Soncent

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O concerto dos Blow

O concerto dos Blow, que foi antecedido por quase dois meses de intensa publicidade, acabou por ser capa de todos os jornais nacionais, por razões completamente inesperadas: os membros do grupo agrediram alguns fãs e deixaram o espectáculo a meio.

Foi um caso completamente novo e só mesmo quem lá esteve o pôde descrever com alguma lógica. É o caso de Ana B., de 19 anos: «A coisa estava absolutamente louca! Sou fã dos Blow desde os 18 anos e nunca, em todo este tempo, me teria passado pela cabeça que isto poderia acontecer! Nunca! O concerto estava louco. Eles cantaram primeiro o “Rock if you breed”, depois foi o “Rock if you’re standing” Foi muito louco. Depois foram umas músicas do novo disco. Havia um grupo que pulava o tempo todo e sabiam todas as canções, porque eu estava perto deles. Num momento muito louco, o Flad, o vocalista – muito louco – tirou a camisa cor-de-rosa e atirou-a para o público. Aí é que foi muito louco mesmo: em vez de todos tentarem apanhar a camisa, todos eles se afastaram e ela caiu no chão. Nesse momento, a música parou! Mas não como num final de espectáculo, eu senti cada instrumento a parar um de cada vez, mas super rápido, à medida que cada um dos membros do grupo se dava conta do que tinha acontecido. Fez-se um silêncio no pavilhão, o maior silêncio que eu já ouvi… no meio de tanta gente. E depois, os membros do grupo, todos eles, saltaram do palco e atacaram aquele grupo. Uns com guitarras, outro com os paus da bateria, outro só com punhos. E no meio daquela confusão que surgiu, já não deu para ver mais nada! Muito louco!»

Já Jair R., 27 anos, que trabalhava como segurança do espectáculo, contou as coisas assim: “Estava tudo normal, o costume de qualquer forma, essas bandas de rock são um bocado iguais e o pessoal também vibra igual, já se sabe, os da frente querem sempre subir para o palco mas não é complicado. Este concerto estava animado, o costume, e faltavam ainda umas duas horas de concerto quando um dos putos, acho que era o guitarrista, despe a palhaçada cor-de-rosa que trazia vestida e atira para o meio do público. Normal, muitos roqueiros fazem isso. O que não foi normal foi que deixaram cair a camisa no chão. Só assim. Isso eu nunca tinha visto, porque normalmente nem gostamos que os cantores atirem coisas porque é sempre uma confusão… o pessoal quase que se mata para ficar com qualquer farrapo que os tipos atirem. Mas desta vez, a camisa caiu ao chão, quase que fazia ruído porque o pessoal da banda silenciou os instrumentos de uma vez, como se alguém tivesse arrancado a ficha da tomada… então um dos da banda salta do palco e atira-se aos fãs, uma loucura! Os outros vêm atrás, e claro que tinha que sobrar para nós, quase que me partiam um braço, quero ver quem é que me vai pagar para estar uns dias em casa sem poder mover este braço! Éramos insuficientes para conter a confusão, claro, e lá tiveram que vir os polícias e até amigos meus lá da zona entraram ao molho. Um deles levou com uma cabeçada… ainda bem que revistámos a malta à entrada, senão, nem sei…”

O porta-voz da banda, o agente musical Sidney Brank fez uma enigmática declaração à saída do Hospital onde os membros foram levados para serem examinados: “Fugimos de pássaros, fugimos de lebres, mas enfrentaremos sempre os leões!”
Flad Boomer, o vocalista da banda, disse, alegadamente, “As moscas fogem do sal e devem fugir do sal. Então porque é que as moscas estavam à volta do sal?”, o que parece significar que se os jovens não gostavam do grupo, não deviam ter ido assistir ao concerto.

A banda está neste momento a braços com disputas com os patrocinadores do concerto. Dos confrontos resultaram cerca de setenta feridos, que ocuparam todos os quartos do Hospital. Ao contrário do que se poderia prever, ninguém fez questão de receber o dinheiro pago pelos bilhetes do concerto.

2 comentários:

Manu Moreno disse...

Imaginação/Ficção
Na alkance di bu Mão
Moda um Pião

É bunitu...
Assisti peça di teatru
Sem palku

Através di bu skrita
Dja bu fazem acredita
Ki imaginação també é vida

...Aparti...

Sta di roda
Pessoal tudu na festa
Ta kurti kel muzikinha
Di bu banda preferida

Bu ta abri um bretcha
Bu ta skiva di camizola
Um atu di agradecimentu
Um forma di manda kel abraçu

Foi preconceito???
Nka ta acredita
Si não, és ka staba la
Ta assisti spetaculu

Nu fundu...la na fundu...
Grupinhu staba bebidu?
Stava na sés cachimbu?
Direpenti kabeças viras contrariu!

Kel abçom di coraçom
ManuMoreno

Eileen disse...

Incrível, ManuMoreno! Nice pa fronta, un gostá tcheu dess bo capacidade de improviso!! Mas mim tb un ca sabê foi modquê, ficção ê ficção... ahhaha Grande abraço!