Soncent

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Cânticos de uma velha



 
Trinta anos se terão passado e embora me lembre agora menos vezes, a emoção parece ser a mesma. Não doerá igual, mas dói nas mesmas zonas. E ainda dói é no peito e ainda choro pelos olhos e ainda sinto a tua falta no mesmo sítio: ao meu lado.
 Tenho-me perguntado todos estes anos como é possível amarmos tanto assim alguém a quem deixámos de admirar. Tenho ficado mais velha, mais sábia, mais meiga e calma, mas ainda não sei como. Às vezes penso que fiz bem em deixar-te, noutras penso que só ao teu lado teria encontrado uma vida preenchida no seu todo.
Agora sinto-me tão velha que, quando me sento debaixo de uma árvore e fecho os olhos, imagino que quando os abrir, te encontrarei, não velho como eu, mas ainda jovem e forte, e sábio, com a sabedoria de 100 anos e que me estenderás a mão.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Escrita enfadonha

Vez por outra, aparece-me alguém que me diz que não leu o meu livro porque não é lá muito dado(a) a ler poesia. Eu também não. Por isso, o meu livro é de contos. E crónicas. Embora seja dada a escrever poesia, que já nasce condenada a não ser impressa. A não ser quando aparece num colectânea ou numa folha de jornal, numa com o meu dedo, noutra nem por isso.
Depois perguntam-me: contos sobre o quê? Boa pergunta. Quem quer responder?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Errata

Sem desmentir o post anterior, a minha vontade de escrever esfumou-se um bocado foi com a publicação de Eileenístico.

E porquê, perguntam-me alguns.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Tendências

Eileenístico foi um título criticado a fundo. Dele se disse que era pouco comercial, que não bastasse o meu nome ser tão complicado, ainda o complicava mais no livro, etc, etc. Enfim, que tivesse tido mais juízo, ou mehlores conselheiros.

Qual não foi então o humor com que ouvi a tirada do Abrãao há dias, a dizer que, quando escrever um livro, o vai chamar de:

"Abrãaoístico"

Eu vou logo reservando os seguintes nomes para o meus próximos, se surgirem:

Eileenissímo
Eileenérrimo
e, finalmente, e quando estiver completamente sem ideias:

Eileenless - o livro em que eu não tomar parte de todo.

(Esta ideia não foi minha, e agradeço-a ao meu interlocutor do bar do CCM...)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

As perguntas que nunca me tinham feito

Como decidiste a posição dos contos no livro? Alguém te ajudou? Foram postos à medida que foram escritos, isto e, por data de produção? Quando escreves um, quando voltas a lê-lo? Deixas algum tempo ou fazes a redacção (e assim que se diz?) imediatamente? Tiveste uma pessoa que te ajudasse a ler e fazer algumas mudanças? E se foi assim, houve coisas que aceitasses e outras que te recusaste a mudar? Porque? Qual e o teu conto preferido? Agora que o livro esta disponível a todos tens tido muita critica? E há algum tema comum? Fizeste pesquisa para algum dos contos ou foi tudo sobre coisas que já sabias?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Autógrafos

Estava a lembrar-me ontem de uma coisa engraçada que aconteceu no lançamento de Eileenístico, e que outra pessoa também me disse ter vivido: no momento dos autógrafos, as pessoas aparecem-nos à frente, sorriem e dizem:

- É PARA MIM!

E ficamos lá embaraçadíssimos por não sabermos o nome da pessoa, mesmo que nos conheçamos de vista. Se eu tivesse sabido, teria procurado informar-me sobre formas diplomáticas de sair dessa saia justa.

Houve muita gente que eu poderia identificar como "o dono do carro amarelo" ou "a mãe do Zé", mas cujos nomes eu nunca ouvira na vida, até esse dia.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Frases - curiosidades

Tenho dois ficheiros que se chamam "Frases mais" e "Frases à toa". Escrevo neles as frases que me ocorrem em qualquer sítio. E ficam lá. Depois, releio as frases de tempos em tempos. E acrescento qualquer coisa a uma ou outra. Às vezes, acrescento-lhes três páginas e tornam-se num conto. às vezes, depois de terem inspirado um conto inteiro, apago-as desse conto, porque ficam a mais. Também já escrevi um texto inteiro ao sabor das frases que já estavam feitas. A quem leu Eileenístico, fica o desafio: que conto foi esse? - ofereço um prémio surpresa!

domingo, 30 de setembro de 2007

Eileenístico na Associação cabo-verdiana

São 16 exemplares... é uma verdadeira corrida às bruxas. A minha agente em Lisboa tem mais 14 de reserva, quem quiser o contacto que me contacte directamente pelo contacto já contactado... tipo... eileenbarbosa@yahoo.com.br

E se houvesse crítica?

