Enfim, o filme. O amor nos tempos da cólera, na estante do Marabu, fez-me dar um grito histérico e pu-lo logo debaixo do braço, e pensei: Vou enfurecer-me. Muito! E enfureci-me muito, mesmo!
Porque li o livro umas dez vezes e ninguém conseguiria realizar o filme a ponto de me agradar, a não ser se o fizessem um seriado tão à risca... E que durasse uns dias, género a série 24.
Posto isto, vamos a umas pobres considerações:
Mesmo que fizessem a série, eu reconheço que ainda assim eu reclamaria dos olhos de Fermina que eu imaginei sempre castanhos, do jeito afinal nada funerário de Florentino, da falta de sentimento dos actores em relação às personagens tão queridas! Fermina era bem mais decidida e malcriada no livro; Florentino, no filme, mostra uma alegria e vivacidade que nunca encontrou nas páginas de Garcia Márques. No livro, o nosso médico é mais simpático...
Outros pormaiores: América Vincuna tinha cabelos longos (Florentino desfazia-lhe as tranças antes do sexo e voltava a fazê-las para a levar à escola). O pai de Fermina era gordo e barbudo.
Leona Cassiana sequer entra no filme, mas isso, claro , é compreensível.
(Aqui, a autora vai ao wikipédia e descobre que não foi a única a não gostar do filme: houve até um crítico que disse "esqueçam o filme e releiam o livro"!)
Está tudo dito.