Soncent

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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sou o que resta

 
Este poemeco está tão fresco que se fosse pão estava quente mas no final sabia a queimado.



Sou o que resta quando o amor se esfuma
Sou as sobras das dores, o odor desvanecido
Sou das botas, os fiapos
Dos cigarros, as beatas


Sou tão pouco que quase não sou
E, enfim, já lá vou
Onde, de tão alto não se vê,
Onde, de tão fundo, se esqueceu


Não tenho nome, não sou conceito
Fui parte antes, hoje menos
Para me descreverem, só palavras vagas,
Um parece, um acho, um não sei
E silêncios e cérebros ocos


E no entanto pareço ter voz
E no entanto, sinto um peso atroz
E quando peso, peso sobre alguém
Mas quando fujo, fujo de mim.



14 de Abril de 2011

12 comentários:

Tey Alexandre SilFonSoares disse...

Muito nice... Sentido?

Eileen disse...

Obrigada, Tey. Queres uma confissão debaixo deste sol quente?
Sentido mais numas frases que noutras, que sabes que só penso em beatas no sentido poético da rima entrelaçada...

Na verdade, havia um sentimento a cair para o triste, que inventou a primeira frase. O resto veio por inspiração mesmo, porque como sou céptica não posso dizer simplesmente que tenho um espírito que me dita umas coisas de vez em quando, o que faria de mim uma médium nos tempos livres.
Se fosse uma médium nos tempos livres montava uma tenda numa rua meio holística e ganhava uns trocos a dizer às pessoas o que elas já sabem, porque matéria prima já tenho: umas olheiras muito, muito escuras.
Tens sobras de comentários?

Mamã Lena disse...

Gostei muito, Lin

Eileen disse...

Obrigada, Mãe.

Ivan Santos disse...

...dava uma boa musica do grande Raul Seixas...
mto bom!

Eileen disse...

Obrigada, Ivan!
Isto é um verdadeiro recorde de comentários num poema que surgiu, assim, praticamente do nada...

Tey Alexandre SilFonSoares disse...

Obrigado pela confissão!

OLISANTO NATELIZA disse...

N gosta.Parabens.
OLISANTO NATELIZA

Vox d Olisanto disse...

N gosta du k inda resta d BO! Vida pa Soncent.

Olisanto Nobre Nateliza

Eileen disse...

Muito obrigada, OLisanto.

Vânia Isabel Medina disse...

AMEI!!!!!!!!! gosto de poesia que "cabe na vida do outro" como escreveu Elisa Lucinda...e esta tenho certeza que assenta a muitas pessoas, em algum momento de suas vidas. Tá lindo!!!!!!
Devias escrever poemas mais vezes :) ou caso o faças, partilhar aqui no Soncent
Abraço e bom fim-d-semana

Vânia

Eileen disse...

Obrigada, Vania. Na verdade nunca me vejo como alguém chegada à poesia. Ela é que às vezes se chega a mim. hehehe
Beijo!