Soncent

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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Maio incompleto

 
Geralmente os meus posts sobre viagens começam com "Fui ao Fogo" ou "Fui à China", fato consumado, agora vamos descrever, contar, e geralmente, também dizia um monte de coisas boas, isto era tão bonito e aquilo, tão interessante.

Então, o que foi que mudou?

Primeiro, de costume, vou de avião. Um meio de transporte decente, que não cheira a nada, que embora suba nas alturas, não balança, às vezes treme mas não faz ondas. Por oposição, um barco é um barco e a palavra já diz tudo: tresanda a gasóleo queimado, as cadeiras são de plástico, o chão brilha de gordura, a carga está à vista, e faz por nos tirar da nossa zona de conforto, nomeadamente, fazendo por nos tirar coisas do estômago.  Enfim, um barco. Vejam a forma como temos que abrir a boca para o pronunciar. Só isso é prenuncio de coisa má.

E foi de barco que arribei à ilha do Maio, numa sexta feira pouco depois do pôr do sol, vendo o cais ficar mais próximo e pensando que alguma forma haveria de desembarcar se toda a gente, toda a vida, tinha lá desembarcado. 

Ah, pois: esperam que uma onda aproxime o barco, agarram-te debaixo dos braços com um saco e atiram-te para os braços do outro tipo que nos espera em terra firme. E pronto. Não foi desta que caímos entre o barco e o cais e fomos feitos puré. 


E por falar em costas largas

E por falar em costas largas: estava uma vez de férias em Soncent. Ia muito à discoteca Syrius. Por lá andava também o X. (nome fictício, disfarçado, aqui sob pseudónimo e num programa de proteção de testemunhas) que era enorme.

ENORME.

O X. era bastante alto e fazia culturismo, o que eu não apreciava na altura, achava feio homens fortes demais. O que aconteceu foi de eu começar a pensar se, dançando com ele, as minhas mãos conseguiriam tocar-se atrás das suas costas. Será que eu abarcava toda a sua circunferência? Queria saber.

Mas ele nunca me convidava para dançar.

As noites passavam, o X. lá na discoteca, eu lá  na discoteca, fazendo-me encontrada com ele e nada.

Comecei a fantasiar com o X. Já não queria apenas dançar com ele. Agora queria, sei lá, falar com ele. Definitivamente, abraçá-lo!

De maneira que depois de uns dias, ele estava sentado no balcão da discoteca e fui sentar-me à sua frente, sem mais, e meti conversa. Perguntei-lhe se ele competia. Ele disse que não, que só treinava porque gostava mesmo, não gostava de chamar as atenções, ser avaliado.

Ah.

Perguntei-lhe o que fazia na vida. Ele já estava a responder quando reparei que ele tinha as unhas das mãos pintadas. Enfim, de verniz transparente, mas era verniz. Ele viu que eu estava a olhar e disse-me uma frase que nunca mais me esqueço:

- Sim, pinto as unhas mas não sou gay.

Naquela hora, naquele momentinho, imaginei o portento do homem, de quase dois metros, de pernas cruzadas, mão esquerda esticada, mão direita a pintar uma unha, a língua de fora num gesto de concentração.

Todas os dias de fantasias com o X. se esfumaram frente aos meus olhos, vi-as cair mesmo, género desenhos animados. Disse-lhe qualquer palavra de despedida enquanto me ia embora e não olhei para trás.

Atire a primeira pedra quem nunca.

Cobiça infantil

Cobiço a tua vastidão. Cobiço perder-me e encontrar-me na largura do teu peito e no calor do teu pelo. Anseio pelos teus braços ao meu redor, apertados e alertados pela minha proximidade. Almejo roçar, pequenas, as minhas mãos nas tuas costas enormes. Um abraço sem volúpia, quero enganar-me. Sem sofreguidão, apenas um bebê que se alinha no pai, protetor invencível contra todos os males.

terça-feira, 16 de junho de 2015

As amizades são bonitas, são, são!


Isto foi num dia em que a Luci me perguntou se queria ir numa aventura. Ora, eu, em ouvindo "aventura", nem preciso que me digam se é para norte ou para sul. Fomos no Portentoso, fomos 3 mais os dois cães, fomos na lama que estava a chover, fomos divertidos e foi nessa diversão que dei por bem ir para a caixa do carro, cantando em altos berros, curtindo estar viva e de saúde.

 De repente, dei por mim quase na beirada da caixa do carro, quase no chão, quando a Luci me viu e travou. Vim a deslizar, de joelhos, na caixa toda molhada e só travei quando o meu nariz foi de encontro ao vidro e por pouco não se partia.

Mas doeu como se se tivesse partido.

O que não impediu a nossa aventura de continuar, ou não fosse Uma Aventura!


Luci e Eileen - numa aventura pós-chuva e antes de quase partir o nariz








sexta-feira, 12 de junho de 2015

Gritos na madrugada

Nunca confessarei as saudades que tenho do tempo em havia uma blogosfera activa, toda a gente lia e comentava os posts e estes eram fruto de trabalho, introspeção e pesquisa.

Estes dias está-me a dar para reler os posts em Soncent e principalmente, reler os comentários. Esta é uma das grandes diferenças entre o blog e o Facebook: aqui, a história mantém-se mais viva, mais acessível, os comentários parecem saltar do ecrã, quase que oiço as vozes da Nádia, do Dudão, do Mr. Guimarães, da Kuskas, do JB...

E o pulsar da vida, este é quase palpável.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Abidjan


Cidades atravessadas por rios... gosto. Verdes, organizadas... gosto. Gostava de ter gostado mais, mas o tempo foi pouco para ver e sentir e cheirar... ficaram as paisagens, o porto a perder de vista, um acidente na estrada, um temporal de chuva que fez desviar o avião que nos levaria a Casablanca.

Ah, Casablanca... 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Em Portugal, estivemos juntos!

Uns dias em Portugal que renderam imenso pelas experiências, pelos reencontros. Pelas vistas, pelo tempo que fazia. Sobretudo, pelos amores partilhados, a amizade revisitada. Uma leveza, uma alegria de criança. 

 Ao pé do Chiado, eu e o Ailton armámo-nos em modelos. 

 Fazia uns quantos anos que não estava com a Suzana. 

Os meus tios e primos, gente muito, muito carinhosa.  

Os meus primos do norte, cujas semelhanças não se escondem. 

Também deu para ir ver o meu avô paterno e a mulher.