Soncent

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terça-feira, 30 de agosto de 2016

O morto não enterrado

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Quando a gente não enterra o morto, a gente fica cutucando-o de vez em quando, para ver se ainda vive. E de cada vez, o morto reage, parece vivo mesmo e a gente sorri. Mas depois vem aquele fedor todo de morto e a gente descobre, de novo, que o morto morreu e vem de novo toda aquela dor de perder o vivente.
 
(Foto da net)

A quick call

That my tears would cease
to fall
That sadness would only be
a quick call.

Voto em quem?

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Oiço, pela rádio que estamos em campanha. A mim, ninguém nunca chegou.
 
 Nem para pedir o meu voto, nem para me fazer sujeito - ou objeto - de um censo, um inquérito, uma leve sondagem de opinião.
 
 Deve ser, moro numa zona demasiado privilegiada...? Mesmo que aí me chegue o cheiro da ETAR que não filtra? Mesmo que me digam que não ande a pé não vá ser assaltada à porta de casa, onde, sim, roubaram-me um par de baterias do carro num só mês?
 
Deve ser, o meu piso demasiado alto, a entrada fora de mão? Deve ser, nessas zonas, não se faz porta a porta porque somos demasiado informados para querermos o calor do abraço da campanha, o olhar sério que nos pede o voto?
 
Deve ser, chegar aos milhares e milhares de eleitores não é fácil então vamos à zonas mais necessitadas, onde mais facilmente as nossas promessas encontram eco.
 
Tudo bem.
 
Em chegando domingo, voto em quem?
 
(Foto da net)

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Não valia à pena

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Eras o meu macho, sussurrou ela enquanto encostava a porta, lentamente, levantando-a ligeiramente lá onde costumava ranger. Ele ficou deitado na cama desfeita, os lençóis molhados do suor de ambos, os olhos ora no teto, ora na porta encostada. Depois, mecanicamente, agarrou no telemóvel, viu as mensagens sem importância que o esperavam.
 
Não valia à pena tentar dormir suado como estava. Não valia à pena tomar banho agora, porque em alguns momentos, tinha que ir treinar. Não valia à pena ir atrás dela - sabia que acabaria por regressar, como de todas as vezes antes. Foi, toalha à cintura, até à varandinha traseira, onde dois potes com flores murchavam à chuva.


(Foto da net)

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

What can I say?



 Sometimes it takes pain to write. Sometimes, it takes discipline and inspiration. Some other times, you just need a sweet and sour memory of something. And all the other times, it takes some other reasons…

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Trabalhos pouco manuais

Não sei o que é que eu andava a fazer nas aulas de trabalhos manuais no jardim de infância e na primária... porque até hoje, para cortar, colar e até embrulhar um presente, é uma dificuldade que não vos digo nada.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Cocktail molotov - ou o nonsense que se me desceu de algures


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Serviram-me um cocktail molotov on the rocks, never shaken, always stirred, as minhas barbas arrepiaram-se, as minhas influências confluíram para uma única série - confesso que as vejo, deitada, enrugando o espaço entre as mamas - seios para vós que não me conhecem bem - e entre o cocktail e a cicuta, só sei que nada saberei.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Porta-voz

Engraçado que na simbiose entre mim e os meus cães, para além de educadora, de ser aquela que dá comida, água e sombra, também sou a porta-voz. Quando me perguntaram se ele gostou de estar no Tarrafal, revi a comida que ele comeu, se bebeu ou não, se foi acariciado ou não, se se sentiu amado pela dona... e concluí que sim, o MC apreciou imenso o seu fim de semana no Tarrafal.

Crónica na desportiva II - atualização

 
Não ando a acompanhar os jogos olímpicos porque passam na TV e eu não sou muito disso. Mas ontem estive a ver um jogo de basquete e a pensar em que modalidade é que ainda estarei a tempo de me meter, para daqui a quatro anos, estar a curtir os jogos em primeira pessoa, tipo assim, participando e tudo. Creio que as minhas melhores possibilidades estão no Scrabble. Sem vergonha nenhuma.
 Nunca fui muito de desporto. Mas tentei muito!
A minha primeira paixão foi o karaté e andei uns meses numa escola. Mas o karaté era demasiado lento para quem queria ser ninja como eu. Eu queria era dar mortais e muita pancada. Afinal de contas, sou do tempo de karaté kid e saía do cinema possessa, achando que o meu destino já estava traçado.

Imobiliária

O melhor lugar para se morar continua a ser, sem dúvidas nenhumas, no abraço de quem queremos bem.

