Soncent

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terça-feira, 2 de junho de 2020

Benjaminice Clementina - cuidado que pode pegar

Benjamin Clementine | Athens | May 25 | What's On | ekathimerini.com


Repescado do Facebook:

Estou com um caso gravíssimo de Benjaminice Clementina. Este rapaz parece filho da Nina Simone e do Damien Rice. Eu sou a madrinha e vou andar com ele ao colo; o piano, puxá-lo-ei por um cabo de aço. Mantê-lo-ei acordado à noite, coitado, para me embalar. E quando ninguém estiver a ver, vou cantar junto com ele.

(Imagem da internet, net, para os amigos.)

quarta-feira, 6 de maio de 2020

A fada do lar


A minha vida em tempos de COVID-19 tem sido exatamente aquela que sempre desprezei: a mulher que não sai de casa, que passa os dias todos iguais, a cuidar da criança, a varrer, a limpar, a dar banho e a “ver novela”: séries de água com açúcar porque desde que pari, toda a violência me choca; em contrapartida, basta que apareça um bebé na tela para que eu me derreta.

A minha bebé celebrou seis meses sob o signo do confinamento: houve um bolo comido apenas por dois; houve um vestido que apenas serviu para a foto. Mas ela riu-se toda e pousou orgulhosa. Suponho que ela nunca foi mais feliz, na sua curta vida: tem a sua mamã o tempo todo ao seu lado. E tem a novidade de ter um papá muito próximo, a brincar com ela todos os dias, a deixá-la explorar-lhe a barba farta, que ela adora! Para ela, ele é o parque das diversões. Para mim, é quem cozinha e lava a loiça. As coisas funcionam muito bem.

Tempos de confinamento

Dior Addict Eau de Parfum (2014) Christian Dior perfume - a ...



Tempos de confinamento, oitava semana. Noto que passei praticamente todos os dias vestida da mesma forma – calções e t-shirt, tudo amachucado, claro, quem é que anda a passar a ferro? O meu cabelo também é uma sombra do que foi: invariavelmente, está preso num rabo de cavalo feito à pressa, porque há-que limpar e varrer e lavar o chão e a bebé fica sempre a interromper.

Não sei quando foi que pus batom pela última vez, quanto mais outras coisas. Nas duas primeiras semanas pintei as unhas dos pés, depois achei que o importante era estarem limpas e pus apenas um verniz transparente. Nas mãos, mantenho as unhas curtas para não magoar a criança. Refletindo nisso tudo, resolvo, ontem, tomar um banho antes do almoço, pentear-me e escolho o meu perfume mais caro: Addict, de Christian Dior. Como sei que é forte, esguichei apenas atrás do pescoço e depois, com os dedos, toquei aí e pus atrás das orelhas e nos pulsos. Estamos ainda no início do almoço quando ele me diz, uma expressão de incómodo no rosto:

- Estás a usar um desodorizante diferente?
- É perfume! Não gostas?
E ele, responde logo:
- Não, não é isso. É bom. – A seguir levanta-se da mesa e oiço-o dizer, a voz de quem está a pensar alto:
- Ainda bem que não perguntei se era flit.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Coerência ateísta

É assim: aceito trocar prendas e ir aos jantares mas não posso desejar “Feliz Natal” porque sou ateísta e tem que haver coerência. Por outro lado, aos imensos postais virtuais que me enviam juntamente com mais 672 pessoas, não respondo, porque ainda sou do tempo de pegar no telefone e telefonar às pessoas muitos próximas e mandar SMS às um pouco mais distante e às mais distantes ainda não vejo o interesse em ser mais uma.

Por outro lado, lá porque tive uma bebé não significa que a época ganhou outro brilho mas pode ser que ganhe outra dor de cabeça quando ela for maior.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Bate coração - ou bem-vinda ao medo de todas as mães

Vejo toda a gente a andar por aí com relógios que lhes medem as batidas do coração e o exercício que fazem e as horas de sono... eu para mim, não preciso de nada disso.  Do meu coração eu sei dar conta sozinha. Queria era ter um monitor que andasse a medir o coração e a respiração da minha filha. É com cada suspiro dela que me preocupo. 

sábado, 7 de dezembro de 2019

Contradições civilizacionais

No Natal, não faço decorações nem monto uma árvore porque sou ateísta.
Mas vou a jantares e troco prendas porque não sou nenhuma selvagem!

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Moral e Religião nas escolas

Tive sempre muito muito orgulho em ser cabo-verdiana, em ser de um país que apesar de muito pequeno, me fez pensar sempre que era livre, que não era discriminada por ser mulher, por ser preta.

Acreditei sempre que existe liberdade e acreditei sempre que crescia num país laico, o que para mim é muito importante - pois sou ateísta desde os 13 anos.

De maneira que me têm surpreendido e preocupado medidas que o governo tem tomado em relação à religião católica, o que me parece sempre uma dupla traição: traição à laicidade do estado e traição às outras confissões religiosas existentes no país.