Soncent

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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Moral e Religião nas escolas

Tive sempre muito muito orgulho em ser cabo-verdiana, em ser de um país que apesar de muito pequeno, me fez pensar sempre que era livre, que não era discriminada por ser mulher, por ser preta.

Acreditei sempre que existe liberdade e acreditei sempre que crescia num país laico, o que para mim é muito importante - pois sou ateísta desde os 13 anos.

De maneira que me têm surpreendido e preocupado medidas que o governo tem tomado em relação à religião católica, o que me parece sempre uma dupla traição: traição à laicidade do estado e traição às outras confissões religiosas existentes no país.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Eu e o Arnod Schwarzenegger

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Fui criança na década de oitenta. Aos fins de semana ia ao cinema e saía sempre entusiasmada. Se fosse um filme de karaté, eu vinha pelo caminho a imaginar-me karateca. Já tinha estado numa escola de artes marciais, mas tinha considerado o ensino muito lento para quem queria, como eu, ser ninja. Igualmente, se via um filme de dança, não conseguia evitar ir para casa dançando pelas ruas. O mal é que na manhã seguinte, misteriosamente, já estes entusiasmos tinham desaparecido.

Andei no Liceu na década de noventa. Era o tempo dos empréstimos. Lia livros emprestados, via filmes emprestados. Lá em casa, tínhamos apenas três filmes nossos: Carmen, um musical operático que nunca consegui ver até ao fim, de tão aborrecido que era; A Missão, que sempre me fazia chorar no final, e África Minha, um filme muito bonito, mas sem legendas. À falta de mais para fazer, via e revia estes últimos dois.

domingo, 2 de junho de 2019

Escrevo para adiar o importante

Não tivesse perdido o hábito de escrever sempre no blog - descobri que havia três grandes motivações: saber que havia gente a ler; estar sentada várias horas frente ao computador - agora o meu trabalho é fazer interpretações simultâneas, não dá tempo; ou se estiver a traduzir, pior um pouco: não dá tempo!; e ter coisas importantes para fazer. 

É mesmo isso: saber que tenho coisas importantes a fazer dá-me para procrastinar e uma maneira de procrastinar é escrever. Não é romântico? 

Se alguma vez algum jornalista se lembrasse de me perguntar qual é a minha motivação para escrever, eu podia responder com os clichês habituais de ter nascido com o dom, de ser irremediavelmente seduzida por folhas de papel em branco, por canetas novas ou canetas de terceiros ou ainda por frases que me surgem do nada, como que sussurradas por espíritos como a minha mãe gosta de crer, ao que lhe respondo sempre - porque é que os espíritos conseguem inventar uma história e eu não? 

Vou ter uma bebé

Fiz hoje 20 semanas e até esta, tudo corre lindamente: afora algumas ânsias de enjoo, sinto-me bem, com energia (sempre que durmo à tarde) e se no início ganhei logo uns quantos quilos, agora pareço ter estabilizado. Continuo a ir ao ginásio, à praia de vez em quando e ontem até fui a uma festa, onde ainda dancei um bocado. 

No início diziam-me que tinha a barriga bastante grande, agora dizem-me que a tenho pequena, ainda não sei se sinto a bebé a mexer-se ou se são gases e outras pequenas cólicas, mas no geral creio que tudo corre bem e cada vez mais vou-me convencendo que realmente isto está a acontecer: vou ter uma bebé! 👶


domingo, 21 de abril de 2019

Devia ter-te tirado uma foto

Devia ter-te tirado uma foto, sobre a qual eu estaria agora a babar. Dado que não o fiz, recorro às minhas memórias, onde os teus olhos são maiores que o mundo e os teus lábios, os mais rosados de sempre.

O domingo de Páscoa de uma ateísta

Ninguém se interessa por saber como é o domingo de Páscoa de uma ateísta? Isto é tudo muito ingrato. Toda a gente tem todo o prazer em andar a encaminhar postais de Feliz Páscoa, Paz e Chocolates e Ovos, mas o que aconteceria se me desse um ataque súbito de rebeldia por viver numa sociedade tão rendida aos valores cristãos e gritasse do alto do meu perfil, deixem-me me paz, desejem-me essas coisas sem ser com data marcada no calendário?! Não dá? 


terça-feira, 12 de março de 2019

Oh, Prince!

Tenho um CD dos best hits da Sinead O'Connor no carro. Gosto. 

Ela não conseguiu alcançar o Don't Cry For Me Argentina como a Madonna mas  continua a encantar-me a canção Nothing Compares 2 u, que uma vez tive o atrevimento de cantar num karaoke em Faro, para descobrir que para além de não conhecer toda a letra, fico nervosa e devo ter soado como uma pato. 

Adiante. 

Tive agora a curiosidade de vir ouvir como a cantou o seu autor, o Prince. 

Sabem o quê? O Prince, para mim, ainda canta pior a canção do que eu! 
Não entendo mais nada!