Tarrafal - assim não!

O Tarrafal continua a ser, na minha opinião, o melhor destino de fim-de-semana da ilha de Santiago. O conjunto das praias, da paisagem e nas ruas em geral é extremamente agradável e uma pessoa sente-se muito à vontade para passear de calções e chinelas, sentindo-se verdadeiramente de férias.
 
 
Escapa-me completamente a necessidade que um grupo de pessoas terá sentido de estragar esse ambiente não com uma, mas duas festas, bombando até às 5 e tal da manhã, impedindo alguns milhares de pessoas de dormir para poderem gozar as praias, os restaurantes e a diversão familiar no dia seguinte.
 
 
Eu fiquei na Baía Verde - nota positiva para o ambiente e negativa para a simpatia da rececionista - e a festa da Unitel estava do lado de fora da minha janela, que somente por acaso, não tem vidraças.
Senti que em vez de me darem opção, estavam a forçar-me a optar pelo divertimento noturno, coisa que eu poderia ter feito ficando na Praia.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Tombou?



Meu mundo, falaram, deu um tombo.
E eu, olhando, deixei meus lábios se afastarem suavemente de meu aparelho.
Mundo que dá tombos? Está tombado, então?

Tombou, sim. Ficou tombado.

Tinha uns arames, uns cabos que o seguravam no meio do éter, meu mundo que era rosa se desprendeu de um desses cabos, tombou, ficou de cabeça para baixo, daqui, parece tudo cinzento.

Meu medo é que os outros cabos se soltem, e meu mundo, feito bola de basquete, bata com força num chão que deve existir algures, abaixo ou acima.

Tenho medo porque eu enjoo.
 
(Imagem da net)

Memórias a propósito

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Em toda a ilha de São Vicente, o carro mais precioso era o da minha mãe.

Por essa razão, não havia hipótese nenhuma desse bendito carro ir à Praia Grande ou à Baía das Gatas durante o festival, de maneira que com sorte, ela dava-me uma boleia até à Rotunda da Ribeira Bote e aí, eu tinha que me acotovelar contra muito boa gente para conseguir entrar numa hiace rumo à Baía.

Apanhava de tudo nessas hiaces. Depois da entrada um bocado selvagem, nós que tínhamos vencido a disputa sentávamo-nos todos muito juntos e já nos permitíamos alguma camaradagem.

Uma vez, a meio do caminho, alguém acendeu a luz do tejadilho e disse "Bar aberto!" Circulou uma garrafa de grogue. Depois a mesma voz disse "Bar fechado" e apagou a luz.  Mais um bocado, voltou a abrir o bar e de novo a garrafa circulou.

Passado um momento, ouvíamos já a primeira atuação do Festival: a viúva do Baltazar Lopes cantava "nha manel junquim nha manel do diach" e todos nós dentro da carrinha fazíamos coro "olé lé lé".

Não preciso de vos contar do meu sorriso no escuro.
 
(Foto da net)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Sonhos e histórias


Hoje é dia de escrever poemas tristes e sem glória.
Hoje é dia de choros, hoje levam-se a enterrar sonhos e histórias.  

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Parabéns, Andreia!

 
Quando há dois anos e tal parti o pé, pensei que fosse ser só desgraças mas graças a esse acidente ganhei duas grandes amigas e uma delas faz aninhos hoje. A Andreia Andrade foi-me visitar a casa, quando éramos praticamente só "conhecidas" e essa visita aqueceu-me o coração até hoje. Descobri uma pessoa imensamente generosa, carinhosa, confidente, divertida e bonita por dentro e por fora. E com a grande vantagem de fazer as vezes de minha irmã cá na Praia, puxando-me a orelha sempre que preciso.
Parabéns, Andreia, que contes muitos mais, com muita saúde e força para continuares a ser essa pessoa muito bonita que tu és!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Agosto

 
O mês de agosto é para mim muito especial. Talvez por ser de Soncent, associo este mês às melhores atividades, às festas, festivais, praias, passeios, churrascos... Há já uns dias que a minha ilha me manda mensagens telepáticas. Estou cá na Praia, sinto-me bem na Praia mas este mês pede sempre que esteja no norte.
 
Tenho imensas saudades da Avenida Marginal, de casa, da minha mãe, da Ribeira do Julião - não sei porquê - da Tutu, da Lena, da Dominika. Sinto também saudades da minha adolescência, coisas que simplesmente já não voltam mais, como as grandes caminhadas que fazíamos para lugares mais ou menos recônditos ou apenas longe.