Soncent

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terça-feira, 7 de abril de 2015

Mentirinhas de 1 de abril

Eu não sei o que vocês pensam e vai até soar mal, mas eu gosto das minhas mentirinhas de 1 de abril. É uma espécie de tradição neste blog, sou capaz de vir a pé para vir escrever uma mentira, como se se tratasse de uma responsabilidade ou compromisso. E relendo algumas, redescobri o bom que era naquele tempo em que as pessoas faziam comentários. 

Elas tanto acreditavam que eu tinha encontrado um cordão de ouro, como que eu tinha mantido uma alta conversa com um candidato à presidência. Também lhes parecia verosímil que uma pomba me tivesse olhado dentro dos olhos e depois, feito adeus. E o que dizer deste pedido de namoro

A última mentirinha também recebeu comentários, coitadinha... no Facebook! 

Arrancar com as próprias mãos

O que a pátria amantíssima se recusou a dar-te, tu quiseste arrancar com as tuas mãos.

Arrancar com as mãos parece ser a única forma de arrancar, pelo que aí não podes ser pesadamente censurado, mas que a pátria te negue e tu na mesma queiras é um erro de julgamento, certamente.

Não que eu queira julgar, eu que tenho dúvidas acerca do que faria, tendo sido sempre uma pessoa com ideias progressistas demais, independente demais nas minhas decisões e posturas e em geral, um ser à parte. Mas dentro da lei.

Terão os velhos morrido?


Terão os velhos morrido? 
Das suas casas não se ouvem
Outros ruídos que o silêncio pesado 
Que soa entre retratos descorados.

Terão os velhos morrido? 
Queria perguntar pelas tuas gentes 
Mas não sei se ainda vivem estes dias. 
Terão os teus avós perecido? 

Não sei se ainda te abraçam
E te pesam nas horas 
Ou se apenas os recordas.
Não sei se jazem prostrados Num leito 
Ou jazem prostrados 
Num prédio invertido no chão.

Taska







Se me virem na rua a chorar
Com uma cadela pela trela
Essa cadela já foi marca de pilha
Tanta era a sua energia

Essa cadela foi desejada
Bem-criada, bem educada
Essa cadela foi, de todas
A mais esperta

Essa que nunca usou trela
Antes
Pois soube fazer tudo
Dantes

Hoje lá vai ela, cega
Com medo até de andar

Essa é a Taska, a superstar.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Taska e MC


Da primeira vez que a Taska pariu, nasceu o MC e mais 3 irmãos. Hoje, ela está velhota, cega e diabética mas continua doce e educada. Ele é um brutamontes que quer sempre mais mimos, que sabe o que é correto ou não mas nem sempre cumpre, que gosta de correr e parece ser gay. Gosto imenso dos dois.

Esta foto maravilhosa foi tirada pela Catalina Lamey.

Creio que eram polícias

 
Ontem a minha mãe fez anos. Resolvi que ia celebrar mesmo estando cá na Praia e ela em São Vicente e fui ao Quebra Canela, na hora do almoço, beber um gin tónico. Foi uma grande exceção pois já por duas vezes, tive episódios de vertigens após beber gin. Mas fazia sol, era o último dia do mês das mulheres e havia aquela energia das manifestações, aquela expetativa do jogo contra Portugal, enfim, uma energia pulsante no ar e nas pedras de gelo dos meus três gins. 

Quando fui pagar ao balcão, senti as pernas um pouco bambas. Decidi que o melhor era deixar lá o carro e apanhar um táxi para casa. Visto que nenhum passava a essa hora, fui andando a pé, curtindo o sol na cara. Devia estar pior do que pensava pois às tantas, um carro do Piquete parou ao pé de mim e o agente que vinha à boleia perguntou-me se estava bem. Disse-lhe que muito bem, obrigada e continuei o meu caminho. 

Passados mais uns metros, um carro da Polícia Nacional parou ao meu lado e mais uma vez, o polícia no banco dos passageiros me perguntou se estava bem. Disse-lhe que talvez um pouco tonta mas que estava à procura de um táxi. Eles foram-se embora. 

Dei mais uns passos e parou um carro sem matrícula, cheio de ferros na janela e um encapuçado perguntou-me para onde ia. Disse-lhe que para casa. Ele perguntou onde ficava a minha casa. Aqui perto, disse-lhe eu, sem querer revelar a zona. Ele disse-me que entrasse e que me levariam a casa. Eu não quis. Vai daí, um homem da grossura de um guarda-fatos mas mais alto sai do banco de trás e agarra-me num braço e mete-me dentro do carro, que zarpa imediatamente. Dentro da viatura, um rádio de baixa frequência estava ligado e não se passou um minuto antes de ouvirmos uma voz feminina a dar conta de um cassubody em Tira Chapéu. 

Arrancaram em alta velocidade, fazendo chiar os pneus no chão e o meu estômago veio parar à minha garganta. Chegamos a Tira Chapéu em menos de três minutos, pararam o carro de tal forma depressa que a minha testa bateu na cadeira da frente. Depois dois encapuçados saíram à desfilada e vinte minutos depois, estavam de volta, um deles com um puto de t-shirt vermelha agarrado pelo pescoço. 

Puseram-no dentro do carro comigo, e sentaram-se de novo. Voltaram a arrancar naquela velocidade, certamente esquecendo-se de mim, pois percebi que iam para uma esquadra na Achada. O rapazinho esfregava o pescoço e acusava-os de agressão e de excesso de zelo. Às tantas eu não aguentei mais e vomitei. Vomitei em cima do agente à minha direita, em cima do rapaz da t-shirt, em cima dos assentos, em cima de mim. Os encapuçados enfureceram-se na hora. O rapaz gritou como se se tratasse de água a ferver. Reclamou mais ainda de agressão. 

Pararam o carro ao pé do Di Nôs, desceram-nos a ambos e arrancaram de novo. 

Creio que eram polícias.