
Trinta anos se terão passado e embora me lembre agora menos vezes, a
emoção parece ser a mesma. Não doerá igual, mas dói nas mesmas zonas. E ainda
dói é no peito e ainda choro pelos olhos e ainda sinto a tua falta no mesmo
sítio: ao meu lado.
Tenho-me perguntado todos estes anos como é possível
amarmos tanto assim alguém a quem deixámos de admirar. Tenho ficado mais velha,
mais sábia, mais meiga e calma, mas ainda não sei como. Às vezes penso que fiz
bem em deixar-te, noutras penso que só ao teu lado teria encontrado uma vida
preenchida no seu todo.
Agora sinto-me tão velha que, quando me sento debaixo
de uma árvore e fecho os olhos, imagino que quando os abrir, te encontrarei,
não velho como eu, mas ainda jovem e forte, e sábio, com a sabedoria de 100
anos e que me estenderás a mão.
