente Eileen Almeida Barbosa, traz um cabedal de histórias bem humoradas, ora carregada de discurso feminino livre e eficientizado, ora um discurso masculino à posse da domínio feminino do eu prosaico-poético. Textos de contos e crónicas eficazes. De certa desenvoltura pragmática para conluir à coesão e coerência dinâmicas aos olhos do degustador de narrativas.

Histórias de memórias criadas ao repertório da autora/personagem escritora que germina metalinguagem na aplicação da deliberada actuação de escrever e prender a recepção.

Enredos que beiram ao sexual, sexual sem apelos e, por vezes, linguagem que desliza pelo realismo de escola brasileira, mas toda a construção da prosa amalgama liberdade de correr por correntes, sem perder o porto do textual moderno aos melhores contextos de escrevinhador.

Dias de ócio

Vim aqui escrever umas linhas, apenas porque tempo demais sem palavras pode denegrir o éter, violar os apegos, desamarrar os nós e gorar os esforços, de anos, por uns ecos retorquidos. 

Nestes tempos, abandonadas as amarras ao sector público, fiquei de pena em punho, em janeiro ativa, nos outros meses, coerciva, tentando não rabiscar coisas novas mas terminar as antigas, a ver se tiro do ninho ovos que já cheiram a mofo, pintos gordos de tanto choco. 

E descubro uma nova realidade menos laboral, com os excessos e risos dos tempos às vezes demasiado livres: quantas vezes, quantos de nós, adentrados a um escritório e aí presos bastas horas diárias, não nos pegámos a desejar o sol e o mar, ou um sofá e lençol, num regozijo de dolce fare niente indecente de tão ocioso? Pois, dêem-nos horas vagas suficientes e pagámos-nos também, humanos que somos, a desejar a obrigatoriedade dos horários e das deslocações, da roupa passada a ferro e de encontrar pessoas outras que não a nossa cara embaciada no espelho, nem que seja apenas para lhes dizermos bom dia e fingirmos-nos ocupados. 

Reflexões para dias de ócio ou para dias de labor? 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Achismo

A senhora parece que acha que a minha vida é estar deitada em lençóis de cetim, comendo uvas brancas e acariciando um gato persa! Saiba que devido a esta ciática, eu tenho que me levantar praticamente de hora a hora, para trocar o disco e deitar fora as grainhas!

Não publicações

Agora, como se não bastasse não publicar em Soncent e não publicar no Facebook, também já não publico do Youtube... A vida é feita não publicações. Vejam esta:

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Atropelei-me

Resultado de imagem para mulher à chuva
 
Há duas noites atropelei-me no caminho do porto. Era noite e eu ia animada, as galochas levantando pequenas tempestades de água. Havia chovido horas antes e ainda pingavam das árvores, gotas de cultura.
Caí e rolei na calçada, magoei-me feio no coração. Posso ter apanhado pancada também no cotovelo, mas não dói. Foi quando desbloqueei o telemóvel ao som do viber e vi a tua mensagem, no fundo, tão singela, uma simplicidade tosca, que me dizia em poucas palavras o que custou tantos meses de amor: que já não me querias. As gotas da chuva e as minhas lágrimas misturam-se no ecrã, umas doces, outras muito salgadas, umas frias, as outras bastante quentes.
Muni-me depois de tintura, vou beber o frasco todo, a ver se me cura. O que não nos mata torna-nos mais tristes.  
 
(Foto da net.)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Vestimenta liberal

Muita mulher cabo-verdiana veste-se de forma liberal - roupa curta e apertada, independentemente de ter algum traço ou curva bonita para mostrar. Acho bem - ainda que o meu sentido estético deteste.