Soncent

Soncent

quinta-feira, 31 de março de 2016

De papel

- Sua solidez é de papel.
- Como assim, de papel?
- Papel! Esse que se queima, se dobra, que amolece e se desfaz em água.

Puslândia

Trazia, nos lábios, uma epidemia de fungos que me pôs em estado de sítio.
 Mandei-lhe com uma carga de pomada para cima, cimento cola a escorrer-lhe pelo promontório do queixo, fazendo bifurcação no pescoço, uma ondulação catastrófica na gola da camisa.
 
Seríamos todos salvos daquela boca opaca, dos dentes enxutos, da língua desabrida. Poupados da puslândia imunda que ele nos queria espirrar para cima.

sexta-feira, 18 de março de 2016

You had me at hello

"You had me at hello!" é uma das frases mais icónicas do cinema moderno, por sinal de um filme que conseguiu pôr outra famosa frase na boca de todos: "Show me the Money!"
 
Mas a primeira tem uma beleza fantástica, não só pela sua musicalidade mas por todo o sentido que tem no filme e quando é repetida, significando qualquer coisa como: "Apresentaste tantos argumentos quando eu já estava convencida praticamente à partida."

quarta-feira, 16 de março de 2016

Reclame


 

Paginação. Cartas e cartazes. Logótipos. Carimbos. Fazemos de tudo. Não nos deixaremos enumerar.

segunda-feira, 14 de março de 2016

quinta-feira, 10 de março de 2016

Aventureiro ou...








- Já vi que és aventureira. Eu também sou.
- O que é que queres dizer?! Que queres ir explorar uma montanha ou uma praia, hoje ou no domingo, comigo, contigo e outras pessoas no meu Hummer?? (O meu Hummer é um Ford Ranger mas nada a ver...)

- Adoraria. Só estou à espera do teu convite.

 - Unh... Um aventureiro verdadeiro não fica à espera de um convite... Ele aparece num cavalo, numa mota, nuns patins ou de sapatilhas e diz "Vamos!"

Ele acorda-me no meu sono, entra-me pelo gabinete, aparece no meu cabeleireiro e diz "Vamos!"


Um verdadeiro aventureiro vem buscar-me à porta da boate, no meio da natação, à chegada ao aeroporto e diz-me "Vamos!"
- Epa! Esse é o aventureiro, ou o perseguidor??

terça-feira, 8 de março de 2016

Pequena homenagem no Dia da Mulher

 
Neste dia da Mulher, quero fazer um reconhecimento muito especial a uma mulher também ela muito especial - a minha irmã Nádia. Embora ela tenha sido um bocadinho o terror da minha infância - porque me batia, gozava comigo e não me queria junto dos seus amigos - ao mesmo tempo preocupando-se comigo, indo à minha procura se não me encontrava em casa - desde que crescemos que ela se tornou no meu anjo da guarda.
 
É aquela pessoa que sei que está lá para mim, a quem me queixo, com quem me rio, com quem partilho o que me acontece mas também o que quero, o que me ocorre, o que li, vi, senti. A que me conhece, a que me ouve e a quem oiço. A que me dá prendas, a que me deu dois sobrinhos espertos, meigos e como se não bastasse, lindos!
 

quarta-feira, 2 de março de 2016

Ora, ora...



"I think that kind of struggle is important for a writer. I think it’s a mistake for a writer   to sit around coffee shops musing about bullshit. I think it’s a waste of time and I never do it."

James McBride

Do processo de criação


Comecei hoje a responder a um email da minha mãe e uma frase esquisita surgiu: "Por cá, não choveu, ventou mas pouco e as palmeiras ainda não floriram."
 
Estava completamente fora do sítio, do contexto mas lá me despedi depressa e vim rápido com um copo, um prato, uma xícara, apanhar a chuva de palavras que estava a cair, sintonizando com jeitinho o emissor que ora transmitia em português do Brasil, ora num português bem meu, porque lá onde diz "fazenda", estava "quinta" no original. Mas eu sei que "quinta" não se usa em terras de Vera Cruz.
 
E assim nos tornamos escritores: com humildade para captar as palavras mas com faca afiada para fazer as mudanças necessárias. Que não me torne no Hemingway para vir reescrever 39 vezes!

terça-feira, 1 de março de 2016

Esse gajo...


 
Ela recebe um pedido de amizade de um tipo que logo a princípio, não consegue identificar. Vai ver as fotos. De repente, sim, já sabe quem é. Um militar por quem passava sempre na porta daquele sítio. Continua a ver as fotos. Fotos de treinos, de caminhadas. Fotos numa queda de água. Fotos na praia. Ela põe uma mão frente à boca, sem se dar conta e exclama sozinha.
 
- OH NHA MÃE... Esse gajo é um transtorno!

(Foto da net porque não fica bem pôr a do gajo, embora a dele seja melhor... Enfim, encrencas da ética.)

Sou desses lugares



 
Sou desses lugares
Assim, altos
 Onde as vistas se perdem
Nos baixios, vastos

Sou dessa natureza morta
Sou feita desses tons marrons
Dessas folhas e dons

 Por isso…

 Não têm rimas, as minhas linhas
 Não são versos, mas sim inversos.
Adversos
Diversos estados de alma.