A minha vida em tempos de COVID-19 tem sido exatamente aquela que sempre desprezei: a mulher que não sai de casa, que passa os dias todos iguais, a cuidar da criança, a varrer, a limpar, a dar banho e a “ver novela”: séries de água com açúcar porque desde que pari, toda a violência me choca; em contrapartida, basta que apareça um bebé na tela para que eu me derreta.
A minha bebé celebrou seis meses sob o signo do confinamento: houve um bolo comido apenas por dois; houve um vestido que apenas serviu para a foto. Mas ela riu-se toda e pousou orgulhosa. Suponho que ela nunca foi mais feliz, na sua curta vida: tem a sua mamã o tempo todo ao seu lado. E tem a novidade de ter um papá muito próximo, a brincar com ela todos os dias, a deixá-la explorar-lhe a barba farta, que ela adora! Para ela, ele é o parque das diversões. Para mim, é quem cozinha e lava a loiça. As coisas funcionam muito bem.
