Soncent

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domingo, 2 de junho de 2019

Escrevo para adiar o importante

Não tivesse perdido o hábito de escrever sempre no blog - descobri que havia três grandes motivações: saber que havia gente a ler; estar sentada várias horas frente ao computador - agora o meu trabalho é fazer interpretações simultâneas, não dá tempo; ou se estiver a traduzir, pior um pouco: não dá tempo!; e ter coisas importantes para fazer. 

É mesmo isso: saber que tenho coisas importantes a fazer dá-me para procrastinar e uma maneira de procrastinar é escrever. Não é romântico? 

Se alguma vez algum jornalista se lembrasse de me perguntar qual é a minha motivação para escrever, eu podia responder com os clichês habituais de ter nascido com o dom, de ser irremediavelmente seduzida por folhas de papel em branco, por canetas novas ou canetas de terceiros ou ainda por frases que me surgem do nada, como que sussurradas por espíritos como a minha mãe gosta de crer, ao que lhe respondo sempre - porque é que os espíritos conseguem inventar uma história e eu não? 

Vou ter uma bebé

Fiz hoje 20 semanas e até esta, tudo corre lindamente: afora algumas ânsias de enjoo, sinto-me bem, com energia (sempre que durmo à tarde) e se no início ganhei logo uns quantos quilos, agora pareço ter estabilizado. Continuo a ir ao ginásio, à praia de vez em quando e ontem até fui a uma festa, onde ainda dancei um bocado. 

No início diziam-me que tinha a barriga bastante grande, agora dizem-me que a tenho pequena, ainda não sei se sinto a bebé a mexer-se ou se são gases e outras pequenas cólicas, mas no geral creio que tudo corre bem e cada vez mais vou-me convencendo que realmente isto está a acontecer: vou ter uma bebé! 👶


domingo, 21 de abril de 2019

Devia ter-te tirado uma foto

Devia ter-te tirado uma foto, sobre a qual eu estaria agora a babar. Dado que não o fiz, recorro às minhas memórias, onde os teus olhos são maiores que o mundo e os teus lábios, os mais rosados de sempre.

O domingo de Páscoa de uma ateísta

Ninguém se interessa por saber como é o domingo de Páscoa de uma ateísta? Isto é tudo muito ingrato. Toda a gente tem todo o prazer em andar a encaminhar postais de Feliz Páscoa, Paz e Chocolates e Ovos, mas o que aconteceria se me desse um ataque súbito de rebeldia por viver numa sociedade tão rendida aos valores cristãos e gritasse do alto do meu perfil, deixem-me me paz, desejem-me essas coisas sem ser com data marcada no calendário?! Não dá? 


terça-feira, 12 de março de 2019

Oh, Prince!

Tenho um CD dos best hits da Sinead O'Connor no carro. Gosto. 

Ela não conseguiu alcançar o Don't Cry For Me Argentina como a Madonna mas  continua a encantar-me a canção Nothing Compares 2 u, que uma vez tive o atrevimento de cantar num karaoke em Faro, para descobrir que para além de não conhecer toda a letra, fico nervosa e devo ter soado como uma pato. 

Adiante. 

Tive agora a curiosidade de vir ouvir como a cantou o seu autor, o Prince. 

Sabem o quê? O Prince, para mim, ainda canta pior a canção do que eu! 
Não entendo mais nada! 

sábado, 26 de janeiro de 2019

Eco merecido

Isto merece um eco: 


"A polícia não existe para proteger os brancos. Mas é exactamente isto que sentem os não-brancos. E é exactamente o que os políticos têm obrigação de garantir que não sintam. Que não haverá mais razões para sentir isso.
Enquanto houver gente em Portugal que sinta que é automaticamente suspeita para as autoridades, ou tratada de forma diferente, os políticos não estarão a fazer o seu trabalho. É disso que devem ter vergonha, é isso que devem combater, em vez de se voltarem contra quem protesta por isso existir."

Por Alexandra Lucas Coelho. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Irmãs





A minha irmã Nádia, dois anos mais velha, foi unanimemente considerada mais bonita que eu durante toda a minha infância e adolescência, o que fez com que eu desenvolvesse, além de um sério complexo, um sentido de humor refinado, muita lábia e um aparente desinteresse por coisas femininas e coisas comuns. Ela, para além de muito bonita, estava sempre bem vestida, com as roupas engomadas e ai de quem lhe pusesse um braço no ombro, não lhe fosse amachucar a blusa. 

Sabendo que não estaria nunca mais bonita ou mais arranjada do que ela, eu vestia-me para ser diferente e não raras vezes, ela me chamou horrorosa e me disse que se insistisse em ir a algum sítio vestida dessa forma – lenços amarrados à cabeça que nem Rambo, dois pares de meias de cores diferentes em cada pé – eu teria que ir do outro lado do passeio para que ninguém soubesse que éramos irmãs. Ora, eu tinha pelo menos uma personalidade firme porque não me lembro nunca de ter ido trocar de roupa.