Soncent

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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Temam este poemeco de 1997!

Só ao céu devo temer

Vós, que me mirais do alto,
que me desprezais do vosso pedestal,
que me ignorais,
que achais por bem ignorar-me;

Não vos apercebeis de quem,
na realidade, sou.

Não vos debruçais para me ver,
sois tão grandes que me pisais,
sois tão pesados que me esmagais.

Porém sois tão fracos
e ao mesmo tempo tão seguros
que não me temeis.

De que têm os elefantes medo?
Dos ratos.

Vós devíeis temer-me.

De pequenos tijolos
é feito um palacete.
Sois um grupo de mim.
Sois formados por mim.

A vossa essência é igual à minha.
Sou o vosso principio.
Que castelo não ruiria sem alicerces?
Que torre não cairia?
Que ponte se manteria?

Sois fracos, sim!
Sois todos fracos e desprezíveis.
Eu não levantarei os olhos para vos ver!

De verdade, estais abaixo de mim.
Sobre a minha cabeça,
apenas o céu.
Só ao céu devo temer.

2 comentários:

Anónimo disse...

Fixe, muito fixe!!!!

Eileen Almeida Barbosa disse...

Obrigada, Gilson!!