Se em Cabo Verde houvesse crítica literária como há em tantos países, o que é que se diria de Eileenístico?

terça-feira, 25 de setembro de 2007

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

De malas aviadas... again

Deixo Soncent nas mãos do Teatro e regresso ao país da chuva e do frio, via a cidade linda, Lisboa. Na bagagem, levo alguns exemplares de Eileenístico, que irão estar à venda na Associação Cabo-verdiana, em Lisboa. E levo muitas, muitas saudades de Soncent.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

A história de A História de Sara

Escrevi A História de Sara em casa de alguém, em Faro, de uma só vez. Mas na hora de levar a história para casa, não havia forma: nem gravador de cd's, disquetes, internet. Passei uns dias em casa, com saudades do conto, até que fui lá com papel e caneta e transcrevi tudo do computador para o papel e depois, em casa, do papel para o computador outra vez.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Ainda do lançamento


Personalidades eminentes e amigos do peito assistiram ao lançamento de Eileenístico. Mercedes e Cláudia, mãe e filha, tia e prima, exibindo o seu exemplar.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Primeiro livro - notícia em primeira mão


Eileenístico é como se chamará o meu primeiro livro, de contos e crónicas que será lançado no segundo dia de Agosto, se acontecer como no teatro. No teatro, as coisas todas parecem que vão dar para o torto até que, no último minuto, tudo se conjuga como que miraculosamente e corre bem. Eu preferia que nem sequer houvesse a parte do "dar para o torto".

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Vá, sugestões...

Há uma entidade interessada em financiar a publicação do meu primeiro livrinho de contos - 200 páginas, contos vários, sem temática específica, já este ano. Esta entidade perguntou-me como é que vai ser a capa. Estou bem ciente da importância da capa de um livro, mas sem muitas ideias... Que tal os leitores de Soncent darem sugestões?

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Vamo-nos apertar e levar este homem - texto inédito

Lá de onde dissera que vinha, nunca vivera ninguém. Mentia pois e não mais lhe demos ouvidos. Era conhecido entre nós por ter escrito a crítica do livro que mais gostáramos. Mas de resto, nunca o tínhamos visto e bem podia estar a usar o nome roubado de algures. Do livro, talvez. Deixei cair, como quem não queria a coisa, o nome do autor, para ver se ele se revelava mas a sua reacção foi tão inconclusiva que não o pudemos julgar. Falou-nos depois de uma kasba em que vivera durante quase um ano, encerrado numa sela e só comendo pão de milho e leite de cabra. Mentia descaradamente, foi o que concluímos.

Tínhamos o nosso grupo em que as opiniões do Paulo e do Júpiter sempre imperavam, pelo que não nos preocupamos por fazer o nosso próprio julgamento. Era mentiroso e decidimos deixá-lo no meio do deserto, para que morresse à mingua e nem lhe deixámos uma única garrafa de água, porque, tal como disse o Júpiter, seria desperdiçar água com um morto.

Nem acredito agora na crueldade que conseguimos cometer nesse dia. Gostava de dizer que o tornámos a ver, num carro que chegou depois do nosso, mas não chegaram nenhuns durante três longos dias. Eu sei, porque me pus de guarda junto ao posto de gasolina, o sítio obrigatório para qualquer carro que tivesse acabado de atravessar o deserto. Numa rendia-me de vez em quando e foi numa dessas vezes que ele me disse que o livro que gostaria realmente de escrever seria contra deus. Seria um livro em que reuniria todas as correntes que já houve sobre ele, ordenadas e comentadas e o livro seria tão bem fundamentado que não restaria nenhuma outra saída do que admitir, sem mais margens para dúvida, de que tal entidade não poderá nunca ter existido. Pelo menos, fora da cabeça do humano. Lembro-me que me disse isto à tardinha, quando o sol se punha, enorme no céu e essa sensação de poder e tamanho do céu não me deixou levá-lo a sério.

Mas quando ao quarto dia, apareceu um jeep com o corpo do morto na parte de trás, lembrei-me das palavras dele e acreditei que, se de facto existisse um deus, ele não teria permitido que ele tivesse morrido lá e que nos pesasse nas costas agora, um assassinato a sangue frio. Éramos todos cúmplices, nenhum de nós levantou a voz, ou sequer a sobrancelha, para dizer: vamo-nos apertar e levar este homem.